Contexto

O que e o topico D3-06

O HORIZON-CL5-2026-11-D3-06 e um topico do Cluster 5 (Climate, Energy and Mobility) do Horizon Europe focado num problema concreto da geotermia profunda: caracterizar reservatorios sedimentares e cristalinos a profundidades entre 2.000 e 6.000 metros, onde os dados sao escassos, a permeabilidade natural e baixa e o custo de perfuracao e elevado. Estes reservatorios sao ignorados pela exploracao tradicional de hidrocarbonetos, o que deixa a Europa sem informacao geologica suficiente para avaliar o seu potencial energético.

A Comissão Europeia financia este topico com uma dotacao indicativa de 18 milhoes de euros, distribuida por 4 projetos com contribuicao máxima de 4,5 milhoes cada, no formato Research and Innovation Action (RIA) com modelo Lump Sum. Os consorcios devem desenvolver metodos, equipamentos, modelos conceptuais e técnicas de exploracao capazes de prever a estrutura e propriedades destes reservatorios profundos para depois orientar abordagens independentes do reservatorio, como sistemas geotermicos melhorados (EGS) ou ciclos fechados.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O D3-06 cruza duas logicas: produzir conhecimento científico avancado sobre o subsolo profundo (eixo I&D) e acelerar a transição energética europeia atraves do desbloqueio de fontes renovaveis subexploradas (eixo sustentabilidade). Nao e um instrumento de investimento produtivo nem de capacitacao industrial e um financiamento de investigação aplicada que trabalha entre o TRL 4 e 5.

  • I&D e ciencia: o financiamento e dirigido a metodos avancados de caracterizacao geofisica, modelos preditivos de propriedades petrofisicas, equipamentos de medicao em condições extremas (alta temperatura, alta pressao) e validacao das solucoes em estudos de risco. O foco esta no upstream científico, nao na exploracao comercial.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o objetivo aplicado e aumentar a base de conhecimento que permita a developers de geotermia reduzir o risco de furos secos, aumentar o desempenho dos recursos identificados e mitigar a sismicidade induzida. Os resultados alimentam directamente a expansão da geotermia profunda como fonte renovavel firme, complementar a solar e eolica.
Dotacao

Estrutura do envelope financeiro

O orcamento total de 18 milhoes de euros e dividido em 4 projetos com contribuicao financeira fixa em modelo Lump Sum. Cada consorcio recebe ate 4,5 milhoes de euros, sem variabilidade entre mínimo e máximo. Esta estrutura e comum nos topicos RIA do Cluster 5 e visa simplificar a gestão financeira dos projetos: nao ha justificacao detalhada de custos a posteriori, ha entregaveis e milestones que despoletam pagamentos por tranches definidas.

18M EUR
Dotacao total indicativa
4
Projetos esperados
4,5M EUR
Contribuicao por projeto
RIA
Tipo de acao

A modalidade RIA, distinta da Innovation Action (IA), reflete o estado de maturidade tecnologica visado: TRL 4 a 5, ou seja, validacao em ambiente laboratorial e em ambiente representativo. As atividades podem comecar em TRL inferior, desde que o projeto demonstre progresso ate ao limite superior. Isto significa que consorcios em fase mais exploratoria continuam elegiveis, ao contrario do D3-14 (PV) ou D3-23 (foundation models IA), que exigem TRL mais avancado.

Calendario

Datas e janela de submissão

Marco Data Notas
Abertura do call 04 de agosto de 2026 Submissoes via Funding & Tenders Portal
Deadline único 01 de dezembro de 2026 Modelo single-stage, sem fase de concept note
Janela de preparacao util Aproximadamente 4 meses Construcao de consorcio, narrativa científica, planeamento orcamental

O modelo single-stage e exigente em termos de preparacao: a proposta técnica completa e apresentada na primeira submissão, sem oportunidade de iteracao. Consorcios que nao tenham parceiros operacionais identificados em setembro de 2026 dificilmente conseguem montar uma submissão competitiva ate dezembro.

Ambito

O que os projetos devem entregar

A Comissão define o ambito técnico em torno de tres eixos cumulativos. Os projetos devem cobrir os tres para serem competitivos, embora o peso relativo possa variar.

  • Metodos e modelos preditivos: avancos para alem do estado-da-arte em equipamentos, metodos e modelos conceptuais que permitam compreender e prever propriedades petrofisicas a profundidades nao convencionais. O foco esta na escassez de dados e em alavancar a informacao geologica disponivel.
  • Condições do reservatorio: impacto das condições in-situ (stress geomecanico, temperatura, propriedades quimicas) no desenvolvimento e desempenho dos recursos. Inclui adequacao a técnicas de estimulacao, design de poco, tecnologias de completion, possibilidade de coproducao de materias-primas e estabilidade do furo.
  • Validacao e análise de risco: demonstrar o beneficio das solucoes propostas em metodos de decisao e análise de risco state-of-the-art, com avaliação de impactos ambientais (biodiversidade, balanco hídrico, poluicao) e socioeconomicos.
Requisito transversal SSH
O topico exige contribuicao efetiva das ciencias sociais e humanas (SSH) e o envolvimento de especialistas SSH. Os consorcios sem perfil multidisciplinar serao penalizados na avaliação de impacto. A engenharia geomecanica isolada nao e suficiente e necessario integrar a aceitacao social, a perceao de risco em comunidades locais e o engagement continuo.
Elegibilidade

Quem pode candidatar-se

As regras gerais de elegibilidade do Horizon Europe aplicam-se sem desvios materiais. O consorcio tem de ter no mínimo tres entidades juridicas independentes, estabelecidas em tres Estados-Membros ou paises associados diferentes, das quais pelo menos uma esteja sediada num Estado-Membro da UE.

  • Empresas: empresas tecnologicas em geofisica, engenharia de subsolo, equipamentos de drilling e fabricantes de sensores. PME elegiveis em pe de igualdade com grandes empresas.
  • Centros de I&D e universidades: entidades de investigação em geologia, geofisica, mecanica de rochas, modelacao de subsolo. O perfil científico do consorcio e tipicamente liderado por estes parceiros.
  • Operadores e developers de geotermia: entidades com experiencia operacional em projetos de geotermia profunda ou EGS, que validam as solucoes propostas em casos reais.
  • Especialistas SSH: instituicoes ou consultoras com competencias em ciencias sociais, aceitacao pública e governance de projetos energeticos.

Quando o projeto utiliza dados de observacao terrestre ou de posicionamento por satelite, o uso de Copernicus, Galileo ou EGNOS e obrigatorio (outros dados podem ser usados em complemento). Esta clausula afeta projetos que cruzem informacao geologica de superficie com sensoriamento remoto.

Para que tipo de empresa portuguesa

Onde Portugal pode entrar

A geotermia profunda nao e tradicionalmente um setor onde o tecido empresarial portugues seja dominante, mas o D3-06 oferece angulos de entrada concretos. A Universidade de Aveiro, a Universidade de Lisboa, o Instituto Superior Técnico e o Laboratorio Nacional de Energia e Geologia tem competencias instaladas em geologia profunda, modelacao de subsolo e geofisica aplicada. Empresas portuguesas em sensoriamento, instrumentacao geofisica e software científico podem integrar consorcios como parceiros tecnologicos. O potencial geotermico portugues, ainda que limitado em comparacao com Italia ou Islandia, justifica a participacao em projetos europeus para garantir transferencia de conhecimento aplicavel ao caso nacional.

Avaliação

Criterios e ponderacao

A avaliação segue o modelo standard do Horizon Europe para topicos RIA: tres criterios pontuados de 0 a 5, com threshold de 3 em cada criterio e 10 no total. A nível de empate, a ordem de desempate privilegia primeiro o impacto, depois a excelencia, depois a qualidade da implementação.

Criterio Peso O que avalia
Excelencia 1/3 Ambicao científica, avanco face ao state-of-the-art, qualidade da metodologia, integração SSH
Impacto 1/3 Contribuicao para os outcomes esperados, dimensao do mercado geotermico desbloqueado, plano de comunicação e exploracao
Qualidade e eficiencia da implementação 1/3 Plano de trabalho, estrutura do consorcio, gestão de risco, alocacao de orcamento Lump Sum
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O D3-06 e um topico nichado, com poucos consorcios europeus a competir mas com requisitos cientificos altos. Para uma empresa ou centro de I&D portugues, a janela ate dezembro de 2026 nao e generosa: o mercado europeu de geotermia profunda esta concentrado em hubs especificos (Franca, Alemanha, Italia, Islandia, Holanda) e a entrada num consorcio competitivo passa por contactar early os lideres habituais destes calls.

Tres alertas praticos. Primeiro, o requisito SSH nao e cosmetico e ponderado na avaliação de impacto e tem peso real. Segundo, o modelo Lump Sum elimina a discussao sobre custos elegiveis mas obriga a definição precisa de entregaveis e milestones, o que exige planeamento detalhado a montante. Terceiro, a articulacao com infraestruturas europeias (EPOS, ICOS, programas nacionais de monitorizacao sismica) deve ser explicita na proposta para reforcar a dimensao paneuropeia.

Para investidores e developers nacionais, a leitura util e diferente: o D3-06 e um leading indicator do que a Comissão espera ver maturado em 2028-2030, ou seja, projetos comerciais de geotermia profunda em zonas hoje inexploradas. Antecipar este movimento, mesmo sem candidatar a este topico, ajuda a posicionar empresas portuguesas em cadeias de valor que ainda estao em formacao.

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