Contexto

O que e o topico D3-14

O HORIZON-CL5-2026-11-D3-14 e um topico do Cluster 5 (Climate, Energy and Mobility) do Horizon Europe que financia o desenvolvimento e demonstracao de sistemas fotovoltaicos inovadores em duas areas concretas: agriPV (co-localizacao de PV com atividade agrícola) e offshore ou nearshore PV (sistemas implantados em ambiente marinho). E uma das prioridades centrais da Estrategia Solar da UE, que visa expandir massivamente a capacidade fotovoltaica europeia sem agravar a competicao por solo agrícola nem comprometer a biodiversidade.

A dotacao indicativa e de 30 milhoes de euros, distribuida por 4 projetos com contribuicao máxima de 7,5 milhoes cada, no formato Innovation Action (IA) Lump Sum. O topico implementa a parceria europeia co-programada EUPI-PV (European Partnership for Innovation in Photovoltaics) e os projetos selecionados terao de reportar resultados a esta parceria para alimentar os seus indicadores de monitorizacao.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O D3-14 cruza investimento produtivo em demonstradores de escala industrial com objetivos diretos de descarbonização energética. Nao e um topico de investigação basica, exige projetos com TRL 7 a 8 e demonstradores fisicos de pelo menos 5 MW, o que aproxima o financiamento do mundo da execução comercial.

  • Investimento produtivo: os fundos cobrem a construcao de sistemas demonstradores de pelo menos 5 MW em zonas climáticas e marinhas distintas. Inclui equipamentos PV, estruturas, sistemas de monitorizacao, ligacao a rede e infraestrutura de medicao em cenarios reais. E o tipo de financiamento mais proximo de capex industrial dentro do Horizon Europe.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o objetivo final e reduzir o LCoE da geracao solar em contextos novos (terreno agrícola produtivo, mar) e abrir mercados para tecnologias PV bancarias que protejam solo, biodiversidade e recursos hídricos. A redução de CAPEX/OPEX e o aumento do energy yield sao requisitos explicitos do topico.
As duas areas

AgriPV vs Offshore PV: escolher uma

Uma regra critica do D3-14: cada proposta tem de abordar apenas uma das duas areas. Consorcios que tentem cobrir as duas vao ser inadmissiveis. A Comissão reservou um portfolio equilibrado, garantindo que pelo menos dois projetos sao financiados em cada area.

Dimensao AgriPV Offshore / Nearshore PV
Local de implantacao Terreno agrícola produtivo, em co-localizacao com cultura ou pastoreio Espaco marinho proximo da costa ou offshore, eventualmente em co-localizacao com eolica
Outcome especifico Produção simultanea de eletricidade e culturas, proteção do solo, conservação da água, biodiversidade Aproveitamento do espaco maritimo, co-locacao com offshore wind, integração no sistema
Indicadores chave Yield agrícola, qualidade da cultura, indicadores de biodiversidade, balanco hídrico Resistencia a condições do mar, durabilidade em ambiente salino, impacto em rotas e pesca
Stakeholders criticos Agricultores, organizações do setor agroalimentar, autoridades agricolas Operadores maritimos, pescas, transporte, defesa, autoridades portuarias
Dotacao

Estrutura do envelope financeiro

30M EUR
Dotacao total indicativa
4
Projetos esperados
7,5M EUR
Contribuicao por projeto
5MW
Demonstrador mínimo

A dotacao por projeto, 7,5 milhoes de euros em modelo Lump Sum e significativamente superior a do D3-06 e adequa-se ao perfil capex-intensive de uma demonstracao de 5 MW. A modalidade Innovation Action significa que os entregaveis tem de ter dimensao de demonstracao em ambiente operacional, nao basta validacao em laboratorio.

Modelo de carteira equilibrada
A avaliação garante que pelo menos duas propostas em cada area (agriPV e offshore PV) sao financiadas, desde que atinjam os thresholds. Esta regra protege a diversidade de portfolio mas nao substitui o ranking de excelencia: uma proposta agriPV de qualidade media so e financiada se nao houver alternativas agriPV melhores na shortlist.
Calendario

Datas e janela de submissão

Marco Data Notas
Abertura do call 04 de agosto de 2026 Submissoes via Funding & Tenders Portal
Deadline único 01 de dezembro de 2026 Modelo single-stage
Janela de preparacao util Aproximadamente 4 meses Critica para demonstradores de 5 MW: localizacao, licenciamento, parceiros operacionais

A janela e particularmente apertada para projetos que dependam de localizacao fisica e licenciamento. Demonstradores de 5 MW em terreno agrícola ou em espaco maritimo exigem identificacao previa do sitio, acordos com proprietarios ou autoridades, avaliações de impacto ambiental e clareza sobre o trajetorio de licenciamento ate ao fim do projeto. Consorcios que cheguem a setembro sem sitios candidatos identificados tem dificuldade em montar uma proposta competitiva.

Ambito

O que os projetos devem entregar

Independentemente da area escolhida, os projetos devem demonstrar:

  • Modelacao integrada do sistema: avaliação precisa do energy yield e, no caso de agriPV, metodologias comparaveis para biodiversidade, plant-yield e qualidade da cultura.
  • Componentes e arquiteturas avancadas: conceitos e design que minimizem o impacto no terreno ou no mar enquanto maximizam a produção energética e otimizam a ligacao a rede.
  • Resiliencia climática: capacidade de adaptação a eventos extremos e, em agriPV, a alteracoes de práticas e culturas; em offshore PV, a condições de mar variaveis.
  • Standardizacao: contributos para harmonizacao de design de modulos e estruturas para estas aplicacoes especificas.
  • Definição do processo de licenciamento: identificar fluxos de licenciamento agil para reduzir o time-to-market.
  • Demonstradores de pelo menos 5 MW: instalações em diferentes zonas climáticas ou maritimas da UE, num total mínimo de 5 MW no consorcio.

Os projetos cuja exploracao envolva criar produtos ou servicos comerciais tem de incluir um plano de exploracao com business case, planos de escalabilidade e identificacao de fontes de financiamento subsequente, com referencia explicita ao Innovation Fund. A Comissão quer um pipeline visivel ate ao deployment comercial, nao apenas validacao tecnologica.

Para que tipo de empresa portuguesa

Onde Portugal pode entrar

Portugal tem uma posicao competitiva em tres frentes neste topico. Primeiro, o pais tem irradiancia solar entre as mais altas da Europa Ocidental, o que torna os demonstradores agriPV e offshore particularmente eficientes em comparacao com Norte da Europa. Segundo, ha experiencia operacional em projetos PV de grande escala (Cerdeira, Coruche) e capacidade industrial em estruturas e equipamentos. Terceiro, o setor agroalimentar nacional, especialmente a viticultura, olivicultura e fruticultura, oferece casos de uso bem definidos para agriPV em culturas permanentes.

Para offshore PV, a costa portuguesa apresenta condições do Atlantico mais severas que o Mediterrâneo, o que e relevante: a Comissão quer demonstradores em diferentes zonas maritimas e Portugal cobre um cluster geografico ainda subrepresentado. Empresas de engenharia naval, integradores PV, utilities e centros de investigação em energias marinhas sao os perfis tipicos com angulos de entrada validos.

Avaliação

Criterios e ponderacao

A avaliação segue o modelo standard das Innovation Actions Horizon Europe: tres criterios, cada um pontuado de 0 a 5, threshold de 3 em cada e 10 no total. O peso do impacto e ligeiramente reforcado em IA face a RIA, com sobreponderacao em desempate.

A clausula de transferencia de propriedade merece atencao: a Comissão pode opor-se, ate 4 anos apos o fim do projeto, a transferencia de ownership ou licenciamento exclusivo dos resultados. Esta provisao restringe a capacidade dos parceiros venderem ou licenciarem em regime de exclusividade os ativos desenvolvidos com fundos públicos europeus e deve ser ponderada na estrategia de IP do consorcio.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O D3-14 e um topico apetecivel para empresas portuguesas em PV e energias marinhas, mas tem barreiras de entrada elevadas: demonstrador de 5 MW, TRL 7-8, plano de exploracao comercial credivel. Nao e um call para consorcios sem operador industrial nem sem terreno ou espaco maritimo identificado. Para entrar, a estrategia mais realista passa por integrar consorcios liderados por grandes operadores europeus com track record na parceria EUPI-PV (Fraunhofer ISE, EDF Renewables, Iberdrola, ENEL, BayWa r.e.) e contribuir como parceiro tecnologico, demonstration site ou validador agronomico/maritimo.

Tres alertas. Primeiro, a regra de carteira equilibrada significa que a area menos competitiva (provavelmente offshore PV pelo número menor de propostas em maturidade) e a porta de entrada mais facil. Segundo, o requisito SSH e os planos de aceitacao social tem peso real: para agriPV, o envolvimento de organizações agricolas e autoridades locais nao pode ser cosmetico. Terceiro, o reporting a EUPI-PV e o alinhamento com os indicadores da parceria sao obrigatorios apos a contratacao e devem estar refletidos no work plan.

Para promotores que considerem desenvolver agriPV ou offshore PV em Portugal sem candidatura ao Horizon, o D3-14 e uma referencia técnica importante: os entregaveis dos projetos selecionados publicam standardizacao de design, fluxos de licenciamento e modelos de business case que servirao de baseline para futuros avisos PT2030 e do Fundo Ambiental ate 2030.

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