Proxima geração de cenarios para informar transições
O HORIZON-CL5-2027-01-D1-13 é um topico do programa Horizon Europe, integrado no Cluster 5 (Clima, Energia e Mobilidade) e na call HORIZON-CL5-2027-01 do Work Programme 2026-2027. Financiado como Research and Innovation Action (RIA) em modalidade lump sum, distribui 24 milhoes de euros por seis consorcios europeus, cada um com 4 milhoes de euros fixos.
O objeto do topico é a proxima geração de cenarios climaticos. Cenarios são representações estruturadas de futuros possiveis usadas para informar decisões politicas, planeamento urbano, estratégia empresarial e avaliações cientificas globais como o IPCC. A Comissão considera que os modelos atuais (em particular Integrated Assessment Models, IAMs) precisam de evoluir para refletir melhor a interação entre clima, biodiversidade, geopolitica, justiça e outras variaveis sistemicas.
Este não é um topico de aplicação industrial direta. É um topico de modelação e ciência aplicada com peso politico relevante: os cenarios produzidos vao alimentar avaliações IPCC e IPBES, suportar decisões do European Green Deal e influenciar negociações UNFCCC e CBD.
Necessidades que este instrumento resolve
O topico cobre duas necessidades empresariais bem definidas para entidades portuguesas com competência em modelação climática, economia ambiental ou politica climática. Não se enquadra como instrumento de capitalização ou crescimento empresarial, é um instrumento de I&D pura com componente forte de politica pública.
- I&D e ciência: o topico financia desenvolvimento de novos modelos integrados de avaliação ou alternativas aos IAMs, atualização das narrativas SSP e RCP, integração de impactos fisicos e dimensão de adaptação. Beneficia centros de modelação climática, departamentos académicos de economia ambiental, equipas de ciência politica climática.
- Sustentabilidade, energia e clima: o output direto são cenarios que orientam estratégias de mitigação e adaptação a varias escalas, do global ao local. Adequa-se a entidades cujo trabalho influencia roadmaps energeticos, planos de adaptação climática regional ou estratégias setoriais de descarbonização.
Cada proposta escolhe uma so
A regulamentação do topico exige que cada proposta indique claramente uma das três areas prioritarias. A regra de portfolio garante que pelo menos duas das melhores propostas em cada area serão financiadas, desde que atinjam todos os limiares.
| Area | Foco | Resultado tipico |
|---|---|---|
| A. Impactos e adaptação | Integrar impactos fisicos do clima, custos e limites da adaptação nas trajetorias de mitigação | Modelos que testam a resiliência de pathways low-emission a impactos climaticos e ao feedback biofisico |
| B. Estruturas de cenario | Atualizar baselines, expandir narrativas, capturar ampla gama de futuros plausiveis incluindo post-growth | Extensão de SSP/RCP ou alternativas, com aplicabilidade regional, local e relevância para biodiversidade e ODS |
| C. Representação de politicas | Maior granularidade na representação de politicas mitigação e adaptação, ligação implementação real-world | Análises de competitividade, emprego, investimento, segurança energética e impactos de geopolitica em pathways |
A escolha da area tem implicação estratégica. Equipas portuguesas com pendor economico e ligação a politicas públicas (LNEG, ICS, Nova SBE, ISEG, FEUC) tendem a posicionar-se naturalmente em B ou C; equipas com base em ciências do clima e biofisica em A.
Tres parceiros de paises de baixo e medio rendimento
A regra de elegibilidade adicional é restritiva e tem efeito direto na arquitetura do consorcio: pelo menos três entidades juridicas independentes, estabelecidas em três paises diferentes de rendimento baixo, médio-baixo ou médio-alto, têm de integrar o consorcio como beneficiarios ou parceiros associados. Este requisito reflete a prioridade politica de inclusão global na produção de cenarios e fornece visibilidade europeia em geografias estratégicas.
A cooperação com grandes emissores GEE é "fortemente encorajada" e especificamente requerida com China, India, Brasil e Indonesia. Para a China, o topico contribui para a flagship initiative EU-China Climate Change and Biodiversity (CCB). As regras padrão de financiamento Horizon aplicam-se: nem todos os participantes destes paises estão automaticamente elegíveis para receber fundos europeus, dependendo da classificação World Bank.
Quatro milhoes fixos para seis projetos
O ticket é fixo em 4 milhoes de euros por projeto. Em modalidade lump sum, o pagamento esta indexado ao cumprimento de pacotes de trabalho. A taxa padrão é 100% para todos os participantes em ações RIA. A duração tipica de projetos desta natureza é de 36 a 48 meses.
Se o projeto usar dados de observação por satélite, posicionamento ou navegação, é obrigatorio recorrer ao Copernicus, Galileo ou EGNOS, regra que garante alinhamento com a infraestrutura de dados europeia.
Janela de submissão
| Marco | Data |
|---|---|
| Abertura prevista | 17 de novembro de 2026 |
| Deadline submissão | 4 de marco de 2027 |
| Modelo | Single-stage |
O período util é de cerca de 15 semanas. Para um topico que exige consorcio com tres paises de baixo/medio rendimento, parceria com pelo menos um grande emissor GEE e equipas multidisciplinares (clima, economia, politica, SSH), este prazo é apertado se o trabalho de consorcio nao começou ainda.
Quem se enquadra
O topico não restringe formalmente o tipo de entidade beneficiaria, mas o perfil tipico inclui:
- Centros de I&D e universidades com competência em modelação climática, IAMs, economia ambiental ou estudos de politica climática.
- Think tanks e organizações de politica pública com track-record em análise de transições, energia ou clima.
- Empresas de consultoria especializada em sustentabilidade, ESG estratégico, modelação setorial. Em Portugal, o universo é restrito mas existe.
- Plataformas e iniciativas internacionais de modelação como ECEMP e ECEMF, mencionadas explicitamente no topico como referência de coordenação.
A inclusão de expertise SSH (Social Sciences and Humanities) é exigida no scope, o que abre espaço a sociologos, cientistas politicos e antropologos da transição climática em consorcios maioritariamente cientificos.
O que recomendamos
Este topico é, em substancia, dirigido a um grupo restrito de centros europeus de modelação climática e politica climática. Os candidatos historicamente vencedores em RIA Cluster 5 D1 incluem PIK, IIASA, JRC, Tyndall Centre, CICERO, ENEA, CMCC. Para entidades portuguesas, a probabilidade realista de liderança de consorcio é baixa; a participação como parceiro com competência clara é viavel e estrategicamente interessante.
A nossa recomendação para entidades portuguesas é dupla. Primeiro, posicionarem-se como parceiros em consorcios liderados por instituições europeias estabelecidas, oferecendo competência diferenciadora: modelação focada em Peninsula Iberica, ligação a politica climática nacional, ou ponte com paises lusofonos (Brasil, Mocambique, Angola) que contribuem para o requisito de cooperação internacional. Segundo, decidir cedo a area prioritaria (A, B ou C) e construir consorcio que evidencie coerência temática, não tentar cobrir as três.
A obrigatoriedade de open access para modelos e dados é decisiva. Equipas que usam modelos comerciais ou proprietarios devem rever a estratégia, ou aceitar que o que for desenvolvido com financiamento UE fica disponivel publicamente. Para parceiros académicos, isto é geralmente aceite; para consultoras, requer pensamento estratégico sobre onde esta o valor que se mantem proprietario apos o projeto.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]