O Cluster 6 e a agenda agro-alimentar europeia
O Cluster 6 do Horizonte Europa cobre os temas de alimentacao, bioeconomia, recursos naturais, agricultura e ambiente. E o cluster onde convergem as prioridades do Pacto Ecológico Europeu relacionadas com sistemas alimentares, o uso sustentavel da terra e dos recursos biologicos e a proteção da biodiversidade. A Call HORIZON-CL6-2026-03-two-stage faz parte do Work Programme 2026-2027, gerida pela Research Executive Agency (REA).
Esta Call distingue-se por um ambito tematico particularmente amplo, abrangendo desde a reciclagem de plasticos em embalagens alimentares ate a recuperacao de materias-primas criticas de fontes biologicas, passando pela padronizacao de produtos bio-based e pela resiliencia dos sistemas agricolas face as alteracoes climáticas. Para empresas e investigadores portugueses com atividade nestas areas, representa uma oportunidade concreta de acesso a financiamento europeu nao reembolsavel.
Topicos prioritarios desta Call
A Call CL6-2026-03 agrupa topicos em varias vertentes temáticas do Cluster 6. As areas com maior relevancia para o tecido empresarial e de investigação portugues incluem:
- Economia circular e bioeconomia: melhorias em embalagens alimentares plasticas susteniaveis, reciclagem textil, recuperacao de materias-primas criticas de fontes biologicas; padronizacao de produtos bio-based (11 topicos identificados neste subgrupo).
- Sistemas alimentares sustentaveis: alinhamento com a estrategia Farm to Fork; redução do desperdicio alimentar; modelos de produção e distribuicao de baixo impacto ambiental.
- Biodiversidade e servicos de ecossistema: conservação de polinizadores, gestão de habitats agricolas, avaliação de servicos de ecossistema em contexto rural e costeiro.
- Agroecologia e agricultura sustentavel: modelos de produção integrada, redução de pesticidas, rotacao de culturas, resiliencia face a seca e eventos climaticos extremos.
- Zero poluicao: redução da contaminacao de solos e aguas por nutrientes, microplasticos e residuos agroindustriais.
Dois estagios, criterios distintos
O formato de dois estagios desta Call foi concebido para reduzir o esforco de candidatura inicial. Na Fase 1, os consorcios submetem um outline de máxima 10 paginas, avaliado apenas em dois criterios: Excelencia e Impacto. O processo incluiu um piloto de avaliação cega, inovação metodologica da Comissão Europeia para mitigar eventuais bias na avaliação baseada na reputacao das instituicoes.
| Fase | Criterios | Prazo | Resultado |
|---|---|---|---|
| Fase 1 | Excelencia + Impacto (avaliação cega) | 16 abr 2026 (encerrado) | Convite para Fase 2 |
| Fase 2 | Excelencia + Impacto + Implementação | 23 set 2026 | Decisao de financiamento |
A adicao do criterio de Implementação na Fase 2 e critica: nesta fase, o consorcio deve demonstrar nao so a qualidade científica e o potencial de impacto, mas tambem a viabilidade operacional do projeto, a solidez do plano de gestão e a clareza do modelo de governanca. Consorcio com parceiros industriais fortes tendem a ser mais bem avaliados neste criterio.
Onde Portugal tem mais a ganhar
Portugal reune um conjunto de condições favoraveis para participar de forma competitiva no Cluster 6. O setor agroflorestal e um dos pilares da economia nacional: com cerca de 3,6 milhoes de hectares de superficie agrícola utilizada e um setor de papel e pasta de papel de escala europeia, ha massa critica para propor e liderar projetos de bioeconomia de alto valor.
Adicionalmente, Portugal tem instituicoes de investigação com track record estabelecido em temas de solo, água e biodiversidade (INIAV, ISA, CIIMAR) e um ecossistema de empresas agritech e foodtech em crescimento. A proximidade geografica com Africa e a presenca na Macaronesia dao a entidades portuguesas uma vantagem diferenciadora em topicos de extensão geografica alem-Europa, como os cobertos pelo Cluster 6 no contexto do desenvolvimento sustentavel global.
O que recomendamos
O Cluster 6 e tecnicamente menos intensivo em engenharia do que o Cluster 5, mas nao e menos competitivo. Os melhores consorcios combinam rigor científico com um modelo de co-criação territorial que vai alem da parceria formal: envolvem agricultores, autarquias e cooperativas como parceiros reais, nao apenas como stakeholders passivos. Esta dimensao de governanca participada e cada vez mais valorizada na avaliação de propostas CL6.
Para quem prepara a Fase 2 desta Call, o conselho mais critico e investir tempo no plano de impacto: quantificar, com dados e metricas concretas, qual a mudanca mensuravel que o projeto vai produzir no sistema alimentar ou ambiental alvo. Compromissos vagos de "contribuir para a sustentabilidade" sao penalizados. O que vale sao números: hectares recuperados, toneladas de CO2 sequestrado, percentagem de redução de pesticidas, empresas que adotam o modelo desenvolvido.
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