O que é o tópico BIODIV-01
O tópico HORIZON-CL6-2027-01-BIODIV-01 integra o Cluster 6 do Horizonte Europa e responde a um problema técnico de fundo: os dados de biodiversidade existem em abundância, mas estão fragmentados. Avaliações genómicas, amostragem de campo, observações por drone e dados de satélite raramente foram concebidos para falar entre si, o que limita a análise avançada e o uso de inteligência artificial.
O objetivo do tópico é desenvolver e validar sistemas que integrem estas fontes de dados, do genoma ao espaço, para melhorar a avaliação da condição dos ecossistemas e a previsão de tendências de biodiversidade a escalas regional, europeia e internacional. É um trabalho de infraestrutura de conhecimento ao serviço das metas de biodiversidade da União Europeia e do Quadro Global de Kunming-Montreal.
Necessidades que este instrumento resolve
Este tópico vive na fronteira entre a ciência ambiental, a ciência de dados e a observação da Terra, o que se reflete nas três necessidades que cobre.
- I&D e ciência: os projetos têm de identificar e priorizar lacunas críticas de conhecimento sobre biodiversidade e desenvolver casos de demonstração em ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos, alinhados com os quadros europeus e globais.
- Digitalização e IA: o foco está em tornar os dados de campo utilizáveis como recursos de treino e validação para abordagens estatísticas, de aprendizagem automática e de inteligência artificial, em aplicações como classificação de habitats e mapeamento de ecossistemas.
- Sustentabilidade, energia e clima: o resultado serve diretamente a proteção, o restauro e o uso sustentável da biodiversidade, com previsão de tendências que apoia decisões de política ambiental.
O que se espera de uma candidatura
As propostas devem construir capacidades técnicas concretas, capazes de responder a casos de uso diversos e de assegurar interoperabilidade com os quadros europeus e globais de classificação de ecossistemas.
- Sistemas de integração multissensor: harmonizar dados genómicos e de campo com observação por satélite ou plataformas suborbitais, além de dados socioecológicos e climáticos.
- Modelação preditiva com IA: dar resposta a casos de uso em ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos, com foco em análise preditiva e mapeamento assistido por inteligência artificial.
- Dados e protocolos FAIR: entregar fluxos de harmonização e protocolos de processamento que liguem observação a dados socioeconómicos, climáticos, agrícolas e florestais e a infraestruturas como a European Open Science Cloud.
- Cooperação com iniciativas existentes: articular com esquemas como GBIF, OBIS e LUCAS, prevendo coordenação com o Centro de Conhecimento para a Biodiversidade e o programa FuturEO da Agência Espacial Europeia.
Orçamento, formato e elegibilidade
O tópico tem uma dotação de 10 milhões de euros para 2027 e prevê o financiamento de dois projetos, com uma contribuição da União de 5 milhões de euros por projeto. É uma Research and Innovation Action (RIA) do Horizonte Europa, com financiamento na forma de lump sum, ou montante fixo.
O tópico integra o cluster de Biodiversidade da iniciativa conjunta de ciência do sistema terrestre entre a Comissão e a Agência Espacial Europeia. O Centro Comum de Investigação da Comissão pode juntar-se ao consórcio selecionado. A participação está aberta a entidades de Estados-Membros e Países Associados, nas condições gerais do Horizonte Europa.
O que recomendamos
Este é um tópico de fronteira tecnológica, mais próximo da ciência de dados e da observação da Terra do que da conservação clássica. É aí que reside o seu interesse. Para centros de investigação e empresas portuguesas com competências em deteção remota, processamento de dados de satélite, inteligência artificial aplicada ao ambiente ou bioinformática, há aqui um encaixe natural com uma agenda europeia bem definida.
Portugal tem ativos relevantes neste domínio, da comunidade de observação da Terra a grupos de investigação em ecologia e genómica. A exigência de integrar dados de naturezas muito diferentes, do genoma ao satélite, premeia consórcios multidisciplinares onde a competência em dados pesa tanto quanto a competência ecológica. A ligação a infraestruturas europeias como a European Open Science Cloud e a iniciativas como o GBIF é um sinal de que a Comissão procura projetos integrados, não soluções isoladas.
A nossa sugestão é posicionar a contribuição onde ela é distintiva e ligar cedo a redes europeias de dados de biodiversidade e observação da Terra. Tópicos com forte componente de infraestrutura de dados valorizam consórcios credíveis junto das iniciativas de referência. Com apenas dois projetos financiados, a coerência técnica e a complementaridade dos parceiros serão decisivas.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]