Instrumento

O que é o tópico CLIMATE-02

O HORIZON-CL6-2027-02-CLIMATE-02, "Strengthening evidence-based policies for the resilience of European agriculture and forestry and related supply chains against crises and systemic risks", é uma ação de investigação e inovação do Cluster 6 do Horizonte Europa. O tópico responde a uma ideia central dos Relatórios de Prospetiva Estratégica de 2020 e 2025: a resiliência como bússola das políticas da UE, entendida como a capacidade não só de resistir e lidar com desafios, mas também de fazer transições de forma sustentável, justa e democrática.

As propostas devem visar vários riscos sistémicos e crises, de natureza sanitária, ambiental, económica, geopolítica, da biodiversidade, demográfica ou tecnológica, que causam ou podem causar impactos socioeconómicos significativos na agricultura, na silvicultura e nas cadeias de abastecimento agroalimentares ou florestais. O foco está nos efeitos compostos, em cascata e amplificadores destes riscos sob alterações climáticas e na forma como o comércio internacional os pode agravar ou mitigar. As ações ligam-se à Visão para a Agricultura e a Alimentação, à Estratégia da UE para as Florestas e à Política Agrícola Comum.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É uma ação de investigação focada em capacidade analítica e em políticas de resiliência climática para a agricultura e a floresta, o que justifica o cruzamento de duas necessidades na biblioteca.

  • I&D e ciência: o financiamento reforça a capacidade analítica sobre a exposição dos setores agrícola e florestal e das respetivas cadeias de abastecimento aos riscos sistémicos, a medição da propagação de choques e dos seus impactos de curto, médio e longo prazo e a identificação de pontos de alavanca para estratégias integradas de prevenção, preparação e adaptação.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o tópico centra-se na resiliência climática, analisando os efeitos compostos, em cascata e amplificadores das alterações climáticas, com atenção a perigos concorrentes e recorrentes como a seca e as ondas de calor e às opções de adaptação e transformação em diferentes escalas temporais e espaciais.
Âmbito e dotação

O que o projeto tem de fazer

As propostas devem melhorar a capacidade analítica em duas frentes. Primeiro, a exposição dos setores agrícola ou florestal e das cadeias de abastecimento, incluindo os consumidores, a riscos sistémicos que interagem entre si, considerando efeitos compostos, em cascata e amplificadores ligados às alterações climáticas e às disrupções do comércio. Segundo, a avaliação e medição da propagação de choques e dos seus impactos sociais, económicos e ambientais, a diferentes escalas, do local ao global, tendo em conta a vulnerabilidade de diferentes grupos.

Cada proposta deve abordar a Área A, agricultura e cadeias agroalimentares, ou a Área B, silvicultura e cadeias florestais, indicando claramente a área escolhida na candidatura. As propostas devem explorar um leque de opções socioeconómicas e tecnológicas, incluindo tecnologias digitais avançadas. Devem depois analisá-las quanto a precondições societais e institucionais, aos custos e benefícios da ação face à inação e à coerência com objetivos de competitividade, saúde e sustentabilidade. É exigido o contributo das ciências sociais e humanas em combinação com disciplinas STEM. O Centro Comum de Investigação pode participar como membro do consórcio.

12M€
Dotação do tópico
2
Projetos previstos
A+B
Áreas (agricultura e floresta)
Critério de seleção por área
Para garantir um portefólio equilibrado, as subvenções não são atribuídas apenas por ordem de classificação. Serão financiadas a proposta mais bem classificada em cada uma das duas áreas, a agricultura (Área A) e a silvicultura (Área B), desde que ambas atinjam todos os limiares. A área deve ser indicada com clareza na candidatura, o que torna a escolha entre agricultura e floresta uma decisão estratégica logo no desenho da proposta.
Para que tipo de organização

Quem deve olhar para este tópico

O tópico dirige-se a consórcios que combinem economia agrária e florestal, gestão e modelação de risco, ciência do clima, análise de cadeias de abastecimento e comércio internacional, com contributo das ciências sociais. Por exigir trabalho colaborativo e interdisciplinar, valoriza-se a capacidade de juntar centros de investigação, universidades, organizações setoriais e infraestruturas de investigação europeias nos domínios ambiental, biológico e alimentar.

Para entidades portuguesas, há encaixe em ambas as áreas. Na agricultura, Portugal tem cadeias agroalimentares expostas à seca e à instabilidade de mercados que beneficiam de melhor capacidade analítica de risco. Na floresta, a exposição a incêndios e a perigos climáticos concorrentes torna o país um caso de estudo relevante para a Área B. Centros de investigação agrária e florestal, universidades e organizações do setor podem integrar consórcios europeus, seja na liderança seja como parceiros com dados e conhecimento de terreno.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A decisão mais importante neste tópico é estratégica e tem de ser tomada cedo: candidatar à Área A ou à Área B. Como o financiamento garante uma proposta vencedora em cada área, posicionar-se com clareza num campo onde o consórcio é forte aumenta as hipóteses, em vez de diluir a proposta entre agricultura e floresta. Para entidades nacionais, a Área B pode ser um espaço de oportunidade, dada a experiência portuguesa em risco de incêndio e em perigos climáticos concorrentes.

O avaliador procura capacidade analítica sólida e útil para decisores, não um exercício académico fechado. A integração das ciências sociais com as disciplinas STEM, a colaboração com outros projetos do mesmo tópico e a articulação com as Missões de Adaptação às Alterações Climáticas e do Solo são esperadas. Em Área A, é esperada ainda a colaboração com o tópico GOVERNANCE-01 sobre gestão de risco pelos agricultores. A abertura está prevista para 20 de abril de 2027 e o prazo é 23 de setembro de 2027. A Open Capital pode ajudar a avaliar o enquadramento e a estruturar a participação.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]