Instrumento

O que é o tópico COMMUNITIES-01

O HORIZON-CL6-2027-02-COMMUNITIES-01, "Strengthening rural communities' resilience to shocks", é uma ação de investigação e inovação do Cluster 6 do Horizonte Europa, o cluster dedicado à alimentação, à bioeconomia, aos recursos naturais, à agricultura e ao ambiente. O tópico parte de uma constatação simples: a situação geopolítica e as alterações climáticas colocam novos desafios que as pessoas têm de enfrentar ao nível local, sendo as comunidades rurais particularmente expostas.

O objetivo é tornar as comunidades rurais mais resilientes, dotando-as de melhor capacidade para antecipar, preparar e recuperar de choques climáticos, ambientais e socioeconómicos. A ação inscreve-se na visão de longo prazo para as zonas rurais da UE, que as quer mais fortes, conectadas, resilientes e prósperas até 2040. Inscreve-se também na prioridade da Comissão de reforçar a adaptação climática, a preparação e a solidariedade. A investigação e a inovação devem apoiar as comunidades com evidência e metodologias participativas.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É uma ação de investigação com forte componente social e ambiental, centrada na preparação das comunidades rurais para crises, o que justifica o cruzamento de duas necessidades na biblioteca.

  • Impacto social e inclusão: o tópico promove uma governação inclusiva, participativa e antecipatória, envolvendo ativamente mulheres, jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade no desenho e na execução de planos de redução e gestão do risco de catástrofe, reforçando a governação local e garantindo que as suas necessidades são integradas na decisão.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o financiamento foca-se em avaliar e medir a resiliência das comunidades a choques climáticos e ambientais, como catástrofes naturais, eventos meteorológicos extremos e disrupções de ecossistemas, apoiando estratégias de resposta e recuperação a vários níveis de governação.
Âmbito e dotação

O que o projeto tem de fazer

As propostas devem avaliar os diferentes tipos de choques, entendidos como disrupções súbitas, que podem afetar os meios de subsistência, o bem-estar e a resiliência das comunidades rurais. Estes choques abrangem disrupções de infraestruturas críticas, como falhas de energia, transporte ou comunicações, choques económicos, como perdas de emprego e instabilidade de mercado, fenómenos socioculturais e demográficos, como conflitos sociais, crises de saúde e migração, além de fenómenos ambientais, das catástrofes naturais aos eventos climáticos extremos.

O projeto deve medir a resiliência das comunidades rurais com indicadores adequados, fomentar a governação inclusiva e antecipatória, identificar e mobilizar recursos locais para reforçar a adaptação de base comunitária e apoiar todos os níveis de governo a compreender as vulnerabilidades rurais e a desenhar estratégias eficazes de resposta e recuperação. A abordagem multi-ator é obrigatória: investigadores, autoridades locais, comunidades rurais e outros agentes locais, como a proteção civil, devem colaborar na co-criação de soluções. As propostas devem ainda contribuir para tornar os painéis de resiliência do Centro Comum de Investigação adaptados à realidade rural.

15M€
Dotação do tópico
3
Projetos previstos
5M€
Por projeto
Tipo de ação e financiamento
Ação de investigação e inovação (RIA) do Horizonte Europa, financiada por montante fixo (lump sum), em regra a 100% dos custos elegíveis. A abordagem multi-ator é condição de elegibilidade, o que exige o envolvimento efetivo de comunidades rurais, autoridades locais e agentes de proteção civil, não apenas de centros de investigação.
Para que tipo de organização

Quem deve olhar para este tópico

O tópico é interdisciplinar e reúne áreas como ordenamento do território, gestão do risco de catástrofe, resposta de emergência e governação participativa. Dirige-se a consórcios que combinem centros de investigação, universidades, autoridades locais e regionais, organizações da sociedade civil, agentes de proteção civil e as próprias comunidades rurais. O contributo das ciências sociais e humanas é exigido pelo tópico, dada a natureza social do desafio.

Para entidades portuguesas, há um encaixe natural. Portugal tem vastas zonas rurais e de baixa densidade, expostas a incêndios, seca e despovoamento. Dispõe ainda de centros de investigação, autarquias e organizações de desenvolvimento local com experiência relevante. A obrigatoriedade da abordagem multi-ator favorece consórcios que liguem investigação a municípios e comunidades concretas, um modelo em que entidades nacionais podem ter papel ativo, seja na liderança seja como parceiros e territórios de estudo.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um tópico de investigação aplicada com forte componente social, em que a qualidade científica não basta. O avaliador vai procurar uma abordagem multi-ator genuína, com comunidades rurais e autoridades locais como parceiros reais, não como meros objetos de estudo. A capacidade de demonstrar envolvimento concreto de jovens, mulheres e grupos vulneráveis na governação do risco é um diferenciador que pode decidir a avaliação.

Com três projetos previstos e 15 milhões de euros de dotação, repartidos em cerca de cinco milhões por projeto, há espaço para mais do que um consórcio vencedor, mas a concorrência é exigente. A colaboração com os outros projetos financiados no mesmo tópico e o contributo para os painéis de resiliência do Centro Comum de Investigação são esperados. A abertura está prevista para 20 de abril de 2027 e o prazo é 23 de setembro de 2027. A Open Capital pode ajudar a avaliar o enquadramento e a estruturar a participação.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]