O que é

Empreendedorismo alimentar à escala da cidade

O tópico HORIZON-CL6-2027-02-COMMUNITIES-02 é uma ação de inovação do Cluster 6 do Horizonte Europa, inserida no destino dedicado a comunidades rurais, costeiras e urbanas resilientes, inclusivas, saudáveis e verdes. O seu objeto é o empreendedorismo e a inovação nos sistemas alimentares urbanos locais, ou seja, a forma como as cidades produzem, distribuem, consomem e valorizam alimentos de maneira mais sustentável e inclusiva.

A leitura do problema que o tópico procura resolver é direta. Existem startups e soluções com potencial para transformar os sistemas alimentares urbanos, mas os ecossistemas que as apoiam estão fragmentados entre Estados-Membros, o acesso a capital é limitado e as capacidades de inovação ainda são frágeis. A resposta é financiar a infraestrutura de apoio, incubadoras, aceleradoras e centros de inovação, que liga esses ecossistemas e acelera o crescimento das empresas.

O enquadramento de política é amplo. O tópico contribui para as prioridades do Pacto Ecológico Europeu e para a iniciativa Food 2030, alinhando-se com o Clean Industrial Deal, a Bússola da Competitividade e, em particular, a Estratégia europeia para Startups e Scaleups.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico responde a duas necessidades muito concretas do tecido empreendedor urbano: nascer e crescer. É o cruzamento destes dois momentos que define o seu valor.

  • Arranque e validação: o tópico financia o desenho e o piloto de capacidades locais descentralizadas, como incubadoras, aceleradoras e hubs de inovação alimentar, que estimulam o aparecimento de startups e a cocriação participada de modelos de negócio sustentáveis e adaptados ao território.
  • Capitalização e crescimento: o objetivo é acelerar o crescimento e o sucesso das startups alimentares através de melhores serviços de desenvolvimento de negócio, do acesso a capital e investimento e da garantia de absorção pelo mercado, escala e replicação em diversos contextos da União.
Âmbito

O que as propostas devem entregar

As propostas devem impulsionar uma inovação transformadora e inclusiva nos sistemas alimentares urbanos locais, com efeitos positivos sobre o bem-estar das comunidades. O âmbito de atividades é claro.

  • Capacidades e ecossistemas descentralizados: desenvolver e pilotar incubadoras, aceleradoras e hubs que apoiam soluções alimentares urbanas de elevado impacto, ligando ecossistemas hoje fragmentados entre países.
  • Programas de mentoria à medida: estimular o empreendedorismo e facilitar a cocriação participada de modelos de negócio colaborativos, de base local e inteligentes do ponto de vista climático.
  • Escala e replicação: alavancar os pilotos para acelerar a transformação dos sistemas alimentares urbanos, assegurando a absorção pelo mercado e a replicação em contextos diversos da União, com medição de impacto por indicadores relevantes.
  • Ligação a iniciativas existentes: conectar-se a parcerias, missões e plataformas já estabelecidas para derivar modelos de negócio economicamente viáveis e acelerar a adoção de resultados de investigação.
Maturidade e abordagem multi-ator
Sendo uma ação de inovação, espera-se que as atividades atinjam um nível de maturidade tecnológica TRL 6 a 8 no fim do projeto, podendo começar em qualquer TRL. As propostas têm de aplicar a abordagem multi-ator, envolvendo autoridades locais e regionais, urbanistas, PME e startups, empreendedores alimentares, atores de investigação, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e cidadãos.
Dotação e formato

Quanto vale e em que termos

12M€
Dotação do tópico
2
Projetos previstos
6M€
Por projeto

O tópico dispõe de 12 milhões de euros para 2027, com a aprovação esperada de dois projetos de cerca de 6 milhões de euros cada. É uma ação de inovação (IA), com financiamento na forma de montante fixo (lump sum). A abertura está prevista para 20 de abril de 2027 e o prazo único de submissão termina a 23 de setembro de 2027. As propostas devem ainda integrar a dimensão de género e o contributo das ciências sociais e humanas.

Para que tipo de organização

Quem se deve interessar

Pela natureza do tópico, os protagonistas naturais são as estruturas que operam apoio ao empreendedorismo: incubadoras, aceleradoras, hubs de inovação alimentar e centros tecnológicos. Para o ecossistema português, há aqui um encaixe interessante para entidades como parques de ciência e tecnologia, centros de interface e municípios com estratégias de alimentação urbana sustentável.

As startups e PME do setor agroalimentar e da tecnologia alimentar entram tipicamente como beneficiárias dos serviços piloto e podem participar no consórcio como parceiras que testam e validam os modelos de apoio. Autoridades locais e regionais são parte essencial da abordagem multi-ator, pelo que câmaras municipais e comunidades intermunicipais com agendas de sistemas alimentares têm um papel a desempenhar. A dimensão do projeto exige consórcios europeus com capacidade de implementação em vários países.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este não é um instrumento de financiamento direto a uma startup individual. É um tópico que financia quem constrói a infraestrutura de apoio às startups. A distinção é decisiva: uma empresa alimentar que procure capital para crescer deve olhar para o EIC Accelerator, para fundos de capital de risco ou para linhas do Banco de Fomento. Quem desenha e opera programas de incubação e aceleração, esse sim é o candidato natural a este tópico.

Para uma incubadora ou um hub português, a oportunidade está em juntar-se a uma rede europeia que queira pilotar capacidades descentralizadas e ligar ecossistemas fragmentados. O fator diferenciador é a capacidade demonstrada de gerar e acompanhar startups alimentares com impacto real e a ligação a autoridades locais que assegurem o enraizamento territorial. Como o tópico exige replicação em contextos diversos da União, um consórcio competitivo precisa de cobrir geografias e perfis urbanos distintos. Vale a pena começar cedo a desenhar essa rede, dado que a candidatura é em setembro de 2027 e os projetos arrancam em 2028.

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