Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas já não estao abertas.
Contexto e Programa

O Programa Euratom e o seu papel no ecossistema europeu de I&D

O Programa Euratom de Investigação e Formacao e o instrumento da Uniao Europeia especificamente dedicado a investigação nuclear, operando em paralelo mas de forma distinta ao Horizonte Europa. Assenta no Tratado Euratom de 1957 e cobre um espectro largo de areas tecnologicas, desde a fusao nuclear de longa data ate aplicacoes medicas de isotopos radioativos.

O Conselho Europeu aprovou em julho de 2025 a extensão do programa para o bienio 2026-2027, com uma dotacao total de €330 milhoes. Deste valor, €222 milhoes estao afetos a investigação em fusao nuclear (incluindo o projeto ITER e a parceria EUROfusion), ficando o remanescente para investigação em fissao, seguranca nuclear, radioprotecao e formacao especializada.

A chamada HORIZON-EURATOM-2026-01 abre oito topicos de candidatura geridos pela REA (Research Executive Agency) e pela DG RTD (Direcao-Geral de Investigação e Inovação) da Comissão Europeia, cobrindo as areas consideradas criticas para a estrategia nuclear europeia na proxima decada.

Topicos da Chamada

Os oito topicos abertos em 2026

€330M
Dotacao total
8
Topicos abertos
€15M
Topico 01 (seguranca)
27
Paises elegiveis (EM UE)
Topico Area Tipo
EURATOM-01-01 Seguranca de centrais nucleares operacionais e reatores de investigação RIA
EURATOM-01-02 Seguranca de SMRs, reatores avancados e combustiveis inovadores RIA / IA
EURATOM-01-03 Reforco da competencia nuclear europeia (formacao, mobilidade) CSA / Formacao
EURATOM-01-04 Infraestrutura europeia para investigação nuclear (instalação de utilizadores) RIA / IA
EURATOM-01-05 Produção europeia de isotopos estaveis para terapias de medicina nuclear (SAMIRA/ERVI) RIA / IA
EURATOM-01-06 Apoio a plataforma SNETP para desafios transversais e radiacoes ionizantes CSA
EURATOM-01-08 Parceria europeia em materiais nucleares RIA (co-financiada)
EURATOM-01-09 Parceria europeia em radioprotecao e detetor de radiacoes ionizantes RIA (co-financiada)

Note-se que os topicos 08 e 09 sao parcerias europeias co-financiadas, o que implica um regime de candidatura distinto dos topicos padrao: os projetos incluem contrapartida financeira dos EM e das entidades participantes e a coordenacao e feita a nível de rede europeia pre-existente.

Areas Temáticas em Destaque

Quatro areas com maior dinamica em 2026

SMRs e reatores avancados (EURATOM-01-02). Os Small Modular Reactors tornaram-se uma das prioridades mais visiveis da politica energética europeia. O topico financia investigação sobre seguranca de SMRs e combustiveis inovadores, um território onde o interesse da indústria nuclear privada e crescente. Para paises sem reator nuclear operacional como Portugal, este topico e acessivel atraves de parcerias com entidades de paises com centrais ativas (Franca, Finlandia, Belgica, Paises Baixos, Republica Checa, Eslovaquia).

Isotopos medicos (EURATOM-01-05). A produção de isotopos para medicina nuclear (diagnostico por imagem PET, terapia PRRT) esta no cruzamento de dois campos de alto crescimento: a oncologia de precisao e a tecnologia nuclear. O programa SAMIRA e o projeto ERVI visam diversificar e garantir a cadeia de produção europeia de isotopos criticos, reduzindo a dependencia de reatores externos. Este topico e altamente relevante para hospitais universitarios, centros de produção de radioisotopos e empresas de medtech com experiencia em medicina nuclear.

Radioprotecao (EURATOM-01-09). A parceria europeia em radioprotecao tem historial longo no programa Euratom e concentra investigação sobre exposicao a radiacoes ionizantes em contextos medicos, ocupacionais e ambientais. Para entidades portuguesas, este e provavelmente o topico com maior acessibilidade, dado que nao requer infraestrutura nuclear pesada.

Formacao e competencias (EURATOM-01-03). A Europa enfrenta um deficit critico de especialistas nucleares. Este topico financia programas de formacao, redes de mobilidade de investigadores e parcerias universidade-indústria para o ensino das ciencias nucleares. E uma porta de entrada relevante para universidades técnicas e departamentos de fisica ou engenharia nuclear que queiram estruturar programas de formacao com dimensao europeia.

Portugal e o Euratom

Posicionamento portugues no ecossistema nuclear europeu

Portugal nao tem central nuclear em operação, mas mantem capacidade de investigação nuclear relevante atraves do IST/CTN (Instituto Superior Técnico - Campus Tecnologico e Nuclear, em Sacavem). O CTN opera o único reator de investigação portugues (RPI) e tem competencias consolidadas em radioprotecao, produção de isotopos para medicina nuclear, gestão de residuos radioativos e ciencias radiologicas.

IST/CTN como polo de candidatura
O IST/CTN e o parceiro portugues mais natural em candidaturas Euratom, com historial comprovado nos topicos de radioprotecao, isotopos medicos e formacao nuclear. Instituicoes que queiram integrar consorcios Euratom sem experiencia própria devem considerar o CTN como parceiro de referencia para reforcar a credibilidade da proposta.

Para alem do CTN, o IPFN (Instituto de Plasmas e Fusao Nuclear), tambem no IST e o elo portugues com o programa EUROfusion e com a investigação em fusao por confinamento magnetico. Embora o programa de fusao seja gerido separadamente (via EUROfusion e o projeto ITER), o IPFN pode ser parceiro relevante em topicos transversais do Euratom.

Empresas portuguesas de engenharia nuclear e proteção radiologica, como as que prestam servicos a instalações industriais ou hospitalares, podem tambem encontrar oportunidades nos topicos de radioprotecao (EURATOM-01-09) e medicina nuclear (EURATOM-01-05), especialmente em consorcios liderados por entidades de paises com maior maturidade nuclear.

Elegibilidade e Estrutura de Consorcio

Quem pode candidatar-se

O Euratom cobre todos os 27 Estados-Membros da Uniao Europeia, por forca do Tratado Euratom. Paises terceiros associados ao Horizonte Europa podem participar em condições especificas definidas nos acordos de associacao. A Suica e o Reino Unido estao em processos de (re)associacao com implicacoes na elegibilidade.

  • Centros de investigação e laboratorios nacionais: o perfil central para topicos RIA. Necessitam de consorcio com pelo menos tres paises, com equilibrio entre paises "nuclearmente maduros" e outros.
  • Universidades com departamentos de fisica ou engenharia nuclear: relevantes para formacao (EURATOM-01-03) e parcerias de investigação em radioprotecao.
  • Operadores de centrais nucleares e agencias nucleares nacionais: parceiros essenciais em topicos de seguranca (EURATOM-01-01, EURATOM-01-02), embora Portugal nao tenha este tipo de entidades.
  • PMEs especializadas em proteção radiologica, medicina nuclear ou instrumentacao: admitidas em consorcios, especialmente em topicos IA e nos topicos de isotopos medicos e radioprotecao.
  • Hospitais universitarios e centros oncologicos: podem ser parceiros relevantes no topico EURATOM-01-05 (isotopos para medicina nuclear), especialmente se tiverem unidades de medicina nuclear ativas.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O Euratom e um programa de nicho com critérios de elegibilidade técnica exigentes, mas com competicao menos intensa do que chamadas generalistas do Horizonte Europa. Para entidades portuguesas com competencias genuinas em areas nucleares, a relacao esforco-retorno pode ser favoravel, especialmente nos topicos onde o CTN tem historial.

O topico de isotopos medicos (EURATOM-01-05) merece atencao especial em 2026. A crescente escassez de isotopos para diagnostico oncologico (Lu-177, Ac-225, Ga-68) e um problema critico para hospitais europeus e o Euratom esta a financiar a diversificacao da produção. Para empresas portuguesas de medtech ou hospitais universitarios com unidades PET, este topico representa uma entrada num ecossistema europeu de medicina nuclear de alto valor estratégico.

A principal armadilha neste programa e subestimar o grau de especializacao exigido. A Comissão Europeia avalia as candidaturas Euratom com rigor científico elevado e propostas de entidades sem historial comprovado na area nuclear especifica do topico raramente sao competitivas como coordenadoras. O caminho mais pragmatico para entidades que querem entrar neste ecossistema e integrar primeiros consorcios como parceiros juniors, acumulando credenciais para liderar chamadas futuras.

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