O Instrumento

A quarta chamada de uma parceria industrial única

A Clean Aviation Joint Undertaking (CAJU) e uma parceria público-privada entre a Comissão Europeia e a indústria aeroespacial europeia, criada para desenvolver tecnologias disruptivas que permitam descarbonizar a aviacao ate 2050. A CfP 04 e a quarta chamada desta iniciativa, aberta em fevereiro de 2026, com €329,5 milhoes de financiamento europeu e um esforco total previsto de €824 milhoes (incluindo contribuicoes em especie da indústria).

Esta chamada tem uma caracteristica que a distingue das anteriores: reintroduz o financiamento especifico para tecnologias a hidrogenio, que tinham sido excluidas na CfP 03. O hidrogenio volta a ser uma aposta central, a par da propulsao hibrida e eletrica e das solucoes para redução de emissoes nao-CO2 (contrails, oxidos de azoto).

Areas Temáticas

Seis vetores tecnologicos para a aviacao de zero-emissoes

  • Propulsao a hidrogenio: tecnologias de motor, armazenamento a bordo e infraestrutura de abastecimento. O regresso do hidrogenio e a novidade mais significativa desta chamada face a CfP 03.
  • Melhorias de eficiencia incremental: aerodinamica, motores de nova geracao e materiais leves para aeronaves de curta e media distancia.
  • Propulsao hibrida e eletrica: arquiteturas de propulsao com componentes eletricos para aeronaves regionais e de aviacao geral.
  • Novos conceitos de aeronave: configuracoes alternativas de fuselagem e asa para maximizar a eficiencia termodinamica, incluindo aeronaves SAF (Sustainable Aviation Fuels) de nova geracao.
  • Redução de emissoes nao-CO2: modelacao e mitigacao de contrails (estrias de condensacao) e redução de emissoes de NOx, com impacto direto no forcamento radioativo.
  • Cadeia de fornecimento e componentes criticos: materiais avancados, sistemas de bordo e tecnologias de produção para aeronaves de proxima geracao.
Novidade da CfP 04
O hidrogenio volta ao centro da agenda. A CfP 03 tinha excluido o financiamento de tecnologias a hidrogenio por razoes de maturidade tecnologica. A CfP 04 reverte essa decisao, com topicos dedicados a motores a hidrogenio, armazenamento criogenico e ecossistema de abastecimento em terra.
Elegibilidade

Consorcios industriais com quota obrigatoria para PMEs e universidades

A CfP 04 introduz um requisito novo: em topicos de grande dimensao (large-scale topics), pelo menos 15% do financiamento de cada proposta deve ser alocado a PMEs, organizações de investigação e tecnologia (RTOs) e universidades. Esta regra visa contrariar a tendencia historica de concentracao de recursos nos grandes OEMs (Airbus, Safran, Rolls-Royce, Thales, Leonardo).

Os membros da Clean Aviation JU incluem as grandes empresas aeroespaciais europeias, mas o programa esta aberto a entidades de todos os paises associados ao Horizon Europe. Portugal e elegivel como pais membro da UE.

€329M
Financiamento EU
€824M
Esforco total
15%
Quota PME/RTO min.
Portugal no setor

Um ecossistema aeronautico com potencial subestimado

Portugal nao e uma grande potencia aeronautica, mas tem um ecossistema com capacidade técnica real. A OGMA (Indústria Aeronautica de Portugal) e o principal operador de manutencao e modificacao de aeronaves, com parceria de longa data com a Embraer. A Embraer Portugal em Evora opera uma das mais avancadas linhas de produção de fuselagens de fibra de carbono da Europa.

O CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento) em Matosinhos tem experiencia em engenharia de sistemas e aerodinamica. Na area de investigação, o INEGI tem competencias em materiais compositos para aplicacoes aeroespaciais. Para startups e PMEs tecnologicas, o acesso a estas chamadas e geralmente feito via sub-contratacao em consorcios liderados por grandes OEMs ou via RTOs nacionais.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A Clean Aviation JU nao e um instrumento para quem esta a começar em Horizon Europe. A sofisticacao técnica exigida, a dimensao dos consorcios e o peso dos grandes OEMs no ecossistema tornam a entrada direta muito dificil para PMEs sem histórico de colaboracao com empresas aeroespaciais. O caminho realista para organizações portuguesas passa por identificar um OEM ou RTO europeu que pretenda incluir um parceiro iberico e negociar a participacao num topico especifico.

A regra de 15% para PMEs/RTOs na CfP 04 cria, pela primeira vez, uma pressao estrutural para os grandes players incluirem mais entidades de menor dimensao. Para empresas com competencias em materiais avancados, software de simulacao aerodinamica, ou sistemas embarcados, vale a pena mapear os consorcios existentes e abordar diretamente as entidades lideres antes do fecho da chamada.

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