Contexto

A liquefação como problema de escala

A liquefação de hidrogénio é uma operação intensiva em energia. Os equipamentos comerciais existentes hoje são otimizados para grandes instalações, com capacidades muito acima das 5 toneladas por dia, em parte porque é nesta gama que a curva de eficiência energética se aproxima do ótimo termodinâmico. Para utilizadores com perfis de procura mais modestos, vans de logística, frotas locais, terminais portuários médios, indústria especializada, a tecnologia simplesmente não está disponível em condições economicamente viáveis.

O tópico HORIZON-JU-CLEANH2-2026-02-04 quer corrigir esse problema. Pede aos consórcios para desenvolver tecnologias de liquefação descentralizada, otimizadas para instalações abaixo de 5 toneladas por dia, com avanços simultâneos em eficiência energética, custo de capital e custo operacional. O objetivo final é desbloquear o acesso a hidrogénio líquido para utilizadores que hoje não conseguem justificar a sua operação.

Áreas de foco

Onde o tópico pede progresso

  • Avaliação de tecnologias atuais: análise crítica das soluções de liquefação de pequena escala existentes, identificando lacunas técnicas e oportunidades de otimização.
  • Sistemas de pré-arrefecimento e arrefecimento criogénico: otimização da cadeia térmica responsável pela maior parte do consumo energético do processo.
  • Conversão orto-para: ajuste do equilíbrio dos isómeros de spin do hidrogénio molecular, etapa crítica para evitar perdas de hidrogénio líquido por evaporação durante o armazenamento.
  • Demonstração de protótipo: validação experimental a 500 kg/dia, com objetivo de consumo energético de 12 kWh por quilograma de H2 liquefeito.
  • Twin digital: desenvolvimento de uma representação digital do sistema para apoio ao design, análise de escalabilidade até 5 toneladas/dia e integração com decisões de operação.
  • Contribuições normativas: entrega de elementos para normas de segurança e quadro regulatório aplicáveis a unidades descentralizadas de liquefação.
Metas quantitativas

Os números que definem o sucesso técnico

12kWh/kg
Consumo energético do protótipo
500kg/dia
Capacidade do protótipo
€3,50/kg
Custo-alvo de liquefação
Trajetória de escalonamento
A demonstração tem de ser feita a 500 kg/dia, mas o twin digital deve permitir validar a escalabilidade do design até uma capacidade de 5 toneladas por dia. Esta é a janela em que a tecnologia se torna economicamente viável para um conjunto alargado de utilizadores europeus.
Configuração do call

RIA, lump sum, um projeto financiado

ParâmetroValor
Contribuição máxima da UE6.000.000 EUR
Projetos esperados financiados1
Pool total da call 2026105.000.000 EUR
ModalidadeHORIZON-JU-RIA, Lump Sum
TRL inicial / final4 / 6
Propostas recebidas5
SubmissãoFase única
Resultados de avaliaçãoInício de agosto de 2026
Elegibilidade

Quem pode participar

  • Estados-Membros da UE e Países Associados ao Horizonte Europa.
  • Consórcio com pelo menos três entidades de três países diferentes (regra geral Horizon Europe).
  • Subcontratação restrita a Estados-Membros e Países Associados.
  • Sem restrições específicas a participação de PME mencionadas no tópico.
  • Modelo de financiamento Lump Sum aplicável a todos os tópicos da call 2026.
Despesas elegíveis

O perímetro técnico do projeto

  • Desenvolvimento e otimização de componentes de liquefação (pré-arrefecimento, arrefecimento criogénico, conversão orto-para).
  • Construção e teste de protótipo a 500 kg/dia, em ambiente representativo.
  • Desenvolvimento do twin digital para apoio a design e análise de escalabilidade.
  • Análise tecno-económica e identificação dos drivers de custo da operação.
  • Contribuições para normalização e regulamentação aplicável.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este tópico está fechado, com cinco propostas recebidas para um único slot financiável. A decisão é esperada em início de agosto de 2026. A leitura editorial é dupla, como acontece com todos os tópicos competitivos da Clean Hydrogen JU: serve quem submeteu para entender o enquadramento estratégico do call e serve quem se está a posicionar para os ciclos seguintes.

Para o ecossistema português, o tópico de liquefação de pequena escala é mais relevante do que parece à primeira vista. Portugal tem três condições estruturais que se cruzam aqui: instalações de produção de H2 em desenvolvimento (Sines, Estremoz, Braga), procura emergente em mobilidade pesada e logística e ausência de infraestrutura criogénica ao nível europeu. Quem trabalhe em projetos de hub de hidrogénio nestas geografias tem um interesse direto em ver tecnologia de liquefação descentralizada amadurecer, porque é ela que permite mover o H2 produzido localmente até consumidores intermédios sem depender de gasodutos dedicados ou camiões a 500 bar.

Para investigadores e centros tecnológicos portugueses, há uma oportunidade clara em três frentes para os próximos calls: trabalho em conversão orto-para (ainda pouco coberto pela investigação nacional), análise tecno-económica em ambientes ibéricos e sul-europeus e engenharia de twin digital aplicada a sistemas térmicos complexos. Estas três áreas são acessíveis sem exigir capacidade de fabrico de equipamento criogénico, que continua concentrada em poucos players europeus.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]