Contexto e Missao

Redes regionais para uma Africa preparada para epidemias

A chamada HORIZON-JU-GH-EDCTP3-2025-03 insere-se no mandato central do Global Health EDCTP3 Joint Undertaking: construir infraestrutura de investigação clinica sustentavel na Africa Subsaariana e acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias de saúde para doencas associadas a pobreza. Neste caso especifico, o foco e a preparacao para epidemias atraves do reforco de redes regionais de excelencia ja existentes e da criação de novos consorcios de resposta rapida.

A logica subjacente e clara: a Africa responderia a epidemias com muito maior eficacia se dispusesse de redes de investigação pre-estabelecidas, com protocolos partilhados, dados integrados e capacidade de mobilização rapida. Este programa visa financiar exatamente essa infraestrutura, numa perspetiva de longo prazo e nao apenas de resposta reativa.

Escala e Concorrencia

EUR 53 milhoes para 20 candidaturas recebidas

A dotacao indicativa desta chamada e de aproximadamente EUR 53 milhoes. O nível de interesse foi significativo: foram recebidas 20 candidaturas que solicitavam em conjunto cerca de EUR 261,5 milhoes, uma sobressubscricao de quase 5 vezes o montante disponivel. Este ratio ilustra a elevada concorrencia tipica dos programas EDCTP e a necessidade de candidaturas tecnicamente solidas e com parcerias africanas genuinas.

53M EUR
Dotacao indicativa
20
Candidaturas recebidas
261M EUR
Total pedido pelos candidatos
Atividades Elegiveis

O que pode ser financiado

A chamada financia ações colaborativas de escala com impacto direto na capacidade africana de detetar, investigar e responder a surtos epidemicos. As atividades abrangem tanto a dimensao de reforco de redes existentes como a criação de estruturas novas de cooperação transregional.

  • Redes regionais de excelencia: reforco de redes de investigação clinica ja ativas, com expansão geografica e temática e protocolos partilhados de resposta.
  • Consorcios de preparacao para epidemias: criação ou consolidacao de consorcios com capacidade de mobilização rapida para surtos de novas doencas.
  • Investigação colaborativa: projetos conjuntos entre instituicoes africanas e europeias com resultados aplicaveis a politicas de saúde pública.
  • Formacao e mentoria: programas estruturados de desenvolvimento de competencias para investigadores dos paises participantes.
  • Partilha de dados e governanca conjunta: plataformas e acordos para integração de dados entre instituicoes de diferentes paises.
Elegibilidade e Criterios Especificos

Quem pode participar e o que e avaliado

A coordenacao de consorcio pode ser assumida por entidades juridicas de Estados-Membros da UE ou de Paises Associados ao Horizonte Europa. Existe, contudo, uma restricao importante: para entidades de paises nao associados ao Horizonte Europa, so a Africa do Sul, enquanto único membro da EDCTP Association com acordo bilateral de ciencia e tecnologia com a UE, pode assumir o papel de coordenadora.

Criterio de selecao Descricao
Excelencia científica e tecnologica Qualidade e solidez da abordagem técnica e científica proposta
Qualidade de implementação Capacidade do consorcio para executar as atividades com eficiencia
Impacto Relevancia dos resultados para preparacao e resposta a epidemias
Participacao africana significativa Parceiros sub-saarianos com papel substantivo, nao apenas nominal
Alavancagem financeira Co-investimento de terceiros igual ou superior ao financiamento JU solicitado
Criterio de alavancagem: um differentiator critico
Esta chamada inclui criterios adicionais de atribuicao que valorizam explicitamente o co-investimento de parceiros contribuintes. Consorcios que consigam mobilizar financiamento externo de valor igual ou superior ao pedido ao EDCTP3 JU beneficiam de vantagem competitiva na avaliação.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Esta chamada e relevante para um perfil muito especifico de instituicoes: centros de investigação clinica ou de saúde pública com parcerias africanas consolidadas, capacidade de mobilizar co-financiamento de fontes externas e historial de coordenacao de projetos de grande escala. Nao e um programa de entrada no ecossistema EDCTP.

Para entidades portuguesas, o potencial existe sobretudo em universidades e institutos com ligacoes estabelecidas a paises lusofonos africanos, nomeadamente Angola, Mocambique, Cabo Verde ou Sao Tome. Estas ligacoes podem ser a base de um consorcio competitivo, mas precisam de ser formalizadas muito antes da abertura de qualquer chamada futura.

A chamada esta encerrada. O proximo ciclo EDCTP3 deve ser acompanhado com antecedencia, dado o volume de preparacao que exige.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]