O que é

Capacitação regulatória e de farmacovigilância para a saúde global

O tópico HORIZON-JU-GH-EDCTP3-2026-03-SERP-01 financia redes de formação e inovação que reforçam as capacidades de ética em investigação, regulação de medicamentos e farmacovigilância (PV) em países da África Subsaariana (SSA). É uma CSA (Coordination and Support Action) gerida pelo EDCTP3 — a terceira geração da European and Developing Countries Clinical Trials Partnership, hoje integrada como Joint Undertaking no quadro do Horizon Europe.

Com €15 milhões distribuídos por 10 projetos de €1,5 milhões cada, este instrumento é notavelmente acessível para o ecossistema europeu de saúde pública e investigação clínica: o montante por projeto é fixo (lump sum), o consórcio mínimo é de três entidades e o prazo de submissão é setembro de 2026. Portugal tem tradição histórica de cooperação com países lusófonos da África Subsaariana, o que representa um posicionamento relevante nesta call.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico combina investigação aplicada em saúde global com impacto social direto nas populações da África Subsaariana.

  • I&D e ciência: os projetos devem produzir conhecimento transferível sobre sistemas regulatórios e de farmacovigilância, desenvolver ferramentas digitais (IA, big data) para melhoria dos processos de aprovação de ensaios clínicos e criar redes de formadores sustentáveis. A componente científica é central, não periférica.
  • Impacto social e inclusão: o objetivo explícito é elevar os sistemas regulatórios de países SSA ao nível de maturidade ML3 da OMS, reduzindo as disparidades entre países em desenvolvimento e os padrões europeus em matéria de aprovação de medicamentos, ensaios clínicos e segurança farmacêutica. Os beneficiários finais são populações em situação de fragilidade sistémica em saúde pública.
Âmbito e resultados esperados

O que os projetos devem produzir

Os projetos financiados devem contribuir para pelo menos dois dos seguintes resultados concretos:

  • Infraestrutura digital melhorada, incluindo IA e big data, para avaliação de protocolos de ensaios clínicos por comités de ética e autoridades regulatórias na SSA.
  • Tecnologias digitais e análise de dados para monitorização em tempo real de dados de segurança farmacêutica e partilha de dados de PV entre países.
  • Maior harmonização e coordenação dos processos de ética em investigação dentro de cada país, para revisão eficiente de ensaios multicêntricos.
  • Maior alinhamento entre países SSA em standards globais de ética, regulação e farmacovigilância.
  • Melhor preparação para autorização de uso de emergência, através de processos acelerados e harmonizados.
10
Projetos financiados
1,5M€
Por projeto (lump sum)
25+
Países SSA elegíveis
Foco temático: ética, regulação ou farmacovigilância
Cada proposta deve abordar persistentemente as lacunas em pelo menos uma das três áreas. A Comissão valoriza a diversidade geográfica e temática na seleção final: não basta ter um projeto excelente, é preciso cobrir áreas distintas dos outros projetos aprovados. Isto favorece propostas que se posicionam claramente numa das três dimensões, em vez de as abordar superficialmente todas.
Elegibilidade e consórcio

Requisitos e oportunidade para Portugal

A estrutura mínima exige três entidades independentes de três países diferentes, com pelo menos uma da UE ou de um país associado ao Horizon Europe. Adicionalmente, é obrigatória pelo menos uma entidade de um país SSA membro do EDCTP. Se o coordenador não for de um país SSA, é exigido um líder científico do projeto proveniente da SSA.

Os países SSA elegíveis incluem Gana, Nigéria, África do Sul, Tanzânia, Ruanda, Senegal, Zimbabwe e mais de 20 outros. Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, países com laços históricos, linguísticos e académicos fortes com Portugal, estão entre os elegíveis. Centros de investigação clínica portugueses com parcerias estabelecidas nestes países têm um argumento de candidatura genuíno.

Critério de avaliação Threshold mínimo Peso
Excelência e Impacto 4/5 Principal
Qualidade e Eficiência 3/5 Secundário
Total combinado 12 pontos Aprovação

A decisão final de financiamento considera também a diversidade de geografia e tema. Dois projetos igualmente bem avaliados, mas que abordam o mesmo país e o mesmo domínio temático, não serão ambos financiados. O posicionamento estratégico do consórcio, antes da submissão, é por isso tão importante quanto a qualidade técnica da proposta.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Com 10 projetos esperados para €15 milhões e prazo em setembro de 2026, esta call tem uma taxa de sucesso estimada relativamente elevada para um instrumento Horizon, desde que o consórcio seja bem estruturado. O modelo de lump sum de €1,5 milhões é suficiente para projetos focados e bem delimitados, sem a pressão de justificar orçamentos complexos.

Para entidades portuguesas, o argumento mais forte é a rede de cooperação lusófona: ter um parceiro em Moçambique ou Cabo Verde com historial de trabalho conjunto em saúde pública ou investigação clínica é um diferenciador real, não retórico. A componente de formação de formadores (train-the-trainer), explicitamente valorizada no regulamento, é uma área onde instituições académicas portuguesas têm competência documentada.

O risco principal é a fragmentação temática: propostas que tentam cobrir ética, regulação e farmacovigilância ao mesmo tempo, em vários países, com orçamentos de €1,5M, ficam tipicamente aquém em profundidade. O conselho é escolher um foco temático claro e dois a três países com parceiros reais, em vez de uma proposta de cobertura alargada sem substância.

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