O fardo invisivel dos jovens que vencem o cancro
Sobreviver ao cancro na adolescencia ou jovem adulto (AYA - Adolescents and Young Adults) e uma conquista crescente da medicina moderna. Mas a sobrevivencia nao e o fim da jornada. Para muitos jovens, o pos-tratamento traz consigo um conjunto de sequelas psicologicas que afetam a qualidade de vida de forma profunda e duradora: ansiedade, depressao, medo de recorrencia, isolamento social e perturbacoes de identidade relacionadas com as transformacoes fisicas impostas pela doenca e pelo tratamento.
Este topico da Missao Cancer (HORIZON-MISS-2026-02-CANCER-05) reconhece que o sistema de saúde europeu tem uma lacuna estrutural nesta area. As infraestruturas de suporte psicologico apos o cancro sao fragmentadas, subfinanciadas e raramente desenhadas especificamente para o perfil AYA. A solucao proposta passa por alavancar o Centro Digital Europeu do Doente Oncologico (ECPDC), plataforma pan-europeia criada para dar voz e ferramentas digitais a doentes e sobreviventes de cancro.
Um único projeto de inovação, 7 milhoes EUR
Trata-se de uma Innovation Action (IA), modalidade orientada para o desenvolvimento e validacao de solucoes prontas para implementação, em vez da investigação basica. A taxa de financiamento e de 70% para entidades com fins lucrativos e de 100% para organizações sem fins lucrativos, hospitais, universidades e centros de investigação.
A competicao e intensa: apenas um consorcio sera financiado a nível europeu. Isto implica propostas com elevado grau de preparacao, consorcio solido e resultados claramente mensuravies e replicaveis em diferentes contextos nacionais de saúde.
O que o projeto deve entregar
A chamada apela a solucoes concretas e inovadoras que integrem o ECPDC como plataforma central. Os objetivos esperados incluem:
- Ferramentas digitais de suporte psicologico: intervencoes validadas de saúde mental (apps, plataformas de telepsicologia, programas de mindfulness adaptados) especificamente desenhadas para o perfil AYA sobrevivente de cancro
- Integração com o ECPDC: as solucoes devem ser interoperaveis com a infraestrutura existente do Centro Digital, permitindo a monitorizacao longitudinal do bem-estar mental dos sobreviventes
- Resultados reportados por doentes (PROs): desenvolvimento e validacao de instrumentos para capturar metricas de saúde mental especificas para este grupo, integraveis no ECPDC
- Modelos de referenciacao: criação de protocolos clinicos para identificacao precoce de doentes AYA em risco de sequelas psicologicas graves, com vias de encaminhamento para apoio especializado
- Escala pan-europeia: as solucoes desenvolvidas devem ser pilotadas e validadas em pelo menos tres sistemas de saúde nacionais distintos, com plano de expansão europeia
Quem pode participar
| Tipo de entidade | Papel tipico no consorcio | Taxa |
|---|---|---|
| Hospital oncologico / IPO | Liderança clinica, acesso a populacao AYA, validacao | 100% |
| Universidade com psicologia/saúde | Desenvolvimento de intervencoes, avaliação de eficacia | 100% |
| Empresa de saúde digital / mental health tech | Desenvolvimento de plataformas e ferramentas digitais | 70% |
| Associacao de doentes oncologicos | Co-design centrado no doente, disseminacao, advocacy | 100% |
| Entidade pública de saúde | Politica pública, integração em sistemas nacionais | 100% |
O consorcio deve incluir um mínimo de tres entidades de tres paises elegíveis distintos. Para maximizar a competitividade, recomenda-se representacao clinica, tecnologica e de doentes, garantindo que o projeto cobre as tres dimensoes da cadeia de valor: desenvolvimento, validacao e escala.
Uma oportunidade de nicho com alta seletividade
Este topico tem uma especificidade elevada: exige articulacao direta com o ECPDC, o que favorece consorcio com ligacoes previas a esta infraestrutura europeia ou com experiencia em integração de sistemas de dados de saúde. Entidades sem esse background técnico necessitam de parceiros especializados que garantam a interoperabilidade.
Para o ecossistema portugues, existem oportunidades claras. O IPO Lisboa e o IPO Porto tem programas de psico-oncologia com populacoes AYA relevantes. Universidades com centros de psicologia clinica e saúde (como o ISPA, a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa ou o Centro Hospitalar Universitario de Coimbra) podem contribuir com investigação de qualidade. Empresas portuguesas de mental health tech, ainda que emergentes, podem encontrar neste consorcio uma oportunidade de validacao europeia.
Com prazo em setembro de 2026, existe ainda tempo util para formacao de consorcio. A Open Capital pode apoiar na identificacao de parceiros europeus complementares, na estruturacao do projeto e na preparacao da candidatura.
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