O que é este tópico
Este tópico cruza dois movimentos europeus que normalmente correm em paralelo: a Missão de Adaptação às Alterações Climáticas e o Plano de Ação para o Continente da IA. A premissa é que a Inteligência Artificial pode apoiar praticamente todas as fases do esforço de adaptação de uma região, da avaliação de risco à previsão climática, do planeamento de infraestruturas à gestão de recursos.
A exigência de fundo é que as propostas vão além do estado da arte. Não basta aplicar modelos existentes. Cada candidatura tem de identificar uma lacuna concreta que uma ferramenta de IA possa resolver e explicar por que melhora os modelos atuais ou por que justifica desenvolver algo inteiramente novo. É um financiamento orientado para resultados úteis a decisores, não para demonstração tecnológica abstrata.
Necessidades que este instrumento resolve
O instrumento situa-se na interseção entre clima, tecnologia digital e investigação aplicada, com a particularidade de exigir validação real junto de autoridades regionais e locais.
- Sustentabilidade, energia e clima: o objetivo último é tornar setores e territórios mais resilientes às alterações climáticas, integrando dados climáticos nos processos de decisão das regiões e melhorando a sua capacidade de adaptação.
- Digitalização e IA: o núcleo do tópico é o desenvolvimento e teste de ferramentas de aprendizagem automática e IA, incluindo técnicas de deep learning, para processar grandes conjuntos de dados e otimizar a gestão de recursos.
- Investigação e ciência: sendo uma Research and Innovation Action, exige produção de conhecimento novo, com atenção a vieses, representatividade dos dados e limitações da IA generativa.
Cada proposta escolhe um caminho
A proposta tem de se posicionar num de dois objetivos e indicá-lo nas palavras-chave livres. Para assegurar uma carteira equilibrada, a Comissão garante o financiamento de pelo menos a melhor proposta classificada em cada objetivo, desde que atinja todos os limiares.
| Dimensão | Objetivo 1 | Objetivo 2 |
|---|---|---|
| Foco | IA para dados mais acessíveis | IA para adaptação setorial |
| Propósito | Tornar dados complexos compreensíveis para apoiar a decisão | Otimizar a gestão de recursos e as tecnologias de adaptação num setor |
| Validação exigida | Testar com pelo menos 3 autoridades regionais ou locais | Testar no território de pelo menos 5 autoridades regionais ou locais |
| Envolvimento | Decisores como utilizadores finais | Setor privado com experiência no setor escolhido |
O Objetivo 2 dá exemplos de setores onde a IA pode ser aplicada: agricultura inteligente, construção e edifícios, gestão da água, gestão de resíduos, transportes e resiliência dos sistemas de energia. Em ambos os casos, os projetos devem produzir material de formação e divulgação para diferentes públicos, das regiões às autoridades locais, sobre como tirar partido das melhorias introduzidas.
Dimensão do financiamento
O tópico dispõe de doze milhões de euros para 2027, com a expectativa de financiar quatro projetos, cada um com uma subvenção de três milhões de euros. A forma de custo é o montante fixo (lump sum), o que simplifica a justificação financeira mas exige um plano de trabalho bem estruturado por pacotes, já que o pagamento está ligado à entrega dos resultados acordados.
Os projetos deverão estabelecer ligações operacionais com a Plataforma de Implementação da Missão, participar na sua Comunidade de Prática e, sempre que relevante, apoiar-se no quadro CLIMAAX para as avaliações de risco e explorar dados e serviços da iniciativa Destination Earth.
O que recomendamos
Este é o tópico da Missão de Adaptação mais acessível a quem tem perfil tecnológico. Ao contrário do tópico irmão sobre resiliência transfronteiriça, centrado em autoridades e demonstração territorial, aqui o protagonista é a ferramenta de IA. Isso abre espaço a empresas portuguesas de software, centros de competência em dados e startups de deep tech, que podem liderar ou contribuir de forma decisiva para um consórcio. O montante fixo de três milhões e a dimensão contida de quatro projetos tornam-no competitivo, mas também mais alcançável do que os grandes tópicos de demonstração.
A diferença entre ganhar e perder estará na ligação ao terreno. A Comissão é explícita: a validação tem de ser feita com três a cinco autoridades regionais ou locais reais, que confirmem o valor acrescentado para o decisor. Um consórcio puramente tecnológico, sem regiões e setores comprometidos desde o início, dificilmente passa o limiar de impacto. Quem tiver uma ferramenta de IA promissora deve dedicar o tempo até fevereiro de 2027 a fechar essas parcerias com municípios, comunidades intermunicipais ou agências regionais, porque é isso que dá credibilidade à proposta.
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