O que é

Cidades e Vales do Hidrogénio a aprender uns com os outros

Um número crescente de cidades europeias está a desenvolver estratégias de hidrogénio, seja para mobilidade, seja para descarbonizar indústrias locais e setores difíceis de eletrificar. O tópico HORIZON-MISS-2027-04-CIT-02 financia um único projeto de coordenação cujo objetivo é emparelhar Vales do Hidrogénio já em funcionamento, sobretudo os que têm relevância para cidades ou portos, com cidades interessadas em usar hidrogénio renovável para descarbonizar os seus setores difíceis de abater e melhorar a qualidade do ar.

É uma ação do tipo Coordination and Support Action (CSA). Não financia infraestrutura física nem investigação tecnológica nova. Financia a estrutura de cooperação: a seleção dos pares cidade-vale, as atividades colaborativas desenhadas à medida de cada par, e a entrega de um roteiro detalhado para cada cidade integrar o hidrogénio renovável na sua descarbonização industrial. O modelo é de mentoria, com pares mentor-mentorado, e pode incluir países do alargamento, como os Balcãs Ocidentais, a Ucrânia e a Moldávia.

O foco está em setores difíceis de abater ou de eletrificar: usos industriais, transporte pesado e de longa distância, aviação, usos marítimos, ou qualquer combinação destes. O uso de hidrogénio para aquecimento está explicitamente fora de âmbito.

Em síntese
Um projeto, 5 milhões de euros, financiamento integral. O beneficiário não constrói nada: constrói pontes entre quem já sabe fazer hidrogénio à escala de vale e quem precisa de aprender a aplicá-lo à escala da cidade. O produto final são roteiros acionáveis e comunidades de prática.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico é, na sua essência, um instrumento de capacitação para a transição energética urbana. Não resolve a necessidade de capital de uma empresa, resolve a necessidade de conhecimento e método de uma cidade que quer descarbonizar.

  • Sustentabilidade, energia e clima: o projeto acelera a adoção de hidrogénio renovável em setores que a eletrificação direta não resolve, ajudando cidades a desenhar estratégias de descarbonização credíveis, com avaliação de viabilidade, escolhas tecnológicas, fontes de hidrogénio renovável e impacto ambiental e socioeconómico.
  • Formação e qualificação: a mecânica central é a partilha de competências através de pares mentor-mentorado, comunidades de prática, educação e formação, transferindo para as cidades mentoradas a melhor experiência disponível nos Vales do Hidrogénio mais avançados.
Quem pode aceder

Um consórcio coordenador com âncora na Missão Cidades

Sendo uma CSA, o consórcio é tipicamente liderado por uma entidade com capacidade de coordenação a nível europeu, como uma rede de cidades, uma agência de energia, um centro de investigação ou uma associação setorial do hidrogénio, reunindo autoridades urbanas, portos, indústria, governos locais e regionais, investigadores e representantes da sociedade civil.

A condição decisiva é geográfica e de pertença à Missão. Pelo menos uma das cidades selecionadas para o emparelhamento tem de ser uma das 112 cidades da Missão da UE para Cidades Climaticamente Neutras e Inteligentes. O projeto deve ainda fomentar equilíbrio geográfico entre as autoridades participantes, para permitir aprendizagem entre diferentes abordagens nacionais, e fazer uso ótimo da informação disponível na Plataforma dos Vales do Hidrogénio e na Plataforma da Missão Cidades.

Para o ecossistema português, há duas portas de entrada. Cidades e portos nacionais com ambição de hidrogénio podem candidatar-se a ser cidades mentoradas. Entidades portuguesas com experiência de coordenação europeia, agências de energia, centros de interface e associações, podem integrar o consórcio coordenador, posicionando-se na infraestrutura de conhecimento que vai orientar a próxima vaga de projetos de hidrogénio urbano.

Quanto vale

Cinco milhões de euros, financiamento integral, montante fixo

A dotação para 2027 é de 5 milhões de euros, destinada a financiar um único projeto. Como é regra nas Coordination and Support Actions, a taxa de financiamento é de 100% dos custos elegíveis, e o financiamento assume a forma de montante fixo (lump sum), pago por etapas concluídas em vez de reembolso de custos reais. Para uma entidade coordenadora, isto significa uma ação plenamente financiada, sem necessidade de cofinanciamento próprio, com carga administrativa de execução reduzida face ao modelo clássico de custos reais.

€5M
Dotação total 2027
1
Projeto financiado
100%
Taxa de financiamento

O calendário segue o do conjunto da chamada: abertura prevista a 9 de fevereiro de 2027 e prazo único a 7 de outubro de 2027. Por ser um único projeto a financiar, a competição é particularmente exigente. A qualidade da rede de cidades e vales mobilizada na proposta é, à partida, o fator que mais distingue as candidaturas.

O que o projeto tem de entregar

Do emparelhamento ao roteiro

O âmbito define com clareza a sequência de trabalho que a proposta tem de cobrir.

01
Selecionar os pares
Organizar um procedimento de seleção, por exemplo através de concursos abertos a manifestações de interesse, para identificar os pares de emparelhamento mais promissores entre vales e cidades.
02
Desenhar atividades à medida
Desenvolver e implementar, para cada par, um conjunto de atividades colaborativas: avaliações de viabilidade, planos de implementação detalhados, avaliação de impacto ambiental e socioeconómico, partilha de boas práticas, educação e formação.
03
Entregar roteiros
Produzir, para cada cidade emparelhada, um roteiro detalhado com os passos futuros para integrar o hidrogénio renovável na descarbonização da sua indústria.
04
Criar comunidade
Facilitar a interação entre as cidades participantes para enfrentar desafios e soluções comuns, e reforçar as sinergias com a Parceria Europeia do Hidrogénio Limpo.
Contexto

Ligar duas políticas que andavam em paralelo

O racional do tópico é de integração de políticas. A Europa tem, por um lado, a Parceria do Hidrogénio Limpo e a rede de Vales do Hidrogénio, focadas na produção e na cadeia de valor. Tem, por outro, a Missão Cidades, focada na neutralidade climática urbana. Estas duas frentes têm avançado em paralelo, com pouca ligação sistemática. Este projeto serve precisamente de costura entre elas, garantindo que o conhecimento acumulado nos vales chega às cidades que dele precisam, e que as cidades da Missão se tornam laboratórios de aplicação do hidrogénio a setores difíceis.

Para Portugal, que tem uma estratégia nacional do hidrogénio ambiciosa e projetos âncora ligados a portos e a indústria, o interesse é direto. A possibilidade de mentoria, e de cooperação com países do alargamento, abre ainda espaço para que entidades nacionais assumam um papel de transmissão de conhecimento, e não apenas de receção.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este não é um tópico para empresas que procuram financiar o seu próprio projeto de hidrogénio. É um tópico para quem coordena, articula e capacita. Sendo um único projeto a financiar, e sendo a competição europeia, o realismo aconselha a só investir esforço de candidatura quem tenha já uma rede credível de cidades e vales disposta a participar, e capacidade demonstrada de gestão de ações de coordenação europeias. Uma proposta montada de raiz, sem essa rede preexistente, dificilmente é competitiva.

Para cidades, portos e empresas portuguesas de hidrogénio, a leitura mais útil é outra. Mesmo quem não lidere a candidatura tem todo o interesse em estar dentro do projeto vencedor, como cidade mentorada ou como vale mentor, porque é aí que se ganha acesso a roteiros financiados, a competência europeia e a uma comunidade de prática que molda o desenho dos próximos avisos de investimento. Recomendamos a quem tenha ambição séria no hidrogénio urbano que sinalize cedo o seu interesse junto das redes de cidades e das plataformas da Missão, para estar mapeado quando o consórcio coordenador procurar pares.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]