O que é

Uma linha de garantia para empresas que não têm projeto aprovado

A Linha Impulsar Portugal é uma linha de garantia mútua do Banco Português de Fomento (BPF), lançada a 6 de agosto de 2026, com um montante global de financiamento até 1,5 mil milhões de euros e vigência até 31 de dezembro de 2028. Destina-se a empresas que precisam de crédito bancário para tesouraria, investimento, compra de participações ou garantias técnicas, sem terem de passar por uma candidatura a fundos europeus nem esperar por uma decisão de aprovação.

O mecanismo é o habitual das linhas do BPF. A empresa pede o financiamento ao seu banco. Se o banco aprovar o crédito, uma sociedade de garantia mútua (SGM) garante uma parte do empréstimo, entre 50 % e 80 % consoante a sublinha. O Fundo de Contragarantia Mútuo (FCGM), gerido pelo BPF, contragarante a SGM. Com menos risco a seu cargo, o banco empresta com um spread limitado pela tabela da linha e em condições melhores do que num crédito comum.

A linha divide-se em quatro sublinhas com finalidades e condições próprias: Curto Prazo, Investimento Estratégico, Novos Negócios e Garantias Técnicas. A dotação é comum às quatro e consome-se por ordem de chegada. O BPF pode suspender sublinhas quando o volume de contragarantias, fixado em 600 milhões de euros, se aproximar do limite.

1,5mil M€
Montante global
25M€
Máximo por empresa
80%
Garantia máxima
144meses
Prazo máximo
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A Impulsar é a linha mais larga do BPF para empresas sem projeto aprovado. Em vez de servir uma única finalidade, cobre três necessidades que costumam chegar juntas a uma PME em crescimento: liquidez para o dia a dia, meios para investir e capital para comprar ou consolidar outras empresas.

  • Tesouraria, crédito e garantias: a sublinha Curto Prazo financia conta corrente, livranças, papel comercial, desconto sobre o estrangeiro, factoring e confirming até 7,5 milhões de euros por empresa. A sublinha Garantias Técnicas emite garantias de boa execução, de concurso, de cumprimento e de pagamento, que dispensam a garantia bancária quando a SGM as presta diretamente ao beneficiário.
  • Investimento produtivo: o leasing mobiliário e imobiliário entra no Investimento Estratégico, com prazos até 12 anos. As microempresas recentes podem financiar ativos fixos, leasing ou fundo de maneio na sublinha Novos Negócios, com garantia de 80 %.
  • Capitalização e crescimento: o Investimento Estratégico financia até 80 % da compra de participações em processos de sucessão empresarial, aumento de escala, management buyout (MBO) e management buyin (MBI). Financia também a compra de empresas em dificuldade com plano de recuperação.
Quatro sublinhas

Montantes, garantias e prazos de cada sublinha

Cada sublinha tem o seu teto por empresa, a sua percentagem de garantia e o seu prazo. A empresa pode recorrer a mais do que uma, desde que cada operação cumpra as condições da respetiva sublinha.

SublinhaPara que serveMáximo por empresaGarantia da SGMPrazo
Curto PrazoTesouraria: conta corrente, livrança, papel comercial, desconto sobre o estrangeiro, factoring, confirming7,5 M€50 %Até 60 meses, sem carência
Investimento EstratégicoCompra de participações (sucessão, escala, MBO, MBI), leasing mobiliário e imobiliário, compra de empresas em dificuldade25 M€70 %Até 144 meses, carência até 36
Novos NegóciosAtivos fixos, leasing ou fundo de maneio de microempresas com até 4 anos1 M€80 %Até 120 meses, carência até 24
Garantias TécnicasGarantias de boa execução, concurso, cumprimento e pagamento2,5 M€ (1 M€ em bom pagamento)Até 75 % a bancos; até 100 % ao beneficiárioAté 120 meses

No Investimento Estratégico e nos Novos Negócios pode ficar um valor residual até 10 % do montante financiado para pagar no fim do contrato. Nas operações renováveis, a renovação é semestral ou anual e o banco ou a SGM podem denunciá-la em cada renovação.

Elegibilidade

Quem pode aceder

As condições de base são as do acordo de garantia mútua comum às linhas do BPF. A empresa tem de exercer atividade em território nacional, incluindo os Açores e a Madeira. Pode ter qualquer forma jurídica, empresários em nome individual incluídos. A linha admite PME, small mid caps e mid caps; as PME precisam da certificação eletrónica do IAPMEI válida à data do pedido.

  • Situação regularizada: Finanças e Segurança Social em dia, sem incidentes por regularizar na banca, no sistema de garantia mútua e no BPF. Na data da contratação, a empresa não pode ter atrasos na Central de Responsabilidades de Crédito.
  • Capitais próprios: uma empresa com mais de 3 anos cujo capital próprio seja igual ou inferior a metade do capital social fica de fora, seja nas contas do exercício, seja em contas intercalares. A empresa também não pode estar em dificuldade nos termos do Regulamento Geral de Isenção por Categoria.
  • Novos Negócios: só microempresas com 4 ou menos anos de existência e um mínimo de 15 % de capitais próprios. Se a empresa ainda não existir, a garantia só é emitida depois da constituição formal.
  • Compra de participações: a empresa compradora tem de ter autonomia financeira de pelo menos 20 % (capital próprio sobre ativo, nas últimas contas aprovadas), salvo se for recém-criada. A operação tem de dar o controlo de mais de 50 % do capital e a maioria dos direitos de voto da empresa alvo. Os investidores individuais atuam através de uma sociedade, que pode ser um veículo criado para o efeito.
Atividades elegíveis
A atividade principal tem de constar da lista positiva do Anexo II, com 852 subclasses da CAE Rev.4, a mesma das restantes linhas do BPF. Ficam de fora a indústria e o comércio de tabaco, o álcool etílico de fermentação, as armas e munições, a banca e os seguros (os mediadores de seguros mantêm-se), a Administração Pública, o jogo, as associações, as famílias e os organismos extraterritoriais. Algumas subclasses pedem uma declaração adicional, como a silvicultura e a extração de cortiça. A consultoria de gestão (70200, 74910 e 74992) só entra se o objeto social referir agricultura, agroindústrias, florestas ou recursos naturais.
Limites

O que a linha não financia

A Impulsar é crédito novo para atividade e investimento. As exclusões impedem que sirva para refinanciar dívida antiga, que é a tentação mais comum em linhas com garantia pública.

  • Reestruturação e consolidação: reestruturação financeira, consolidação de crédito vivo e operações que liquidem ou substituam, direta ou indiretamente, financiamentos anteriores do mesmo banco, incluindo linhas aprovadas e não utilizadas.
  • Bens e imóveis: bens em estado de uso, viaturas ligeiras que não sejam meios de produção e imóveis fora de um projeto de investimento elegível. Os imóveis afetos à atividade só entram se pelo menos 20 % da compra for paga com capitais próprios efetivos ou liquidez comprovada.
  • Duplo financiamento: operações já financiadas uma vez, operações que pré-financiem outras com fundos europeus e contratos que paguem duas vezes os mesmos custos com fundos europeus ou nacionais.
Custos

Quanto custa o crédito garantido

O custo tem três partes. O spread do banco tem um máximo fixado por notação de risco e maturidade, numa tabela de equiparação anexa ao documento da linha, que vai de cerca de 1 % a 5,3 %. A comissão de garantia da SGM tem igualmente um máximo por notação, dimensão da empresa e prazo, entre cerca de 0,2 % e 1,8 % ao ano sobre o montante garantido. A estas soma-se a compra de ações da SGM até 1 % do valor garantido, com a custódia isenta de comissões.

No Investimento Estratégico há ainda uma comissão de montagem até 0,5 % do montante garantido, com mínimo de 200 euros. As operações renováveis podem pagar uma comissão de renovação até 0,25 % ao ano. A SGM não cobra mais nada além destas comissões. A garantia pode ser concedida em minimis, ao abrigo do Regulamento Geral de Isenção por Categoria ou em condições de mercado: uma PME que já esgotou a margem de minimis continua a poder usar o Curto Prazo e o Investimento Estratégico, pagando a comissão de mercado.

Comparação

Onde se encaixa entre as linhas do BPF

O BPF tem hoje várias linhas abertas e a escolha depende da finalidade e da situação da empresa. A Impulsar distingue-se em três pontos: é a única que aceita leasing no investimento, a única que financia a compra de participações e a única com uma sublinha dedicada a microempresas recentes.

LinhaQuando faz sentido
Impulsar PortugalTesouraria corrente, leasing, sucessão ou aquisição de empresas, microempresas com até 4 anos, garantias técnicas
InvestEU PME e Small Mid CapsInvestimento em ativos fixos por mútuo, investimento sustentável com garantia de 75 %, fundo de maneio
Invest ExportPME com vendas ao exterior nas contas de 2024; parte do empréstimo pode converter-se em fundo perdido
PT2030 GarantiasAdiantamento do incentivo de um projeto Portugal 2030 já aprovado
IFIC MaisCofinanciar com crédito um projeto aprovado no IFIC, no Portugal 2030 ou no PRR
Para que tipo de empresa

Situações em que a Impulsar é a resposta natural

  • Sucessão familiar ou compra pela gestão: a geração seguinte ou os quadros compram a empresa através de uma sociedade veículo e financiam até 80 % da operação com garantia de 70 %, a pagar em até 12 anos.
  • Renovação de equipamento ou instalações por leasing: o leasing mobiliário e imobiliário entra no Investimento Estratégico sem a exigência de autonomia financeira de 20 %, que só se aplica à compra de participações.
  • Microempresa no arranque: uma empresa com menos de 4 anos financia ativos ou fundo de maneio até 1 milhão de euros com 80 % de garantia, uma cobertura que dificilmente consegue num crédito comum.
  • Empresas de obras e fornecimentos: as garantias de boa execução e de concurso podem ser prestadas pela SGM diretamente ao dono da obra, até 100 %, sem consumir as linhas de crédito da empresa no banco.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A garantia pública baixa o risco do banco, mas a decisão de crédito continua a ser dele. Sem mérito nem pontuação, tudo depende da análise de risco. Muitas empresas já têm uma pré-aprovação calculada pelo seu banco: vale a pena perguntar por ela antes de preparar qualquer dossier e comparar a proposta de dois bancos, porque o spread e a comissão variam dentro dos máximos da tabela.

Há dois pontos que travam operações na reta final. O primeiro é o capital próprio face ao capital social: uma empresa com mais de 3 anos e prejuízos acumulados pode ficar de fora mesmo com boa tesouraria. Um aumento de capital ou a conversão de suprimentos resolve-o antes do pedido. O segundo é o plano de viabilidade, exigido a empresas em início de atividade e a financiamentos de investimento a partir de 500 mil euros.

Quem tem um projeto Portugal 2030 em preparação deve contar com uma regra que apanha muita gente: nos sistemas de incentivos, os 25 % de financiamento privado têm de ser isentos de qualquer apoio público. O crédito com garantia do BPF é apoio público. A Impulsar entra no plano de financiamento acima desse piso. Para o adiantamento do incentivo de um projeto já aprovado, a linha certa é a PT2030 Garantias.

A Open Capital ajuda a escolher a sublinha, a preparar o plano de viabilidade e a combinar a Impulsar com incentivos a fundo perdido, para que o custo médio do capital do projeto desça sem pôr em risco a elegibilidade das candidaturas.

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