O que é o aviso CENTRO2030-2025-21
O aviso CENTRO2030-2025-21 do Programa Regional do Centro 2021-2027 financia a criação, expansão ou requalificação de infraestruturas físicas de incubação e de cowork em territórios sub-regionais da Região Centro. Foi publicado a 23 de julho de 2025, com candidaturas em contínuo até 28 de dezembro de 2026, num total de 17,97 milhões de euros FEDER e taxa máxima de cofinanciamento de 85%.
A lógica é territorial. A dotação está pré-alocada por Instrumento Territorial Integrado de Comunidade Intermunicipal (ITI CIM), o que significa que cada uma das oito CIM da Região Centro tem um envelope financeiro próprio e que as candidaturas competem dentro desse envelope, não com as restantes regiões. O objetivo é colmatar falhas sub-regionais na oferta de espaços de incubação e de cowork, reforçando a capacidade dos territórios para gerar empreendedorismo de base local e atrair recursos humanos qualificados.
O âmbito é deliberadamente de base não tecnológica. O aviso não financia incubadoras digitais nem aceleradoras orientadas para startups deep tech, esse perfil é coberto por outras tipologias do COMPETE 2030 e do CENTRO 2030. Aqui, o alvo são viveiros de empresas locais, incubadoras de base territorial e espaços de coworking que sirvam empreendedores e PME do tecido económico regional.
Necessidades que este instrumento resolve
Este aviso responde a uma necessidade infraestrutural concreta dos territórios da Região Centro: capacitar autarquias e CIM para oferecerem aos empreendedores locais espaços físicos preparados para incubar negócios em fase de arranque ou acolher cowork. Não é um apoio direto a empresas, é um apoio à infraestrutura pública que serve a comunidade empresarial.
- Arranque e validação: o foco é criar ambiente físico para empreendedores em fase pré-receita ou de validação de modelo de negócio. As incubadoras de base local resolvem o problema de espaço, custos fixos e proximidade entre projetos que carateriza esta fase.
- Investimento produtivo (infraestrutura): ainda que o destinatário final sejam empreendedores, a candidatura é de obras, equipamento e instalações. Construção e requalificação de edifícios, adaptação de espaços, equipamento informático e mobiliário técnico, todos enquadrados como investimento em ativos fixos da entidade pública promotora.
Apenas autarquias e CIM da Região Centro
As entidades beneficiárias estão circunscritas a autarquias e Comunidades Intermunicipais da Região Centro. Empresas, associações empresariais, fundações e entidades do sistema científico não são elegíveis como promotores diretos, ainda que possam ser os destinatários finais da infraestrutura criada (incubação, utilização dos espaços de cowork).
Duas linhas de investimento
O aviso suporta projetos individuais cujos planos de atividades se enquadrem, isolada ou cumulativamente, em duas tipologias:
- Tipologia 1 (incubadoras): criação, expansão ou requalificação de espaços físicos para incubação de empresas de base não tecnológica. Inclui incubadoras de base local, viveiros de empresas e outros formatos com o mesmo fim.
- Tipologia 2 (cowork): criação, expansão ou requalificação de espaços físicos para acolhimento de espaços de cowork que potenciem o empreendedorismo de base local.
Operações que combinem as duas tipologias num só projeto são admitidas, e nesse caso obrigam à contratualização dos dois indicadores de resultado (empresas instaladas e contratos de cowork celebrados).
O que o FEDER paga
A subvenção é não reembolsável e cobre até 85% das despesas elegíveis. As tipologias de custo são restritas, foco deliberado em infraestrutura física e equipamento de suporte:
- Empreitadas de construção civil: construção ou requalificação de edifícios, adaptação de espaços, infraestruturas de telecomunicações e distribuição de águas.
- Aquisição de serviços de projeto de arquitetura e especialidades e fiscalização em fase de obra (desde que associados a empreitada elegível).
- Serviços para vídeo promocional, criação de identidade e sinalética da infraestrutura.
- Equipamento de suporte às atividades: informático, audiovisual, telecomunicações, sistemas computacionais, prototipagem.
- Mobiliário técnico e administrativo de suporte.
- IVA não recuperável associado às atividades elegíveis.
Despesas correntes de operação da incubadora (salários da gestão, marketing recorrente, serviços de mentoria) não são elegíveis. Esta é uma linha de capital, não de funcionamento.
Envelopes por ITI CIM
A dotação total de 17,97 milhões EUR está pré-distribuída pelas oito Comunidades Intermunicipais da Região Centro. Cada CIM tem o seu próprio teto, o que significa que projetos competem dentro da sua sub-região e não a nível regional global.
| ITI CIM | Dotação FEDER contratualizada |
|---|---|
| Região do Oeste | 8.652.006,39 EUR |
| Região das Beiras e Serra da Estrela | 3.532.500,00 EUR |
| Região de Aveiro | 1.846.515,30 EUR |
| Região do Médio Tejo | 1.600.000,00 EUR |
| Região de Viseu Dão-Lafões | 1.049.246,65 EUR |
| Região de Leiria | 550.000,00 EUR |
| Região da Beira Baixa | 374.953,13 EUR |
| Região de Coimbra | 367.150,65 EUR |
A distribuição denota a estratégia subjacente. Oeste e Beiras concentram mais de dois terços do envelope, reflexo de prioridades de coesão territorial dos respetivos Contratos para o Desenvolvimento e Coesão Territorial. Coimbra, com a sua rede já consolidada de infraestruturas de inovação, tem o menor envelope.
Custos reais vs. montantes fixos
O financiamento opera em duas modalidades, definidas pelo valor da operação:
Operações até 200 mil euros usam modalidade de montante fixo (custo simplificado), baseado em projeto orçamental acordado ex-ante com a Autoridade de Gestão. Operações acima de 200 mil euros usam custos reais, com pedidos de reembolso documentados por faturas, comprovativos de pagamento e declaração de Contabilista Certificado.
Em qualquer das modalidades é admitido adiantamento inicial até 10% do valor aprovado. O prazo máximo de execução é de 36 meses, prorrogável por mais 12 em casos devidamente justificados.
Mais-valia e eficiência
A seleção opera por mérito absoluto, não por concurso comparativo, dado tratar-se de instrumentos territoriais integrados. Cada candidatura é avaliada em dois critérios de primeiro nível:
- A. Mais-valia socioeconómica e ambiental do projeto: contribuição para coesão territorial, criação de emprego qualificado, sustentabilidade ambiental da infraestrutura, alinhamento com a Estratégia Regional de Especialização Inteligente RIS3-Centro.
- B. Eficácia e eficiência do projeto: qualidade técnica do investimento, custos por unidade física construída, sustentabilidade económica pós-investimento, capacidade demonstrada do promotor.
A pontuação varia de 1 a 5, sendo o limiar de aprovação 3,00 pontos. Abaixo desse valor, a candidatura não é selecionada para cofinanciamento, mesmo que haja envelope disponível.
O que se mede e o que custa falhar
O aviso contratualiza um indicador de realização (grau de concretização das atividades do projeto, em percentagem) e dois indicadores de resultado, consoante a tipologia:
- Empresas/PME instaladas na AAE: aplicável a operações que incluam incubação. Mede o número efetivo de empresas instaladas até seis meses após a conclusão da operação.
- Contratos celebrados para utilização do espaço de cowork: aplicável a operações que incluam cowork.
O que recomendamos
Este aviso é instrumento eficaz para autarquias com diagnóstico territorial sólido e plano credível de utilização da infraestrutura. Não é instrumento para imobiliário de fachada. A configuração dos indicadores de resultado garante que o investimento tem de gerar utilização real, sob pena de revogação total do apoio, e a Autoridade de Gestão tem demonstrado disciplina na aplicação dessas penalizações.
Três notas práticas para promotores que considerem candidatar-se:
- Avaliar a procura antes de avaliar o edifício. A escassez de empresas dispostas a instalar-se é, na nossa experiência, o principal motivo de incumprimento dos indicadores. Antes de comprometer fundos, mapear a procura efetiva no território (cartas de intenção, inquéritos a empreendedores, parcerias com associações empresariais locais).
- Calibrar a dimensão pela dotação CIM disponível. Em CIM com envelope mais reduzido (Coimbra, Beira Baixa, Leiria), faz pouco sentido apresentar projetos de grande escala, dado que a competição interna é por mérito absoluto mas o teto é absoluto. Em Oeste e Beiras, o envelope permite ambição.
- Cuidado com o limiar dos 200 mil EUR. A escolha entre custos reais e montantes fixos não é trivial. Montantes fixos têm menos burocracia de execução mas têm de ser acordados ex-ante de forma muito detalhada, qualquer variação imprevista no projeto perde-se na execução. Custos reais dão flexibilidade mas implicam um sistema de gestão e reporting financeiro que muitas autarquias de menor dimensão não têm preparado.
O aviso está em concurso aberto contínuo. Não há corrida para um prazo apertado, há tempo para preparar candidaturas robustas. Em territórios onde a infraestrutura de acolhimento é genuinamente deficitária, este é dos melhores instrumentos disponíveis no atual ciclo de fundos.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]