Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas já não estao abertas.
O que é

Estruturas de governação para a descarbonização multinível

O tópico LIFE-2026-PLP-ENER-GOV financia projetos que estabelecem ou reforçam diálogos permanentes entre diferentes níveis administrativos — municípios, regiões e governos nacionais — e stakeholders relevantes (sociedade civil, setor empresarial, investidores) para implementar os objetivos de descarbonização da União Europeia.

O enquadramento é o Regulamento de Governação da União da Energia e da Ação Climática, que obriga os Estados-Membros a criar plataformas de diálogo multinível sobre energia e clima. A avaliação da Comissão em 2025 concluiu que a implementação tem sido desigual: em vários países, esses diálogos existem formalmente mas carecem de substância, continuidade e ligação real entre o nível local e o nacional.

O projeto a financiar deve cobrir entre 6 e 10 Estados-Membros, com preferência por territórios onde o diálogo multinível está menos desenvolvido.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico não apoia empresas diretamente. O seu foco é o reforço das estruturas de governação que permitem que as políticas climáticas sejam implementadas com eficácia em múltiplos níveis administrativos. Serve fundamentalmente dois propósitos complementares:

  • Sustentabilidade, energia e clima: os planos nacionais de energia e clima (NECPs) precisam de ser construídos com contributos reais dos níveis regional e local. Este instrumento financia exatamente os processos que tornam isso possível, desde a criação de plataformas de diálogo até ao desenvolvimento de modelos de reporte que integrem os níveis administrativos verticais e horizontais.
  • Impacto social e inclusão: o regulamento valoriza explicitamente a participação de cidadãos, organizações da sociedade civil e comunidades locais na definição das políticas de transição energética. Um diálogo sem essas vozes não cumpre os requisitos do tópico.
Revisão do Regulamento de Governação prevista para 2026
A revisão do Regulamento de Governação da União da Energia está prevista para o 4º trimestre de 2026. Os NECPs deverão evoluir para planos estratégicos de investimento. Projetos financiados por este tópico estarão diretamente alinhados com esse processo de revisão — um argumento de relevância forte para incluir nas propostas.
Âmbito do projeto

O que a proposta deve demonstrar

O regulamento define quatro eixos de trabalho que a proposta deve cobrir, com liberdade para definir a abordagem metodológica:

  • Diálogo permanente: criar ou reforçar estruturas de diálogo entre diferentes níveis administrativos (municípios, regiões, governos nacionais) e stakeholders para definir contributos partilhados para as metas de descarbonização.
  • Coerência estratégica: melhorar a coerência entre estratégias e medidas de diferentes níveis de governação, incluindo instrumentos como os Planos de Aquecimento e Arrefecimento, os SEAP (Planos de Ação para a Energia Sustentável) e os próprios NECPs.
  • Modelos de reporte: desenvolver modelos de governação que permitam mecanismos de reporte robustos e consistentes, integrando abordagens top-down e bottom-up.
  • Sinergias com iniciativas existentes: construir pontes com plataformas e iniciativas europeias e nacionais já em curso, em vez de criar estruturas paralelas sem continuidade garantida.

A Comissão é explícita: o tópico não financia o desenvolvimento de novas ferramentas digitais ou bases de dados, salvo se o valor acrescentado for claramente justificado e a escala além do projeto for credível.

€2M
Dotação disponível
90%
Taxa máxima
6-10
Estados-Membros a cobrir
36meses
Duração estimada
Elegibilidade e consórcio

Quem pode liderar e participar

O tópico exige um mínimo de 3 candidatos de 3 países diferentes. A composição do consórcio deve ser adequada para cobrir 6 a 10 Estados-Membros com qualidade: uma proposta que cubra 6 países com parceiros de apenas 3 é possível, mas a avaliação vai questionar a credibilidade da cobertura.

Os perfis mais relevantes para participar no consórcio incluem:

  • Associações de municípios ou regiões com mandato em energia e clima (ex: Energy Cities, ICLEI, Covenant of Mayors)
  • Organizações da sociedade civil com experiência em processos participativos de políticas energéticas
  • Centros de investigação ou think tanks especializados em governação da transição energética
  • Agências de energia regionais ou nacionais com experiência em facilitação de diálogos multinível

Para entidades portuguesas, a ADENE, a APA, municípios com experiência no Pacto de Autarcas ou organizações como o ZERO ou a Quercus podem ter um papel enquanto parceiros, embora a liderança nacional de um consórcio desta natureza exija experiência prévia sólida em projetos LIFE.

Atenção: o tópico valoriza instabilidade prévia
A Comissão dá "prioridade a propostas que se focam em áreas geográficas onde o diálogo multinível energia-clima está menos desenvolvido." Isto significa que incluir países com mecanismos de governação frágeis é um argumento de relevância, não um risco a esconder na proposta.
Sustentabilidade do projeto

A continuidade após o financiamento

A Comissão é particularmente exigente neste ponto: as estruturas de diálogo criadas devem ser sustentáveis após o fim do projeto, idealmente através da sua institucionalização. Uma proposta que não explique com credibilidade como as plataformas de diálogo sobreviverão ao período de financiamento dificilmente passará a avaliação de impacto.

As propostas devem também demonstrar forte utilização de práticas comprovadas de iniciativas europeias ou nacionais anteriores, e garantir um processo de facilitação neutro que inclua todos os stakeholders relevantes com um papel ativo, não meramente consultivo.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este tópico tem uma dotação modesta (€2M para um projeto de 36 meses cobrindo até 10 países), o que implica propostas enxutas com custos operacionais controlados. O risco mais frequente em projetos desta natureza é o de subestimar os custos de facilitação multilateral ou, ao contrário, sobredimensionar o orçamento de comunicação digital sem justificação de impacto.

Para Portugal, o interesse principal não é liderar, mas participar como parceiro em consórcios liderados por redes europeias de municípios ou agências de energia com historial LIFE. A participação permite acumular experiência, construir network europeu e eventualmente liderar no próximo ciclo de financiamento.

Quem equacionar uma candidatura deve começar já pela seleção dos 6-10 países alvo com análise documentada do estado do diálogo multinível em cada um: essa análise é obrigatória no corpo da proposta e a sua qualidade sinaliza o grau de preparação do consórcio.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]