Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas já não estão abertas.
O que é

Moda circular ao encontro da Nova Bauhaus

O NEB Academy Fashion Shift é uma call da EIT Culture & Creativity, parceira implementadora da Academia da Nova Bauhaus Europeia. Destina-se a apoiar consórcios no desenvolvimento e no dimensionamento de modelos de negócio circulares, regenerativos e responsáveis na moda, alinhados com os três valores da Nova Bauhaus Europeia: sustentabilidade, inclusão e beleza.

A moda é uma das indústrias europeias mais intensivas em recursos e a call procura acelerar a transição para a moda circular. O foco está em negócios existentes, pilotos, iniciativas ou conceitos comprovados, prontos para serem desenvolvidos, implementados ou escalados através de colaboração significativa. Não é, portanto, um instrumento de validação de ideias em fase inicial, mas de aceleração de soluções que já demonstraram tração.

O objetivo é preencher a lacuna entre a visão criativa e a realidade do mercado, fortalecer os ecossistemas de moda europeus e apoiar modelos alternativos para além da fast fashion.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É um instrumento de aceleração de mercado para a economia criativa da moda, com vocação ambiental. Resolve duas necessidades que aqui se reforçam.

  • Sustentabilidade, energia e clima: o financiamento dirige-se a modelos circulares e regenerativos que atacam a intensidade de recursos da moda, abordando etapas do ciclo de vida como sourcing de materiais, produção, serviços de economia circular e gestão de fim de vida.
  • Arranque e validação: os indicadores obrigatórios premeiam inovações lançadas no mercado com vendas reais ou startups criadas com transações financeiras, o que torna esta uma call de comercialização e escalamento, não de investigação.
Financiamento

Quanto vale

€2,5M
Dotação total
€500k
Máximo por projeto
100%
Taxa de reembolso

A dotação total é de até 2,5 milhões de euros, com um máximo de 500 mil euros por projeto e a seleção indicativa de 5 a 6 projetos. A taxa de reembolso vai até 100% dos custos elegíveis, sem duplo financiamento. Cada participante deve comprovar capacidade financeira e operacional para implementar as atividades, cobrir custos não reembolsados e gerir necessidades de fluxo de caixa entre pagamentos.

Quem pode candidatar

Composição obrigatória do consórcio

As propostas só podem ser apresentadas por consórcios com um mínimo de 4 e um máximo de 6 entidades jurídicas independentes, estabelecidas em pelo menos dois países diferentes elegíveis. A composição é prescritiva: o consórcio deve integrar quatro tipos de parceiro.

  • Marca de moda independente: uma PME, conforme a definição da UE, com pelo menos 3 anos de atividade.
  • Instituição de investigação: uma universidade ou instituto de pesquisa.
  • Autoridade pública ou cluster: uma entidade pública ou um cluster de inovação ou indústria.
  • Parceiro da cadeia de valor: um parceiro relevante da cadeia de valor da moda.

São elegíveis entidades legalmente registadas em países elegíveis ao abrigo do Horizonte Europa à data de encerramento da candidatura. Para o ecossistema português de moda, design e têxtil, a porta de entrada mais natural é como marca PME ou como parceiro de cadeia de valor, num consórcio que junte universidade, autoridade pública ou cluster e parceiros de outro país europeu.

Indicadores obrigatórios
Cada projeto deve cumprir pelo menos um KPI obrigatório: lançar no mercado uma inovação com receitas de vendas de pelo menos 10 mil euros, ou criar uma startup com transações financeiras de pelo menos 10 mil euros. Há ainda KPI opcionais ligados a investimento atraído e a formação.
Calendário

Datas a reter

A candidatura abriu a 9 de junho de 2026 e encerra a 31 de agosto de 2026, às 17h00 CEST. A avaliação decorre entre setembro e novembro de 2026, com comunicação de resultados no final de novembro. Os projetos selecionados arrancam em janeiro de 2027 e terminam em maio de 2028. Está prevista uma sessão de informação a 8 de julho de 2026, que será gravada e disponibilizada no website da EIT Culture & Creativity.

O período de candidatura é curto, pouco menos de três meses. Dada a exigência de um consórcio de quatro perfis distintos em dois países, o tempo útil para construir a parceria e alinhar a proposta é mais apertado do que parece.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Esta é uma das poucas calls europeias desenhadas especificamente para a moda circular e o seu valor está tanto no financiamento a 100% como no enquadramento da Nova Bauhaus, que dá visibilidade europeia aos projetos selecionados. Para uma marca portuguesa de moda sustentável ou para um cluster têxtil, é uma oportunidade rara de escalar com apoio não reembolsável.

O fator decisivo é o consórcio. A exigência de quatro perfis em dois países, com a marca a ter de ser uma PME com pelo menos três anos de atividade, elimina à partida quem tenta candidatar-se sozinho ou com uma parceria improvisada. Quem já tem rede europeia, ou ligação a uma universidade e a um cluster, parte com vantagem clara.

O segundo ponto crítico são os KPI obrigatórios. A call exige evidência de comercialização, vendas reais ou criação de startup com transação financeira, o que significa que projetos demasiado conceptuais ou ainda longe do mercado não se enquadram. Com o prazo a fechar a 31 de agosto de 2026, recomendamos decidir cedo e dedicar o esforço a fechar o consórcio certo, não a polir uma ideia sem parceiros.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]