VC pré-seed do ecossistema Olisipo
A Olisipo Way é o braço de capital de risco da Olisipo, grupo português com longa atividade em serviços de TI e consultoria tecnológica. Fundada em 2015 e sediada em Lisboa, a operação de venture capital existe como extensão natural dessa atividade, investindo em empresas em fase muito inicial cujo propósito está alinhado com tecnologias de informação em sentido amplo. Funciona em paralelo com uma comunidade de empresas (Olisipo Way Community) com mais de 50 empresas, criando um ecossistema mais alargado do que apenas o portefólio de participadas.
A lógica de investimento é clássica para o segmento. Tickets pequenos, foco em equipas técnicas portuguesas, decisão mais rápida do que a média do mercado e envolvimento operacional pós-investimento via mentoria, acesso a clientes da Olisipo e exposição à comunidade. Para empresas que cumpram critérios de alinhamento é uma porta acessível para captar primeiro cheque institucional.
Necessidades que este instrumento resolve
A Olisipo Way enderessa duas necessidades materiais distintas em momentos diferentes do ciclo de vida da startup. Captar capital para validação da ideia e captar capital para escalar após sinais iniciais de tração.
- Arranque e validação: a maior parte do investimento é em pré-seed, momento em que a equipa esta a validar produto, mercado ou modelo de negócio. Os tickets sao pequenos por design, suficientes para um runway de validação e não para escalar.
- Capitalização e crescimento: em casos onde a equipa atinge marcos pos pré-seed, a participação pode acompanhar a fase seed seguinte com follow-on. A natureza pequena dos tickets impoe partilha com co-investidores em rondas maiores.
Setores cobertos e perfil de empresa alvo
A tese declarada e ampla dentro de Tecnologias de Informação, com vários verticais cobertos. A leitura prudente é que o fundo investe onde encontra equipa técnica solida e proximidade ao seu corredor de competências e clientes.
- FinTech e Payments: pagamentos, infraestrutura financeira, processamento, regulamentação financeira aplicada.
- AI e Big Data: startups com componente forte de inteligência artificial aplicada ou processamento de dados de larga escala.
- Blockchain: infraestrutura, aplicações empresariais, casos de uso fora do dominio puramente cripto.
- DeepTech: tecnologias com componente científico ou de engenharia avancada, fronteira mais alta do que SaaS classico.
- LegalTech: tecnologia aplicada a serviços juridicos, automação legal, compliance.
- Sales/Marketing tech: ferramentas para equipas comerciais e marketing, automação, CRM, analytics.
- Enterprise Applications: software para empresas, integração com sistemas legacy, modernização tecnológica.
Dimensões habituais do investimento
Os agregadores de referência do setor indicam uma gama de 50 mil a 150 mil euros por operação. O sweet spot continua a aparecer publicado em dólares, nos 100 mil, sinal de que a comunicação do fundo não é uniforme quanto à moeda. Tratar os valores abaixo como ordem de grandeza e confirmar o número exato no momento do contacto.
Para fundadores, a leitura prática é que a Olisipo Way faz sentido como parte de uma ronda combinada com business angels e potencialmente outros micro-funds, atingindo total típico de uma pré-seed em Portugal entre 200 mil e 500 mil euros. Em raras exceções pode liderar uma pré-seed pequena, mas o padrao e participação.
Acesso via comunidade ou contacto direto
A Olisipo Way não opera por janelas formais de candidatura tipo accelerator, com batch e datas fixas. O contacto é contínuo, em duas vias.
- Pitch direto: envio de pitch deck e contacto pelo website oficial. É o caminho mais simples mas não necessariamente o mais eficaz, porque sem warm intro o pitch entra no mesmo pipeline de muitas outras candidaturas.
- Networking via comunidade: a Olisipo Way Community agrega mais de 50 empresas criadas no âmbito da política de inovação e investimento do grupo. As ligações feitas por fundadores já participados tendem a ter taxa de resposta superior, padrão comum em qualquer fundo de capital de risco.
A Open Capital pode ajudar a posicionar candidaturas, preparar materiais e identificar pontos de entrada via rede partilhada com fundadores já participados. Para investidores, este não é candidato direto, mas é relevante conhecer o fundo no contexto de cap tables iberoportuguesas em early-stage tech.
O que recomendamos
A Olisipo Way é uma das opções domésticas para founders portugueses em pré-seed em IT, mas não a única. Faz sentido dentro de uma estratégia de captação mais ampla, combinada com redes de business angels (FNABA, Core Angels Atlantic), outros micro-fundos nacionais (Faber Ventures Pré-Seed, Bynd VC, Bright Pixel Capital) e, em alguns casos, parcerias internacionais com micro-fundos ibéricos. Tratar o fundo como destino único em pré-seed é estratégia perdedora.
A componente comunitária é um diferenciador real. Para fundadores com perfil técnico que valorizam acesso a outras startups portuguesas em fases próximas, a entrada na rede pode ter valor para além do cheque. Para fundadores com tese internacional desde dia um e que precisam de capital maior do que o ticket máximo, encaixe e mais limitado.
Atenção a dois sinais. A informação pública tem variantes (USD na fonte primária, AUM não divulgado, vintage do fundo não público), o que sugere que vale a pena confirmar termos específicos no momento do contacto, em vez de assumir parâmetros estáticos. E o alinhamento setorial com o portefólio e ativos da Olisipo enquanto grupo de serviços pode favorecer empresas com encaixe estratégico, no sentido em que a Olisipo possa eventualmente ser cliente, parceiro ou canal.
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