Um prémio dedicado a jovens investigadores portugueses em saúde
O Prémio Maria de Sousa é um prémio científico promovido pela Ordem dos Médicos e pela Fundação Bial em parceria exclusiva desde 2021, sob alto patrocínio do Presidente da República. Honra o legado da médica e investigadora Maria de Sousa e tem como propósito declarado criar condições para que jovens cientistas portugueses concretizem projetos de investigação ambiciosos em Ciências da Saúde.
A 6.ª edição mantém a estrutura das anteriores. A dotação total é de cento e cinquenta mil euros, distribuídos por até cinco projetos a trinta mil euros cada. As candidaturas estão abertas até 31 de maio de 2026 no portal da Fundação Bial. O júri da presente edição é presidido por Rui Costa e integra Miguel Castelo-Branco, Maria Manuel Mota, Joana Palha e João Relvas.
Necessidades que este instrumento resolve
O Prémio cruza duas funções clássicas dos instrumentos privados de apoio à ciência em Portugal: financia o trabalho de investigação científica em fase de consolidação e dá visibilidade institucional aos investigadores premiados.
- I&D e ciência: os trinta mil euros por projeto financiam dois anos de investigação em Ciências da Saúde, em curso ou de início recente. Permitem cobrir consumíveis, deslocações para colaborações, parte de tempo de equipa, custos de publicação e despesas elegíveis típicas de um projeto científico de pequena escala.
- Prémios e visibilidade: ser distinguido pelo Prémio Maria de Sousa é um marcador de reputação relevante na carreira científica nacional. Soma-se aos investigadores em fases iniciais um sinal externo de qualidade que pesa em candidaturas posteriores a bolsas FCT, ERC Starting Grants ou financiamentos competitivos europeus.
Critérios de elegibilidade
- Investigadores científicos portugueses.
- Idade igual ou inferior a 35 anos à data de submissão.
- Atividade no campo das Ciências da Saúde.
- Estágio internacional obrigatório num centro de excelência. Este requisito está alinhado com o legado de Maria de Sousa, que insistiu sempre na importância da exposição internacional na formação dos jovens cientistas portugueses.
- Projeto de investigação em curso ou em início, com duração máxima de dois anos.
Como se distribui a dotação
O modelo é deliberadamente uniforme. Não há prémio principal nem hierarquia de menções. Até cinco projetos são distinguidos com igual valor e a competição efetiva é por entrar nos cinco e não por subir num pódio. Para investigadores em fase inicial de carreira, este formato reduz a pressão de comparação direta e premeia a qualidade absoluta do projeto submetido.
Quem decide a 6.ª edição
O júri da edição 2026 reúne nomes de referência da investigação biomédica portuguesa.
- Presidente: Rui Costa.
- Vogais: Miguel Castelo-Branco, Maria Manuel Mota, Joana Palha, João Relvas.
É um júri composto por investigadores ativos e diretores de unidades de referência (Champalimaud, IMM, ICVS, IBMC), todos com perfil internacional consolidado. As candidaturas devem ser construídas com este enquadramento em mente: rigor científico, ambição da pergunta de investigação e clareza da contribuição esperada.
Marcos da edição
| Marco | Data | Detalhe |
|---|---|---|
| Submissão | Até 31 de maio de 2026 | Portal Fundação Bial (Salesforce) |
| Avaliação | junho a outubro de 2026 | Júri presidido por Rui Costa |
| Cerimónia | Data a anunciar | Sob alto patrocínio do Presidente da República |
| Execução | Até 24 meses após atribuição | Dois anos para conclusão do projeto premiado |
O que recomendamos
O Prémio Maria de Sousa não é um instrumento empresarial em sentido restrito. É um financiamento individual a investigadores em fase inicial, com vocação académica e biomédica. Ainda assim, faz parte do mapa de instrumentos que devem ser conhecidos por equipas de spin-offs universitários, fundadores de medtech e cientistas-empreendedores que ainda mantenham vínculo a unidades de investigação. Os trinta mil euros não capitalizam uma startup, mas sustentam uma linha de investigação que pode dar origem a IP transferível e a empresas posteriores.
Para investigadores que cumpram o perfil etário e o requisito de internacionalização, o esforço de candidatura compensa. A documentação é gerível, o júri é credível e a ligação ao percurso de Maria de Sousa confere ao prémio uma identidade reputacional que dificilmente se replica noutros instrumentos privados em Portugal. Faz menos sentido para investigadores cuja agenda é predominantemente translacional ou empresarial. Para esses, instrumentos como Born from Knowledge (ANI), o EIT Health ou o EIC Pathfinder oferecem dotações maiores e maior tolerância a risco aplicado.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]