Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas ja nao estao abertas.
O instrumento

O que são os projetos de investigação do RFCS

O Fundo de Investigação do Carvão e do Aço (RFCS) é um programa europeu de financiamento dedicado à investigação e inovação nos setores do carvão e do aço, alimentado pelos rendimentos do património da antiga Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. O tópico RFCS-2026-02-RPJ financia a sua tipologia central no aço: os projetos de investigação.

Trata-se de trabalho investigativo ou experimental destinado a adquirir conhecimento que facilite a obtenção de objetivos práticos específicos. É o degrau mais a montante do programa. Espera-se que as atividades comecem em níveis de maturidade tecnológica (TRL) de 1 a 3 e cheguem ao TRL 4 ou 5 no final do projeto, ou seja, da ideia validada em laboratório até à validação em ambiente relevante.

Com 20,5 milhões de euros, é o tópico mais dotado do concurso RFCS-2026 para o aço, sinal do peso que a investigação fundamental ocupa na estratégia europeia de descarbonização da siderurgia. As propostas devem responder a um ou mais dos objetivos de investigação fixados na Decisão 2008/376/CE do Conselho.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico cruza investigação de fronteira e o imperativo climático do setor. Financia ciência que ainda está longe do mercado, mas que é a condição prévia para a transformação industrial que o aço europeu tem de cumprir nas próximas décadas.

  • I&D e ciência: o RFCS reembolsa atividades de investigação em TRL baixo, desde processos de produção quase isentos de carbono até novos aços avançados, conduzidas por consórcios que reúnem centros de investigação e indústria.
  • Sustentabilidade, energia e clima: cada proposta tem de incluir uma avaliação dos benefícios industriais, económicos, sociais e ambientais esperados, alinhando a investigação com as metas do Pacto Ecológico Europeu e da neutralidade climática.
Âmbito

As quatro frentes de investigação

Os objetivos do programa de investigação do RFCS para o aço organizam-se em quatro artigos da Decisão 2008/376/CE. Qualquer proposta deve enquadrar-se em pelo menos um deles:

  • Artigo 8, processos de baixo carbono: desenvolver, demonstrar e melhorar processos de produção de aço quase isentos de carbono, elevando a qualidade do produto e a produtividade.
  • Artigo 9, aços avançados e aplicações: responder às necessidades dos utilizadores de aço com novos produtos de baixo carbono, abrindo mercados e reduzindo emissões e impactos ambientais.
  • Artigo 10, recursos, ambiente e circularidade: integrar a conservação de recursos, a preservação dos ecossistemas e a transição para a economia circular na produção e na utilização do aço.
  • Artigo 10a, força de trabalho e condições de trabalho: desenvolver e disseminar competências para acompanhar os novos processos e melhorar a saúde, a segurança e a ergonomia no local de trabalho.
Condições

Dotação, maturidade e prazo

20,5M€
Dotação do tópico RPJ
1a5
Evolução TRL esperada
16set
Prazo 2026

As candidaturas são submetidas em fase única, através do portal Funding & Tenders da Comissão Europeia, até 16 de setembro de 2026, com abertura a 17 de junho. A admissibilidade, os países elegíveis, os critérios de avaliação e as regras de financiamento constam do documento do concurso e do modelo de convenção de subvenção do RFCS. O apoio é prestado pela Agência Executiva Europeia de Investigação (REA).

Para que tipo de entidade

A quem se adequa

O tópico destina-se a centros de investigação, universidades e empresas com capacidade de I&D que trabalham na cadeia de valor do aço, organizados em consórcio europeu. É o instrumento natural para quem tem uma hipótese científica promissora mas ainda imatura para o mercado e procura financiamento para a levar do laboratório à validação em ambiente relevante.

Para uma empresa portuguesa da fileira metalúrgica, raramente faz sentido liderar este tipo de projeto em isolado. O encaixe mais comum é como parceiro industrial de um consórcio, contribuindo com casos de uso reais, dados de produção e capacidade de teste, beneficiando assim do acesso antecipado a tecnologia que vai moldar o setor.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é o tópico mais ambicioso e mais bem dotado do concurso, mas também o mais exigente em maturidade científica. A natureza de TRL baixo significa horizontes longos e resultados incertos, o que afasta empresas à procura de retorno imediato. Quem o aborda deve fazê-lo com a lógica de quem investe em conhecimento estratégico, não em capacidade produtiva.

O ponto crítico está na avaliação de benefícios industriais, económicos, sociais e ambientais que cada proposta tem de apresentar. Não basta a excelência científica, é preciso traçar uma linha credível entre a investigação e o seu impacto futuro na descarbonização do aço. Recomendamos às empresas portuguesas posicionarem-se cedo como parceiros de consórcios fortes. Aos centros de investigação, sugerimos articular esta candidatura com os tópicos de demonstração do mesmo concurso, onde o conhecimento gerado encontra continuidade. Ajudamos a avaliar o encaixe e a construir a narrativa de impacto que distingue as propostas vencedoras.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]