Um piloto para um turismo que deixa valor onde passa
Esta call, com o código PPPA-2026-SOCIAL-ECONOMY-TOURISM, é um projeto-piloto promovido pela Comissão Europeia ao abrigo dos Pilot Projects and Preparatory Actions. O objetivo é integrar os princípios da economia social no turismo sustentável e fomentar a cooperação transnacional entre comunidades locais ao longo de uma ou mais grandes rotas pedestres que atravessam Estados-Membros da União Europeia.
A lógica é usar rotas de longa distância já existentes como casos de teste para modelos de turismo sustentável, com uma abordagem bottom-up. Em vez de impor soluções, o piloto procura que as comunidades locais identifiquem os desafios das suas rotas, codesenhem respostas e se apropriem delas, criando modelos replicáveis noutras regiões europeias. O foco está, sobretudo, nas zonas rurais.
Necessidades que este instrumento resolve
A call cruza duas necessidades que raramente aparecem juntas em instrumentos de turismo: o impacto social nas comunidades e a cooperação além-fronteiras como motor de aprendizagem.
- Impacto social e inclusão: o piloto promove a inclusão social e o empreendedorismo entre grupos sub-representados como seniores, mulheres e jovens, com foco em cadeias de valor locais que retêm os benefícios económicos dentro das comunidades rurais.
- Internacionalização e cooperação: só são apoiadas parcerias transnacionais, com transferência transfronteiriça de boas práticas. A colaboração entre comunidades de diferentes países é a condição de base, não um extra.
Parcerias transnacionais de atores locais
A Comissão pretende apoiar parcerias transnacionais que reúnam quem está no terreno. Entre os atores visados estão:
- Autoridades locais e organizações de gestão de destinos (DMO).
- Entidades da economia social que já prestam serviços ou fornecem bens, ou que estejam dispostas a desenhar e desenvolver novos serviços alinhados com os objetivos da call.
- Outros stakeholders do turismo ativos ao longo das rotas selecionadas.
Para uma empresa ou entidade portuguesa, a porta de entrada natural é integrar um consórcio com parceiros de outros Estados-Membros que partilhem uma rota ou um segmento de rota. As condições detalhadas de elegibilidade de países e entidades constam das secções 6 e 7 do documento da call.
O que as propostas têm de endereçar
Para que a iniciativa gere benefícios duradouros e inclusivos, todas as propostas devem ponderar um conjunto de temas:
- Envolver as comunidades locais na identificação dos desafios das rotas e na coautoria das soluções, integrando património cultural e desenvolvimento rural.
- Considerar as necessidades concretas das entidades de economia social e como se alinham com uma procura turística em evolução.
- Ter em conta a perceção das comunidades sobre os impactos do turismo, para assegurar retornos socioeconómicos sustentáveis para residentes e visitantes.
- Procurar sinergias entre autoridades locais e entidades de economia social em áreas como gestão ambiental, partilha de dados, inovação digital e competências.
- Promover a inclusão e o empreendedorismo de grupos sub-representados e cadeias de valor que retenham valor localmente.
Base normativa e calendário
A call resulta da Decisão de Execução da Comissão C(2026)2037, de 30 de março de 2026, que adotou o programa de trabalho anual de 2026 para a execução dos projetos-piloto, incluindo o Smart social economy model in tourism. As candidaturas são submetidas através do Funding & Tenders Portal da União Europeia, com prazo de submissão até 26 de agosto de 2026.
O que recomendamos
Este é um instrumento de nicho, mas com encaixe quase perfeito numa parte do tecido português. Portugal tem grandes rotas com projeção internacional, dos Caminhos de Santiago à Rota Vicentina. Tem também um setor de economia social maduro. A combinação de turismo de natureza, comunidades rurais e entidades sociais que aqui se procura existe no terreno e é uma vantagem competitiva real para consórcios liderados ou participados por entidades portuguesas.
O fator decisivo será a qualidade da parceria. Por se tratar de um piloto orientado à replicabilidade, a Comissão vai valorizar consórcios credíveis, com capacidade demonstrada de testar, avaliar e escalar modelos, não apenas de executar atividades locais. Quem se limitar a propor mais animação turística dificilmente passa. Quem trouxer um modelo comunitário transferível, com métricas claras de impacto social e económico, parte na frente.
O nosso conselho tem duas partes: começar cedo a construir o consórcio transnacional, porque encontrar e alinhar parceiros de outros países é a tarefa mais demorada; e desenhar a proposta a partir de uma rota concreta com problemas concretos, não de uma ideia abstrata de turismo sustentável.
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