O que e o SMP-COSME-2026-TOURSME-01
O SMP-COSME-2026-TOURSME-01 e uma chamada europeia do Single Market Programme (SMP), vertente COSME, gerida pela EISMEA - European Innovation Council and SMEs Executive Agency. O objetivo central e apoiar o estabelecimento de rotas turisticas transnacionais e/ou nacionais e o desenvolvimento dos ecossistemas de PME associados, com enfase na transição verde e digital do setor.
A chamada enquadra-se na EU Agenda for Tourism 2030 e no Transition Pathway for Tourism, respondendo ao reconhecimento da Comissão de que o turismo europeu, apesar do seu peso economico, continua fragmentado, com cadeias de valor pouco integradas entre destinos e PME com baixa capacidade de digitalização e sustentabilidade.
O que financia e como se organiza
Sao financiados projetos que implementem, no mínimo, uma rota turistica transnacional (temática ou geografica) ou, em alternativa, duas rotas nacionais em paises distintos. A dotacao total da chamada e de 6,9 milhoes de euros, distribuidos por 5 projetos com valores individuais entre 1,2 e 1,4 milhoes de euros. A duracao dos projetos vai de 30 a 48 meses, com possibilidade de extensão.
As atividades financiaveis incluem o estabelecimento de rotas funcionais e autossustentaveis, o desenvolvimento de ferramentas digitais para o turismo, formacao e reskilling de profissionais, criação de redes de colaboracao entre stakeholders locais e regionais e reforco da resiliencia competitiva do setor.
Quem pode candidatar-se
A candidatura e obrigatoriamente feita em consorcio, com entre 5 e 8 entidades independentes de paises elegiveis. O consorcio deve incluir, no mínimo:
- 3 Destination Management Organizations (DMOs) de pelo menos 2 paises elegiveis distintos
- 2 Business Support Organizations (BSOs) de pelo menos 2 paises elegiveis distintos
Para alem das DMOs e BSOs obrigatorias, o consorcio pode integrar PMEs, instituicoes de investigação e formacao, administracoes locais e regionais e outras organizações com capacidade demonstrada de apoio a PMEs no setor turistico. Os paises elegiveis sao os Estados-membros da UE e os paises associados ao SMP/EEE.
O que isto significa para os destinos portugueses
Portugal, com uma diversidade de regioes turisticas de perfil distinto - Norte histórico, Centro natural, Lisboa urbana, Alentejo enoturistico, Algarve costeiro, Açores e Madeira insulares - tem condições naturais para liderar ou coliderar consorcios com DMOs de regioes europeias similares. A exigencia de rotas transnacionais cria uma logica de parceria que beneficia destinos que ja colaborem ou partilhem temáticas (rotas medievais europeias, destinos de natureza atlantica, etc.).
As entidades municipais e intermunicipais de turismo, as associacoes regionais de turismo e as proprias regioes de turismo legalmente constituidas encaixam diretamente na figura de DMO. As associacoes empresariais sectoriais com atividade de apoio a PME turisticas enquadram-se na figura de BSO.
O que recomendamos
Este instrumento esta longe de ser de acesso simples. Com apenas 5 projetos a financiar a nível europeu e um prazo ja proximo, o processo de formacao de consorcio e o elemento mais critico. A maioria das candidaturas frustradas neste tipo de chamada perde-se na fase de construcao do consorcio: parceiros incompativeis, responsabilidades mal distribuidas ou ausencia de uma narrativa de rota coerente.
Para organizações portuguesas com capacidade de liderança de consorcio, o caminho mais realista passa por articular uma parceria com DMOs de regioes europeias que partilhem um tema forte (rotas vinicolas, percursos de patrimonio, litoral atlantico) e que tenham experiencia anterior em projetos europeus. A componente de transição digital e explicitamente valorizada: propostas que integrem ferramentas de reserva partilhada, marketing digital coordenado ou plataformas de experiencia de visitante entre destinos parceiros saem claramente na frente.
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