Contexto

A normalização europeia e quem a financia

As normas técnicas europeias, desenvolvidas pelo CEN, CENELEC e ETSI, determinam as especificacoes a que os produtos e servicos devem obedecer para circular livremente no mercado único. O problema e que o processo de normalização e dominado por grandes empresas com recursos para participar em grupos de trabalho técnicos, enquanto as PME raramente estao representadas, mesmo sendo diretamente afetadas pelas normas que resultam desse processo.

Para corrigir este desequilibrio, a Comissão Europeia criou um mecanismo de financiamento estrutural - os Framework Partnership Agreements (FPAs) - que financia organizações representativas mandatadas para defender os interesses de PME, consumidores, ambiente e trabalhadores no processo de normalização. O SMP-STAND-2026-A3 e a dotacao anual deste mecanismo para 2026.

Estrutura do Instrumento

Como funciona o FPA

O FPA distingue dois tipos de grants com funcoes distintas:

  • Action Grants (FPA-AG): financiam atividades especificas de normalização - participacao em reunioes técnicas, elaboracao de comentarios e posicoes sobre normas em desenvolvimento, representacao em grupos de trabalho do CEN/CENELEC/ETSI.
  • Operating Grants (FPA-OG): financiam o funcionamento operacional das organizações representativas - estruturas de coordenacao, secretariados, atividades de networking e disseminacao junto das organizações membros nacionais.

A taxa de reembolso chega a 95% dos custos elegiveis, o que significa que as organizações beneficiarias suportam apenas uma fracao mínima dos seus custos de representacao na normalização europeia.

95%
Taxa de reembolso
€5,75M
Dotacao 2026
4
Organizações beneficiarias
Elegibilidade

Quem pode aceder - e quem nao pode

Este instrumento tem uma particularidade estrutural relevante: os FPAs foram negociados previamente e os grants anuais de 2026 decorrem diretamente desses acordos ja celebrados. As quatro organizações beneficiarias pre-identificadas sao:

Organização Interesse representado
Small Business Standards (SBS)PME europeias
ANECConsumidores europeus
ECOSInteresses ambientais
CES / ETUCTrabalhadores (Confederacao Europeia de Sindicatos)

Estas organizações devem ser entidades legais privadas sem fins lucrativos, estabelecidas em Estados-Membros da UE e mandatadas por organizações nacionais sem fins lucrativos em pelo menos dois teros dos EM. A candidatura direta por outras entidades nao e possivel no ambito deste aviso especifico.

Relevancia para associacoes portuguesas
Embora nao seja possivel candidatar-se diretamente a este instrumento, as associacoes empresariais portuguesas de PME podem influenciar o processo de normalização europeia participando nas estruturas nacionais que alimentam a SBS e as suas organizações membros. A IAPMEI e a CIP sao os pontos de contacto habituais para esta articulacao em Portugal.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O SMP-STAND nao e um instrumento de acesso aberto para a generica das PME portuguesas. O seu impacto e indireto mas real: as normas técnicas europeias desenvolvidas com representacao adequada de PME tendem a ser mais proporcionais, com prazos de adaptação mais realistas e requisitos técnicos menos desajustados para empresas de menor dimensao.

Para associacoes empresariais setoriais com presenca ativa em grupos de trabalho técnico europeus e relevante mapear que normas em desenvolvimento poderiam ser influenciadas atraves da SBS. Para PME com produtos ou servicos afetados por normalização europeia em curso, o canal de participacao passa pelas associacoes nacionais e pelo IPQ (Instituto Portugues da Qualidade) como orgao de normalização nacional.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]