O que é

Públicos para o cinema europeu, a começar pelos mais novos

A chamada CREA-MEDIA-2027-AUDFILMEDU é uma das linhas da vertente MEDIA do programa Europa Criativa, gerida pela Agência de Execução Europeia da Educação e da Cultura (EACEA). Financia projetos de cooperação pan-europeia que aumentam o interesse, o conhecimento e o acesso dos públicos aos filmes e obras audiovisuais europeias, com prioridade para os públicos jovens e para a educação cinematográfica.

O orçamento estimado é de 7 milhões de euros. A chamada abriu a 30 de setembro de 2026 e aceita candidaturas até às 17h00 (hora de Bruxelas) de 2 de março de 2027. A avaliação decorre entre março e agosto de 2027, os resultados são comunicados em setembro e a assinatura das convenções está prevista para dezembro de 2027. A disponibilidade do orçamento depende ainda da aprovação final do orçamento da UE para 2027.

7M€
Orçamento da chamada
70%
Taxa de cofinanciamento
5países
Alcance mínimo
70/100
Limiar de aprovação
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A chamada serve organizações que trabalham na ponte entre os filmes e quem os vê. Cruza a dimensão europeia, obrigatória, com uma missão de acesso e literacia que vai além do circuito comercial.

  • Internacionalização: as atividades têm de chegar a públicos de pelo menos cinco países participantes na vertente MEDIA. A cooperação pan-europeia vale 15 dos 100 pontos da avaliação. Projetos que levam a educação cinematográfica a territórios fora da Europa também são valorizados.
  • Impacto social e inclusão: o foco nos jovens, nas zonas sem salas de cinema (os chamados desertos de cinema) e as estratégias obrigatórias de igualdade de género, inclusão e diversidade fazem do alargamento do acesso à cultura um eixo central do projeto.
O que financia

Eventos para públicos e educação cinematográfica inovadora

Os projetos têm de assentar numa análise de necessidades dos públicos e dos mercados sustentada em evidência, com metas quantificadas de impacto. Devem incluir eventos orientados para o público e iniciativas inovadoras ou transfronteiriças de educação para o cinema, com o objetivo de:

  • aumentar o interesse, o conhecimento e o acesso dos públicos, em especial jovens, aos filmes europeus, incluindo programas dedicados ao património cinematográfico;
  • reforçar o impacto e o alcance pan-europeu junto dos públicos;
  • valorizar o contributo dos filmes e obras audiovisuais europeias existentes para a formação de públicos e a literacia fílmica.

A cooperação entre instituições de cinema e plataformas online existentes é incentivada. Os impactos esperados incluem também obras audiovisuais como videojogos e conteúdos imersivos, a par do uso de novas ferramentas digitais. Pelo menos 50% dos filmes e obras do projeto têm de ser de países participantes na vertente MEDIA. Um filme de património é, para esta chamada, uma obra exibida pelo menos dez anos após o ano de produção.

O que fica de fora
Não é permitido apoio financeiro a terceiros, por isso o projeto não pode redistribuir a subvenção por outras entidades. Também não há montante máximo por projeto, mas a subvenção não pode gerar lucro: entidades com fins lucrativos declaram receitas e o eventual excedente é deduzido ao montante final.
Quem pode candidatar-se

Entidades públicas ou privadas de países da Europa Criativa

Os candidatos têm de ser pessoas coletivas, públicas ou privadas, estabelecidas num Estado-Membro da UE (incluindo países e territórios ultramarinos) ou num país do EEE ou associado ao programa Europa Criativa. Pessoas singulares não são elegíveis, com exceção dos empresários em nome individual. Organizações internacionais também podem participar.

  • Composição: são aceites candidaturas de um único beneficiário ou de consórcios com pelo menos dois beneficiários.
  • Balcões Europa Criativa: as entidades que acolhem os Creative Europe Desks podem concorrer, desde que separem funções e custos através de contabilidade analítica.
  • Capacidade: a capacidade financeira é verificada sobretudo nos coordenadores, com isenção para organismos públicos, entidades culturais com mais de 50% de receitas públicas nos últimos dois anos e pedidos até 60 mil euros.
  • Formato: submissão eletrónica no portal Funding & Tenders, com a parte técnica limitada a 70 páginas.
Avaliação

Relevância vale quase metade da nota

CritérioPontosO que pesa mais
Relevância45Potencial para atrair novos públicos e jovens (15) e dimensão europeia das parcerias (15)
Qualidade do conteúdo e atividades35Qualidade global e metodologia (15) e inovação na educação cinematográfica e nas ferramentas (15)
Gestão do projeto10Distribuição de papéis e parcerias anteriores
Disseminação10Promoção dos resultados e recolha de dados sobre o alcance

Não há limiares por critério, apenas um limiar global de 70 pontos em 100. Em caso de empate, a prioridade vai para a nota de relevância, depois para a de disseminação e por fim para a de qualidade. Quem já foi financiado tem de mostrar, de forma estruturada, como a nova proposta parte dos resultados e inovações dos projetos anteriores.

A subvenção baseia-se em custos reais (com elementos de custos unitários e taxas fixas) e reembolsa 70% dos custos elegíveis. O projeto inclui obrigatoriamente um pacote de trabalho de gestão.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Esta é uma chamada para quem já faz formação de públicos com consistência: festivais com programas escolares, cineclubes, cinematecas, distribuidores com atividade educativa, plataformas de streaming de autor. O critério de relevância premeia parcerias alargadas e a entrada de organizações novas ou de base local, pelo que consórcios portugueses com parceiros em vários países e presença em territórios do interior têm um argumento forte, porque respondem diretamente à prioridade dos desertos de cinema.

O ponto que mais propostas falham é a análise de necessidades. A EACEA pede evidência sólida sobre os públicos e metas quantificadas. Reserva ainda cinco pontos para a forma como os dados de impacto vão ser recolhidos e analisados. Recomendamos desenhar o sistema de medição antes das atividades e não depois.

Como a taxa é de 70% e o modelo é de custos reais, os parceiros têm de garantir os 30% restantes e uma contabilidade capaz de justificar cada despesa. Para entidades culturais com receitas maioritariamente públicas, a isenção da verificação de capacidade financeira simplifica a fase de preparação da convenção.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]