O que é

Financiar o desenvolvimento de um portefólio inteiro

O CREA-MEDIA-2027-DEVSLATE é a edição de 2027 do European Slate Development, um dos apoios centrais da vertente MEDIA do programa Europa Criativa. Abriu a 30 de setembro de 2026 e aceita candidaturas até às 17h00 (hora de Bruxelas) de 1 de dezembro de 2026, numa única fase. A dotação para 2027 é de 22 374 320 euros, atribuída sob a forma de subvenções de montante fixo (CREA Lump Sum Grants).

O apoio destina-se a produtoras europeias independentes capazes de desenvolver um slate de três a cinco obras audiovisuais de ficção, animação ou documentário criativo, pensadas para exploração comercial em sala de cinema, televisão ou plataformas digitais. A produtora pode acrescentar ao slate, a título opcional, uma curta-metragem realizada por um talento emergente, apoiada na estrutura de uma empresa experiente.

Financiar um portefólio em vez de um projeto isolado reduz o risco da fase de desenvolvimento, que é a mais difícil de financiar no audiovisual. A produtora distribui o esforço por várias obras, ganha margem para reter talento e chega à fase de financiamento de produção com projetos mais maduros e com potencial de circulação para lá do mercado de origem.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A chamada trata duas fragilidades típicas das produtoras independentes de mercados pequenos como o português: pouca capacidade própria para investir em desenvolvimento e dependência de um único mercado.

  • Internacionalização: o objetivo declarado é reforçar a posição das empresas selecionadas nos mercados europeu e internacional, com obras de potencial transfronteiriço e estratégias de marketing e distribuição pensadas desde o início do desenvolvimento. A cooperação e o codesenvolvimento com operadores de outros países MEDIA são expressamente incentivados.
  • Capitalização e crescimento: o texto da chamada fala em consolidar a capacidade de investimento das produtoras na fase de desenvolvimento e em alargar a atividade a novos campos e mercados. O montante fixo liberta a empresa de uma parte do custo de escrita, pesquisa, pacote de financiamento e preparação de coprodução.
Quem pode aceder

Produtoras independentes com slate definido

A chamada dirige-se a produtoras audiovisuais europeias independentes, estabelecidas em países que participam na vertente MEDIA do Europa Criativa, onde Portugal se inclui. As regras detalhadas de elegibilidade (países, independência face a radiodifusores, experiência exigida, limites de montante por slate e critérios de adjudicação) estão no call document publicado no portal Funding & Tenders e não constam da ficha do tópico que serve de base a este artigo. Devem ser lidas nesse documento antes de qualquer decisão.

Documentos específicos
Além do formulário normalizado, a candidatura inclui o Creative Dossier comum às chamadas CODEV, DEVSLATE e DEVMINISLATE, a declaração de independência e controlo acionista e a informação sobre a língua dos documentos. O acordo de subvenção segue o modelo de montante fixo (Lump Sum MGA).

A avaliação dá atenção especial a candidaturas com estratégias credíveis para uma indústria mais sustentável e com menor impacto ambiental, a par do equilíbrio de género, da inclusão, da diversidade e da representatividade. Estes pontos pedem medidas concretas e verificáveis no dossiê.

Calendário

De dezembro de 2026 a agosto de 2027

EtapaData indicativa
Publicação e abertura30 de setembro de 2026
Prazo de submissão1 de dezembro de 2026, 17h00 (Bruxelas)
Avaliaçãodezembro de 2026 a abril de 2027
Comunicação de resultadosmaio de 2027
Assinatura do acordoagosto de 2027
22,4M€
Dotação 2027
3 a 5obras
Dimensão do slate
293
Propostas na edição 2026

Para comparação, a edição anterior (CREA-MEDIA-2026-DEVSLATE) dispôs de cerca de 21 milhões de euros e recebeu 293 propostas. O envelope de 2027 é ligeiramente maior, mas a procura tende a acompanhar, pelo que a seleção continuará a ser muito competitiva.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Com dois meses entre a abertura e o prazo, esta chamada só é realista para produtoras que já têm o slate definido e os projetos com tratamento, nota de intenções e primeira abordagem de financiamento escritos. Quem ainda está a escolher as obras deve olhar para a próxima edição ou para o formato de mini-slate, que o MEDIA tem mantido em paralelo para produtoras com menos projetos em carteira.

O argumento que mais separa candidaturas é o potencial de circulação europeia de cada obra, sustentado com dados: coprodutores ou distribuidores já contactados noutros países, festivais e mercados visados, público de referência. A estratégia de distribuição tem de aparecer desde o desenvolvimento, porque é isso que a chamada pede de forma explícita. A curta de talento emergente, sendo opcional, pode reforçar a candidatura se estiver bem integrada na linha editorial da produtora.

Por último, a subvenção de montante fixo simplifica o reporte (o pagamento depende da execução das atividades acordadas), mas exige um orçamento bem construído de raiz. Um orçamento subdimensionado não se corrige depois da assinatura.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]