O que é

Financiar a fase mais arriscada de um jogo

O concurso CREA-MEDIA-2027-DEVVGIM é a linha anual da vertente MEDIA do programa Europa Criativa dedicada a videojogos e conteúdo imersivo interativo. Gerida pela Agência de Execução Europeia da Educação e da Cultura (EACEA), financia o desenvolvimento de jogos narrativos e experiências de realidade estendida com potencial para chegar a audiências globais.

O apoio concentra-se na pré-produção: da primeira ideia até à entrega do primeiro protótipo. É a fase em que um estúdio independente mais depende de capitais próprios e em que um publisher costuma exigir mais propriedade intelectual em troca de financiamento. Um dos objetivos declarados do concurso é precisamente permitir que os criadores europeus retenham a propriedade intelectual dos seus jogos.

O orçamento disponível é de 13,5 milhões de euros. Cada projeto pode pedir até 200 000 euros, calculados como 60% do orçamento estimado e pagos em montante fixo. O concurso abriu a 30 de setembro de 2026 e fecha a 2 de fevereiro de 2027, às 17h de Bruxelas. O orçamento ainda depende da aprovação final do orçamento da UE para 2027.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O concurso financia trabalho criativo e técnico de desenvolvimento. O alcance internacional de cada projeto é medido logo na candidatura.

  • Arranque e validação: o financiamento cobre o conceito, o documento de design, a arte de referência e o protótipo jogável (first playable, vertical slice, versão Alpha ou demo), ou seja, aquilo de que um estúdio precisa para ir buscar o financiamento de produção.
  • Internacionalização: 20 dos 100 pontos avaliam o potencial de exploração europeia e internacional, a estratégia de localização e o marketing junto de audiências desde cedo.
O que é financiado

Só pré-produção de obras narrativas

São elegíveis conceitos e protótipos de narrativa interativa com conteúdo original ou jogabilidade de qualidade, destinados a produção e exploração comercial global em PC, consolas, dispositivos móveis e outras plataformas. A narrativa tem de estar presente ao longo de todo o jogo ou experiência, não apenas numa introdução ou num final.

A produção não é elegível. A Comissão define-a como a fase que começa com o teste e a depuração do primeiro protótipo e termina na Gold Master ou equivalente. Os custos incluídos no orçamento só podem dizer respeito à pré-produção.

Géneros e formatos excluídos
Ficam de fora, mesmo com elemento narrativo: jogos de puzzle, memória, desporto, corridas, running, ritmo, canto ou dança, jogos sociais, quizzes, party games, jogos de luta, de palavras, de números e de raciocínio. Também não entram projetos de formação ou terapia, instalações artísticas, visitas imersivas e experiências para retalho, conteúdos promocionais ou institucionais, plataformas e redes sociais, ferramentas puramente tecnológicas, obras de referência, e-books interativos e serviços transacionais.
Quem pode aceder

Estúdios com um jogo à venda desde 2024

Podem candidatar-se empresas cuja atividade principal seja a produção ou o desenvolvimento de videojogos, software de entretenimento ou produção audiovisual: estúdios de jogos, estúdios XR e produtoras audiovisuais. Têm de estar estabelecidas num país que participe plenamente na vertente MEDIA e ser detidas maioritariamente por nacionais desses países. Os publishers não são elegíveis.

O requisito que mais candidaturas elimina é a experiência do coordenador. Tem de provar que produziu ou desenvolveu um videojogo ou experiência imersiva distribuída comercialmente entre 1 de janeiro de 2024 e a data-limite do concurso, com relatório de vendas que o demonstre. Não contam:

  • trabalho por encomenda (work-for-hire) feito para outra empresa;
  • créditos pessoais de um membro da equipa noutro estúdio;
  • jogos em Early Access, por não serem obras concluídas;
  • obras sem receita, porque o jogo tem de ter gerado rendimento (vendas, itens no jogo ou publicidade).

A candidatura pode ser individual ou em consórcio de pelo menos dois beneficiários. O estúdio tem de deter os direitos do projeto (ou os direitos de adaptação), por contrato de transmissão ou opção com duração suficiente para todo o calendário de desenvolvimento.

Atenção à regra de uma candidatura por família
Cada empresa só pode coordenar uma candidatura entre quatro concursos: CODEV, DEVSLATE, DEVMINISLATE e DEVVGIM. Se coordenar mais do que uma, só é avaliada a do concurso com prazo mais cedo e as restantes são declaradas inelegíveis, seja qual for o resultado da primeira. Como o DEVSLATE fecha a 1 de dezembro de 2026, um estúdio que coordene uma candidatura ao DEVSLATE perde a do DEVVGIM.
Como é avaliado

Inovação vale mais do que qualquer outro subcritério

CritérioPontosO que pesa
Relevância35Originalidade do conceito (10), nível de inovação em jogabilidade, imersão, tecnologia ou abordagem visual (15), sustentabilidade ambiental (5), igualdade de género e inclusão (5)
Qualidade do conteúdo25Narrativa, abordagem visual, design gráfico e de som, acessibilidade, integração entre jogabilidade e história, design de níveis e personagens
Gestão do projeto20Plano e orçamento de desenvolvimento (10), estratégia de financiamento da produção, capacidade de atrair publishers e potencial de vendas (10)
Disseminação20Potencial transnacional, equipa, localização e plataformas (10), estratégia de marketing e envolvimento precoce da audiência (10)

O limiar global é de 70 pontos em 100, sem limiares por critério. A Parte B está limitada a 50 páginas e tem de ser acompanhada de um dossiê criativo (jogabilidade, interface, design de níveis e personagens, bíblia gráfica, guião, storyboard), prova de direitos e documentos de financiamento e distribuição.

70/100
Limiar global
70%
Pré-financiamento
36
Meses no máximo

O calendário indicativo prevê avaliação entre fevereiro e junho de 2027, comunicação de resultados em julho e assinatura do contrato em outubro de 2027. Após a assinatura, o estúdio recebe normalmente um pré-financiamento de 70% do montante máximo.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para um estúdio português com um jogo publicado e receitas desde 2024, este é provavelmente o apoio público mais adequado ao desenvolvimento de um segundo título. Os 200 000 euros a 60% pressupõem um orçamento de pré-produção na ordem dos 333 000 euros, o que obriga a ter os restantes 40% assegurados com capitais próprios, apoios nacionais ou um acordo de pré-financiamento. Vale a pena planear essa combinação desde o início, porque a estratégia de financiamento da produção também é avaliada.

Antes de investir na candidatura, confirmar três pontos que eliminam projetos sem avaliação: o jogo anterior foi lançado como obra completa e tem relatório de vendas no período certo; o novo projeto não cai num género excluído; o estúdio não coordena outra candidatura no DEVSLATE, no DEVMINISLATE ou no CODEV.

Na escrita, o subcritério de inovação (15 pontos) decide muitas classificações. Um bom jogo bem descrito não chega: a candidatura tem de mostrar em que medida a jogabilidade, a tecnologia ou a abordagem visual vão além da oferta existente. O protótipo previsto deve estar desenhado para servir de instrumento de angariação junto de publishers e investidores no fim do projeto.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]