Aprender a gerir uma empresa dentro de outra
O Erasmus para Jovens Empreendedores (Erasmus for Young Entrepreneurs) é um programa europeu de intercâmbio entre empresários. Um novo empreendedor, que está a lançar um negócio ou o fez nos últimos três anos, passa uma temporada numa pequena ou média empresa de outro país participante, a trabalhar lado a lado com o empresário que a dirige. A estadia é parcialmente financiada pela Comissão Europeia, no quadro do Programa do Mercado Único.
O nome engana quem pensa no Erasmus universitário. Não há limite de idade: o "jovem" refere-se à empresa, não ao empreendedor. O intercâmbio também está longe de ser um estágio. As regras do programa proíbem expressamente que a empresa de acolhimento use o intercâmbio como mão de obra gratuita e que o novo empreendedor o use como formação profissional ou prolongamento de um emprego. O objetivo é transferir competências de gestão entre empresários.
Desde o arranque, o programa somou mais de 15 800 intercâmbios, com cerca de 29 200 candidaturas de novos empreendedores e 16 700 de empresários de acolhimento. As candidaturas estão sempre abertas e são geridas por uma rede de pontos de contacto locais (câmaras de comércio, incubadoras, centros de apoio a startups), coordenados a nível europeu por um gabinete de apoio.
Necessidades que este instrumento resolve
O valor do programa está no tempo de convivência com quem já resolveu os problemas que o novo empreendedor vai enfrentar e numa porta de entrada num mercado estrangeiro. Investimento e capital ficam fora do âmbito.
- Arranque e validação: o novo empreendedor apresenta um plano de negócio na candidatura e usa a estadia para o testar contra a experiência de um empresário estabelecido, antes ou logo depois de abrir a empresa.
- Formação e qualificação: a aprendizagem é prática e incide sobre gestão de uma pequena empresa (vendas, operações, finanças, pessoas), ao longo de um plano de trabalho com objetivos acordados entre as duas partes.
- Internacionalização: para ambos os lados, o intercâmbio abre contactos noutro mercado europeu. O programa refere como desfechos frequentes parcerias de longo prazo, subcontratação, relações de fornecimento e joint ventures.
Dois perfis, com papéis diferentes
| Novo empreendedor | Empresário de acolhimento | |
|---|---|---|
| Perfil | Planeia firmemente criar empresa ou criou uma nos últimos três anos | Detém ou dirige uma PME num país participante |
| Residência | Estado-Membro da UE ou país terceiro do Programa do Mercado Único | UE, país do Programa do Mercado Único ou país terceiro aderente (por exemplo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Singapura) |
| Candidatura | CV, motivação e plano de negócio | CV e motivação |
| O que recebe | Bolsa para despesas de viagem e estadia no estrangeiro, paga em prestações | Novas ideias, competências complementares e contactos noutro mercado |
Empresas e empreendedores portugueses podem participar em qualquer dos papéis. Uma PME portuguesa pode acolher um empreendedor de outro país europeu e um empreendedor português pode fazer a estadia numa empresa estrangeira. O montante e o calendário de pagamento da bolsa ficam fixados no acordo financeiro que o novo empreendedor assina com o seu ponto de contacto local.
Um intercâmbio montado a dois, com acompanhamento local
Cada participante regista-se na plataforma oficial e escolhe um ponto de contacto local no seu país de residência, que avalia a candidatura e acompanha todo o processo. A candidatura tem de ser feita pelo próprio empreendedor: pedidos submetidos por terceiros levam à exclusão e, se for o caso, à devolução da bolsa. A participação é gratuita e nenhuma organização pode cobrar taxas.
Depois de aceite, o participante pode propor um parceiro com quem já esteja em contacto ou procurar um no catálogo online de candidaturas válidas. As duas partes acordam datas, objetivos e plano de atividades e assinam digitalmente um compromisso de qualidade. A estadia dura de um a seis meses e pode ser dividida em blocos semanais, desde que o conjunto não ultrapasse doze meses.
O que recomendamos
Para um fundador em fase inicial, este é um dos poucos apoios europeus de acesso individual e sem concorrência por dotação fechada. Faz mais sentido para quem quer entrar num setor ou num mercado onde uma PME estrangeira já tem provas dadas. Faz pouco sentido para quem procura financiamento para o próprio negócio, já que a bolsa se destina apenas a deslocação e estadia. O programa só aceita candidaturas sólidas, pelo que o plano de negócio deve mostrar com clareza o que se quer aprender e com que tipo de empresa.
Para uma PME portuguesa já estabelecida, acolher um empreendedor estrangeiro é uma forma barata de testar um mercado externo ou de trazer competências que faltam à equipa, sem custo de participação. O ganho depende da escolha do par e de um plano de trabalho com objetivos concretos para as duas partes. Empresas com planos sérios de internacionalização devem tratar o intercâmbio como um primeiro passo exploratório e combiná-lo com instrumentos de financiamento próprios, como os avisos SICE de internacionalização.
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