O que são as ESPON Targeted Analyses
A ESPON é o programa europeu que constrói, desde 2002, uma base de conhecimento sobre dinâmicas territoriais à escala pan-europeia. As Targeted Analyses são a sua linha mais próxima de quem decide políticas no terreno: estudos analíticos orientados pela procura, desenhados à medida de necessidades concretas de uma autoridade pública.
O princípio é simples e poderoso. Quando uma autoridade nacional, regional ou local enfrenta um desafio territorial e precisa de evidência comparada para fundamentar uma decisão, a ESPON seleciona e financia integralmente os peritos que realizam o trabalho analítico. O resultado é evidência territorial talhada para as necessidades específicas do stakeholder, com uma perspetiva europeia que permite aprender com regiões que enfrentam desafios semelhantes noutros países.
A ESPON anunciou a sexta data de corte para a submissão de propostas no âmbito do Programa ESPON 2030: 30 de setembro de 2026. As propostas podem ser submetidas a qualquer momento, mas a ESPON EGTC avalia-as duas vezes por ano, nas datas de corte fixadas.
Necessidades que este instrumento resolve
Ao contrário da generalidade dos instrumentos da biblioteca, as Targeted Analyses não financiam empresas nem investimento produtivo. Financiam conhecimento aplicado para decisores públicos. É por isso que aparecem quando se filtra por necessidades de I&D e ciência.
- I&D e ciência: a ESPON aplica metodologias rigorosas e mobiliza peritos académicos para produzir estudos analíticos demand-driven, com indicadores, dados e recomendações de política baseadas em evidência, ligados a um dos oito Thematic Action Plans do programa.
Quem pode propor uma análise
As propostas podem ser apresentadas por grupos de stakeholders que partilham uma necessidade analítica comum ou por stakeholders individuais. É também possível envolver organizações guarda-chuva de nível europeu, nacional, regional ou local na coordenação de uma Targeted Analysis.
- Quem se candidata: autoridades nacionais, regionais e locais, grandes cidades ou comunidades rurais, autoridades de gestão e organismos de cooperação territorial.
- Requisitos da proposta: deve refletir o contexto territorial específico e as necessidades de política do stakeholder, relacionar-se com um dos oito Thematic Action Plans e incorporar uma perspetiva europeia mais ampla.
- Viabilidade: a análise tem de ser exequível em termos de metodologia, indicadores e disponibilidade de dados. O envolvimento ativo do stakeholder ao longo de todo o processo é determinante para a utilidade dos resultados.
Do proposta ao estudo financiado
Se a proposta for selecionada, o stakeholder é convidado a co-criar um documento de Termos de Referência com a ESPON EGTC. Esta lança depois um procedimento de contratação pública, com a participação do stakeholder na avaliação das propostas, antes de assinar um contrato de serviço com o melhor concorrente, atuando como autoridade adjudicante para garantir que a qualidade do serviço corresponde às expetativas.
Cada Targeted Analysis tem tipicamente um orçamento dedicado de cerca de 250.000 euros, que financia o trabalho dos peritos e permite ao stakeholder interagir com investigadores especializados no tema. Ao longo do processo, o stakeholder participa em eventos ESPON, transnacionais e organizados em cooperação com as presidências da UE, passando a integrar uma comunidade internacional de decisores e peritos. Se uma proposta não for selecionada, pode ser melhorada e resubmetida numa data de corte futura.
O que recomendamos
As Targeted Analyses são um instrumento singular: não há candidatura financeira a preparar nem cofinanciamento a assegurar, porque a ESPON financia a totalidade do estudo. O esforço do stakeholder não é orçamental, é de definição. O sucesso depende quase inteiramente da clareza com que a necessidade de política é formulada e da capacidade de a ligar a uma pergunta com relevância europeia.
Para municípios, comunidades intermunicipais e autoridades de gestão portuguesas, este é um recurso pouco explorado para fundamentar estratégias territoriais com evidência comparada de outras regiões europeias. O erro mais comum é tratar a proposta como um pedido de estudo genérico. Recomendamos investir tempo na formulação da pergunta, no envolvimento ativo previsto ao longo da análise e na demonstração de como os resultados entrarão de facto no processo de decisão, porque é isso que distingue as propostas selecionadas das que ficam pelo caminho.
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