Computação avançada em modalidade Via Rápida
O Concurso de Projetos de Computação Avançada da FCT é o mecanismo pelo qual o Estado português aloca recursos computacionais de alta intensidade a equipas de investigação e a empresas que executam projetos com requisitos que ultrapassam os meios institucionais individuais. Não é um financiamento monetário direto. É a atribuição de tempo de cálculo em supercomputadores e plataformas de IA e cloud científica geridas pela Rede Nacional de Computação Avançada (RNCA), operada pela FCT através da FCCN.
Este aviso corresponde ao Lote E da 6.ª edição em modalidade Via Rápida, cobrindo as tipologias A2 (Acesso Regular) e A3 (Acesso de Grande Dimensão). A Via Rápida é uma janela contínua de avaliação técnica em ciclos curtos, pensada para projetos cujo plano de trabalho exige acesso rápido aos recursos, sem esperar pelo calendário do concurso principal. As candidaturas são processadas por ordem de chegada até esgotar a quota disponível por lote.
Necessidades que este instrumento resolve
A computação avançada é um recurso instrumental para qualquer projeto onde a fronteira da investigação ou da inovação depende de capacidade de cálculo. Este concurso responde a uma necessidade específica do ecossistema português: dar acesso a HPC, IA e cloud científica sem obrigar cada instituição ou empresa a construir e manter infraestrutura própria.
- I&D e ciência: as tipologias A2 e A3 destinam-se a projetos em fase de produção científica e tecnológica, com plano de utilização robusto e métricas de eficiência demonstráveis. A alocação cobre simulações numéricas, treino de modelos de IA, processamento de dados massivos, modelação climática, bioinformática, química computacional e qualquer carga de trabalho que tipicamente requer um data center especializado.
A2 e A3, o que separa as duas
A diferença entre A2 e A3 está na escala dos recursos solicitados. A2 cobre projetos consolidados que precisam de capacidade significativa mas finita. A3 destina-se a projetos cujos requisitos de escalabilidade justificam dedicar uma fração relevante da capacidade nacional.
| Tipologia | CPU core.hours | GPU.hours | Duração máx. |
|---|---|---|---|
| A2 · Acesso Regular | 100.000 a 3.000.000 | Até 10.000 | 12 meses |
| A3 · Acesso de Grande Dimensão | 3.000.000 a 30.000.000 | Até 100.000 | 12 meses |
As candidaturas podem selecionar entre três modelos computacionais consoante a natureza do trabalho: HPC clássico (simulação numérica intensiva), AI Computing (treino e inferência com GPU) e Scientific Cloud Computing (cargas elásticas e ambientes virtualizados). A escolha do modelo condiciona a plataforma alocada e a tabela de equivalência de recursos.
Quem pode candidatar-se
A elegibilidade é ampla mas tem uma restrição estrutural que importa interiorizar antes de candidatar. O concurso aceita:
- Instituições de I&D, laboratórios colaborativos, centros de interface tecnológico, infraestruturas de I&D e redes científicas a operar em Portugal.
- Entidades sem fins lucrativos que conduzam atividade de investigação demonstrável.
- Polos de Inovação Digital (Digital Innovation Hubs) registados no ecossistema nacional.
- Empresas que desenvolvam projetos de inovação pré-competitiva, ou seja, com componente de I&D que ainda não chegou à fase de comercialização direta.
- Investigadores individuais a operar em Portugal, fora do enquadramento institucional formal.
Validação técnica, não ranking científico
Diferentemente de concursos competitivos clássicos, este concurso não classifica candidaturas por mérito científico relativo. A avaliação é exclusivamente técnica e baseia-se em três eixos:
- Adequação técnica: o projeto faz uso efetivo das capacidades de computação avançada disponíveis e não poderia ser executado em meios institucionais correntes.
- Razoabilidade dos recursos: o volume de CPU, GPU, armazenamento e largura de banda solicitado é proporcional ao plano apresentado, sem inflação especulativa.
- Planeamento de utilização: calendário de execução realista, distribuição da carga computacional ao longo dos 12 meses, métricas de eficiência (uso real vs. alocado) e capacidade de tirar partido da infraestrutura escolhida.
As candidaturas que passam estes três crivos são aceites por ordem de chegada até esgotar a quota disponível no lote. A consequência prática é direta: submeter cedo aumenta materialmente a probabilidade de aprovação. Submeter tarde, mesmo com proposta forte, pode colidir com quota já esgotada.
Janela aberta de maio a setembro
A submissão é feita exclusivamente pela plataforma myFCT. As janelas de avaliação técnica da Via Rápida correm em paralelo durante todo o período, com lotes de processamento curtos. Os resultados são anunciados pela FCT em lotes, por ordem de chegada e disponibilidade de recursos, não numa data única final.
Origem dos fundos da RNCA
A operação da RNCA é financiada por uma combinação de fundos nacionais e regionais. Esta arquitetura é relevante porque condiciona, em alguns casos, a elegibilidade geográfica ou a tipologia de projeto que pode ser alocada a cada plataforma. Os instrumentos que sustentam o programa incluem:
- PRR: Plano de Recuperação e Resiliência, componente de infraestruturas digitais e capacitação computacional.
- Portugal 2030 e Programas Regionais: Norte 2030, Lisboa 2030, Algarve 2030 e COMPETE 2030 cofinanciam plataformas específicas da RNCA.
O concurso articula-se ainda com o ecossistema EuroHPC ao nível europeu, o que dá visibilidade a projetos portugueses na rede continental de supercomputação e abre, em casos pontuais, acesso a recursos transnacionais.
O que recomendamos
A Via Rápida é o mecanismo certo para equipas que já têm o plano técnico definido e precisam de arrancar sem esperar pelo calendário do concurso principal. Em particular, é útil para projetos de I&D empresarial que dependem de uma janela de mercado, ou para investigação que precisa de processar um conjunto de dados específico num horizonte curto.
Há três erros comuns que vemos em candidaturas a este tipo de concurso. O primeiro é dimensionar mal a alocação, pedindo recursos manifestamente superiores ao que o plano consegue absorver: a avaliação técnica deteta isto e penaliza a proposta. O segundo é não justificar por que o projeto não pode correr em infraestrutura institucional própria, o que enfraquece o critério de adequação técnica. O terceiro é submeter tarde no lote, ignorando que a quota se esgota por ordem de chegada.
Para empresas, a restrição dos 50% por lote tem implicação estratégica: vale a pena considerar a candidatura em consórcio com uma instituição de I&D, sobretudo quando o projeto tem componente científica clara. Reforça o perfil da proposta e ajuda a posicionar a empresa fora do teto empresarial agregado.
Por fim, a documentação de suporte (regulamento, aviso de abertura, especificações técnicas das plataformas, guia de candidatura, guia de avaliação e tabela de equivalência de recursos) está disponível no myFCT e no portal do concurso. Vale o tempo de a ler com atenção antes de calibrar o pedido: a tabela de equivalência é decisiva para pedir CPU vs. GPU vs. armazenamento de forma realista.
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