Uma infraestrutura comum para notícias de interesse público
O tópico HORIZON-BRIDGING-2027-01-09 financia a passagem a operação real de uma infraestrutura de inteligência artificial para plataformas pan-europeias de media de interesse público. A ideia é que notícias e informação de meios profissionais de toda a UE e dos países associados cheguem em tempo real a mais pessoas, traduzidas, classificadas e adaptadas por IA aos diferentes canais e públicos.
Integra a call Bridging actions 2027, do programa de trabalho de Atividades Horizontais do Horizonte Europa. Responde à secção sobre setores culturais, criativos e media da Estratégia Apply AI e ao Escudo Europeu da Democracia. Não parte do zero: deve consolidar e validar componentes de pilotos já existentes, como a ação "Supporting multilingual access to trusted news and public-interest information across Europe", e resultados de projetos do Horizonte Europa e do Programa Europa Digital, preparando a expansão a partir de 2028.
É uma Innovation Action com 10 milhões de euros para um único projeto. As atividades começam em TRL 6 e devem chegar a TRL 8, ou seja, a um sistema completo e qualificado em condições reais. O concurso abre a 20 de outubro de 2026 e fecha a 16 de fevereiro de 2027, às 17h de Bruxelas, numa só fase.
Necessidades que este instrumento resolve
O tópico junta desenvolvimento de IA aplicada à validação em ambiente real. Para uma empresa de tecnologia da linguagem ou de media, é financiamento para levar componentes que já funcionam em piloto até uma infraestrutura com níveis de serviço declarados.
- Digitalização e IA: tradução automática, incluindo línguas europeias com poucos recursos, classificação e análise linguística, fluxos multimodais de adaptação de vídeo e áudio, jornalismo modular personalizado e interações do tipo assistente de IA através de uma API.
- I&D e ciência: métodos de avaliação abertos, documentação, explicabilidade e registo das decisões dos modelos, rastreio da proveniência de conteúdos e salvaguardas contra conteúdo sintético ou manipulado.
O que a infraestrutura tem de entregar
O programa de trabalho define quatro resultados concretos e um conjunto de exigências técnicas que a proposta tem de cobrir:
- Infraestrutura modular e interoperável: componentes de IA para fluxos multilingues e multimodais, interoperabilidade de metadados para difusão televisiva e streaming, interação com redes sociais e experiências de conteúdo adaptativas, validadas contra níveis de serviço declarados, com armazenamento gerido ao longo do ciclo de vida, quadro de indicadores e avaliação independente.
- Acesso igual para todos os meios: condições de adesão para emissoras públicas, pequenos editores locais, PME, instituições culturais e sociedade civil, com SDK, documentação, API abertas e percursos de integração para os atores mais pequenos.
- Segurança e governação desde a conceção: rastreabilidade das decisões-chave, interações justas entre pessoas e dados, mecanismos de reclamação e auditoria, quadros de governação e interoperabilidade validados.
- Proveniência dos conteúdos: informação de origem, metadados de atribuição e sinais de verificação fiáveis, com articulação com verificadores de factos quando relevante.
A proposta deve ainda demonstrar um caminho credível para cobrir as línguas europeias, garantir acessibilidade, suportar formatos emergentes e assegurar a sustentabilidade depois do fim do financiamento. Ferramentas que liguem os fluxos editoriais às plataformas (ingestão, agregação, curadoria, troca de metadados, parâmetros de direitos e licenciamento) são uma necessidade da indústria que o texto nomeia expressamente.
Regras gerais do Horizonte Europa com uma restrição
| Condição | Regra |
|---|---|
| Países elegíveis | Estados-Membros e países associados ao Horizonte Europa, nos termos do Anexo Geral B |
| Consórcio | Regra geral das Innovation Actions: pelo menos três entidades independentes de três países diferentes, sendo uma de um Estado-Membro |
| Restrição específica | Aplicam-se as restrições para proteção das redes de comunicações europeias previstas no Anexo Geral B, que afastam fornecedores de equipamento de rede considerados de alto risco |
| Taxa de financiamento | 70% para entidades com fins lucrativos, 100% para entidades sem fins lucrativos |
| Calendário | Abre a 20/10/2026, fecha a 16/02/2027 às 17h00 de Bruxelas, fase única |
A avaliação segue os critérios gerais do Horizonte Europa (excelência, impacto, qualidade e eficiência da execução), descritos no Anexo Geral D. A mesma call tem outros tópicos de IA aplicada com o mesmo prazo, entre eles cidades de condução autónoma, plataformas de IA para o sistema energético e metodologias para escalar modelos de fronteira.
Tecnologia da linguagem, meios de comunicação e verificação
O tópico interessa sobretudo a quatro perfis. Empresas de tecnologia da linguagem e de IA com tradução, transcrição ou análise de conteúdos já testadas em piloto. Emissoras e grupos de media, públicos e privados, que queiram ser utilizadores e fornecedores de conteúdo da plataforma. Empresas de infraestrutura digital, metadados, gestão de direitos ou proveniência de conteúdos. Organizações de verificação de factos e de integridade da informação.
Para entidades portuguesas há um argumento próprio: o português europeu é frequentemente mal servido pelos modelos generalistas. A exigência de cobrir línguas com poucos recursos e de dar acesso igual a pequenos editores locais abre espaço a quem domine a língua e conheça o mercado de imprensa regional.
O que recomendamos
Com um único projeto de 10 milhões e a obrigação de partir de pilotos existentes, o consórcio vencedor vai provavelmente formar-se à volta das equipas que já executam as ações-piloto de acesso multilingue a notícias de confiança e dos projetos do Horizonte Europa e do Europa Digital na área dos media. Uma entidade portuguesa que não esteja nessas redes deve aproximar-se delas já em outubro, com uma contribuição concreta e mensurável: um componente tecnológico em TRL 6, um conjunto de dados linguísticos ou um grupo de meios disposto a testar a plataforma.
Para empresas, o cofinanciamento de 30% e a exigência de níveis de serviço e de sustentabilidade pós-projeto obrigam a pensar o modelo de negócio desde a candidatura: quem paga a infraestrutura depois de 2028 e que papel comercial fica reservado a cada parceiro. Recomendamos também confirmar cedo a origem dos fornecedores de hardware e de rede do consórcio, por causa da restrição de proteção das redes de comunicações.
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