A última milha entre o piloto e as vendas
O concurso Innovation Projects (referência 26-INN-MAI-011-X) é a linha da EIT Culture & Creativity para inovações próximas do mercado nas indústrias culturais e criativas. A EIT Culture & Creativity é a comunidade de inovação do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT) dedicada a estes setores, com sede em Colónia. Financia este concurso através do seu plano de negócios 2026-2028, ao abrigo do Horizonte Europa.
O alvo são soluções que já estão em TRL 7 (protótipo demonstrado em ambiente operacional) e que precisam de chegar a TRL 9 e às primeiras receitas. Não financia investigação nem ideias por validar. Financia a fase em que uma empresa tem um produto quase pronto e precisa de o pôr em clientes reais, com um parceiro que saiba vendê-lo.
O orçamento total é de 10,5 milhões de euros: 600 000 euros para a fase preparatória e 9,9 milhões para a execução de até 11 projetos. A primeira fase fecha a 30 de outubro de 2026, às 17h de Berlim. A EIT Culture & Creativity faz uma sessão de esclarecimento online a 7 de outubro de 2026, das 10h às 12h de Berlim, com inscrição prévia.
Necessidades que este instrumento resolve
O concurso paga a passagem de um protótipo validado a um produto com clientes pagantes. Por isso combina financiamento do crescimento comercial com uma forte componente tecnológica, sobretudo em inteligência artificial e ferramentas digitais.
- Capitalização e crescimento: até 900 000 euros em 18 meses para desenvolvimento final, pilotos, preparação de mercado e prontidão para investimento, com metas obrigatórias de propriedade intelectual registada e de pelo menos uma inovação lançada no mercado.
- Digitalização e IA: grande parte dos temas é digital, de passaportes digitais de produto e ferramentas de design assistido por IA na moda até IA generativa responsável, análise de audiências conforme o RGPD e proteção de direitos de autor no audiovisual.
Três setores e uma lista fechada de temas
A candidatura tem de cair numa das três áreas prioritárias do concurso. Os jogos e o património cultural, que também são setores da EIT Culture & Creativity, não entram nesta edição.
| Setor | Temas apoiados |
|---|---|
| Moda | Tecnologias têxteis circulares, passaportes digitais de produto, ferramentas de design assistido por IA, modelos de negócio circulares (aluguer, revenda, reparação) e cadeias de abastecimento sustentáveis |
| Arquitetura | Materiais de construção de base biológica ou inovadores, design para desmontagem, reabilitação acessível para adaptação climática, ferramentas de coesão social urbana e plataformas de normalização para PME |
| Media audiovisual | IA generativa responsável para criação de conteúdos, novos modelos de monetização digital, análise de audiências conforme o RGPD, identidade e soberania digital e proteção de propriedade intelectual na era da IA |
Duas fases de seleção antes do financiamento
O concurso usa um funil para reduzir o risco do investimento. Na primeira fase concorre uma única empresa com uma proposta curta. As selecionadas recebem dinheiro para preparar a candidatura completa, que já tem de ser feita em consórcio.
- Fase 1, validação do conceito: proposta curta de uma só entidade, avaliada por dois peritos externos entre novembro e dezembro de 2026. Exige 23 em 30 pontos, com mínimos por critério (8 em 10 na excelência e na execução, 4 em 5 no impacto, 3 em 5 na dimensão europeia).
- Fase 2, preparação: até 30 propostas selecionadas recebem 20 000 euros em montante fixo, pagos a 100% na assinatura, para preparar em seis semanas (de 1 de fevereiro a 15 de março de 2027) um plano de desenvolvimento de negócio com estudo de mercado, mapeamento de propriedade intelectual e regulamentar e estratégia comercial.
- Seleção final: quatro peritos (dois técnicos e dois de negócio) avaliam a proposta completa, que precisa de 70 em 90 pontos. As que passam vão a uma seleção de portefólio com audição e apresentação em formato de pitch.
- Execução: até 11 projetos, de 1 de julho de 2027 a 31 de dezembro de 2028, sem prorrogação possível.
Uma empresa com a tecnologia e um parceiro que a vende
Na fase 1, a candidata é uma única empresa (startup, scaleup, PME ou grande empresa) que opere em moda, arquitetura ou media audiovisual, ou que preste serviços diretamente a estes setores. Será a coordenadora do projeto e tem de demonstrar três coisas: capacidade técnica para chegar a TRL 9 em 18 meses, posição clara de titularidade ou licença sobre a propriedade intelectual central e capacidade para assumir a gestão financeira e o reporte. Uma universidade, um centro de investigação ou uma instituição cultural sozinhos não podem ocupar este papel.
Na fase 2, o projeto passa obrigatoriamente a consórcio de duas ou três entidades independentes. O segundo participante é um parceiro de comercialização, com capacidade demonstrada em distribuição, licenciamento, relação com investidores, acesso a retalho ou plataformas, ou conhecimento de mercado setorial. Pode ser uma empresa, uma aceleradora, uma associação empresarial ou outra entidade com mandato comercial evidente. O terceiro participante é opcional.
São elegíveis entidades de Estados-Membros da UE (incluindo regiões ultraperiféricas como os Açores e a Madeira), países associados ao Horizonte Europa com acordo que cubra o Pilar III e alguns países de rendimento baixo e médio. A candidatura é escrita integralmente em inglês.
70% de financiamento e uma partilha de receitas
Na execução, o apoio cobre até 70% dos custos elegíveis de cada participante e é pago em montante fixo repartido por pacotes de trabalho, libertado à medida que cada pacote é aceite. Para receber os 900 000 euros, o orçamento total do projeto ronda 1,29 milhões de euros, dos quais cerca de 386 000 euros ficam a cargo do consórcio, com recursos próprios ou outras fontes que não sejam fundos europeus. A subcontratação está limitada a 30% dos custos de cada participante e a 15% dos custos do projeto.
A condição que distingue este concurso de uma subvenção comum é o mecanismo de sustentabilidade financeira. Todos os projetos selecionados têm de assinar, antes do acordo de financiamento, um Acordo de Partilha de Receitas com a EIT Culture & Creativity:
| Elemento | Condição |
|---|---|
| Percentagem | Entre 3,5% e 5% das receitas elegíveis |
| Duração | 48 a 60 meses |
| Receitas elegíveis | Receita líquida da comercialização do produto ou serviço financiado (licenças, subscrições, personalização e serviços associados), sem IVA, subvenções, empréstimos, entradas de capital e transferências intragrupo |
| Pagamento | Cálculo trimestral com mapa de receitas por cliente, fatura paga a 30 dias |
| Quem assina | A entidade que vai comercializar o resultado, que não tem de ser a coordenadora |
Na prática, um produto que fature 1 milhão de euros por ano com uma taxa de 4% devolve 40 000 euros anuais durante o prazo acordado. Em cinco anos, isso representaria 200 000 euros, perto de um quarto da subvenção recebida. É um custo real a incluir no plano de negócio, embora só exista se houver vendas.
Metas mínimas e presença no ecossistema
- Indicadores obrigatórios: pelo menos um direito de propriedade intelectual, uma inovação lançada no mercado e, quando aplicável, uma inovação com vendas de pelo menos 10 000 euros. A criação de uma startup é um indicador opcional.
- Cinco pacotes de trabalho fixos: especificação da solução, desenvolvimento e prototipagem, validação e piloto, preparação de mercado e prontidão para investimento, comunicação e encerramento.
- Deslocações e eventos: o orçamento tem de prever pelo menos três viagens internacionais por ano para dois participantes e a presença anual de um representante num evento do ecossistema EIT (Demo Days, Innovation Forum).
- Revisão intercalar: há uma avaliação de marcos a meio da execução. O incumprimento pode levar à redução do apoio ou ao fim do projeto.
O que recomendamos
Este concurso serve uma empresa muito concreta: uma PME ou startup portuguesa de moda, arquitetura ou audiovisual que já testou o produto com utilizadores reais e precisa de capital para o industrializar e vender fora de Portugal. Para empresas ainda em fase de protótipo de laboratório, os critérios de TRL 7 eliminam a proposta logo na fase 1. Nesse caso vale mais olhar para os programas de aceleração da mesma comunidade.
A fase 1 é curta, mas os limiares são altos (8 em 10 na excelência e na execução). A proposta deve provar a maturidade com evidência concreta, como pilotos realizados, clientes de teste e estado da propriedade intelectual. Recomendamos identificar já o parceiro de comercialização, embora só seja obrigatório na fase 2: seis semanas não chegam para encontrar um distribuidor, negociar o seu papel e escrever um plano de negócio credível.
Antes de avançar, modelar o efeito da partilha de receitas e do cofinanciamento de 30% na tesouraria. Os peritos de negócio valem um terço da nota na fase 2 e a apresentação final pesa na seleção de portefólio, por isso um plano financeiro realista, com projeções até 2030 e tabela de capitalização, pesa tanto como a própria tecnologia.
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