O que é

Uma parceria de 7 anos para gerir o futuro social europeu

O HORIZON-CL2-2026-02-TRANSFO-01 não é um projeto convencional. É a constituição de uma parceria europeia co-financiada (HORIZON-COFUND) entre a Comissão e as agências nacionais de financiamento à investigação dos Estados-Membros, com o nome operacional Social Transformations and Resilience (STR). A parceria vai existir durante 7 anos, com mais 3 anos para fechar projetos lançados nos últimos calls. A Comissão financia até 30% dos custos elegíveis, num teto de 60 milhões de euros e os parceiros nacionais aportam o resto, em dinheiro ou em atividades elegíveis.

A subvenção UE é alocada a um único consórcio de agências e ministérios europeus. Esse consórcio depois lança calls anuais transnacionais que distribuem grants a terceiros, com tipologia FSTP (Financial Support to Third Parties), até um máximo de 3 milhões de euros por entidade beneficiária terceira durante toda a duração da ação. É no FSTP que estão as oportunidades para investigadores e organizações portuguesas individuais.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A parceria STR cruza investigação aplicada às transformações sociais com construção de redes europeias duradouras. Estas duas necessidades raramente caminham juntas e o modelo cofund é a forma da Comissão Europeia operacionalizá-las à escala continental.

  • I&D e ciência: investigação interdisciplinar e transdisciplinar nas Ciências Sociais e Humanidades sobre proteção social, futuro do trabalho, educação e competências e transição justa para a neutralidade climática. Métodos qualitativos e quantitativos, estudos comparativos, experimentações sociais e individuais a vários níveis (subnacional, nacional, europeu) e desenvolvimento de novas ferramentas analíticas, metodológicas e epistemológicas.
  • Internacionalização: consórcio com agências de financiamento e ministérios de todos os Estados-Membros e países associados ao Horizonte Europa, com abertura permanente a novos parceiros. Calls anuais transnacionais coordenados a nível europeu, partilha de recursos e de conhecimento entre comunidades nacionais SSH historicamente fragmentadas.
  • Impacto social e inclusão: contribuição direta para o European Pillar of Social Rights, EU Green Deal, ERA, EEA e ODS 1, 4, 5, 8, 10, 11, 13 e 16. Investigação que informa políticas públicas, com envolvimento de parceiros sociais, organizações da sociedade civil e end-users dos resultados.
Dimensão e modelo

Co-financiamento, FSTP e duração longa

€60M
Contribuição máxima UE
30%
Taxa de cofinanciamento UE
7+3
Anos de execução + wind down
€3M
Teto FSTP por terceiro

A taxa de cofinanciamento UE é de até 30% dos custos elegíveis. Os parceiros nacionais financiam os restantes 70%, seja em dinheiro através das suas agências de I&D, seja por contribuição em atividades elegíveis (investigação realizada nos seus institutos, infraestruturas partilhadas, programas nacionais relacionados). O total mobilizado pode atingir 200 milhões de euros ou mais, mas a contribuição UE pura está limitada a 60 milhões.

Excecionalidade do FSTP
Como o FSTP é atividade central desta ação, o teto de 60 mil euros previsto no Artigo 207 do Regulamento Financeiro UE 2024/2509 não se aplica. O teto FSTP é de 3 milhões de euros por terceiro, durante a totalidade da ação. Excecionalmente, este valor pode ser superior se os objetivos não puderem ser alcançados de outra forma, devidamente justificado na proposta. Esta provisão dá flexibilidade real para grants substanciais.
Áreas de impacto

Os quatro eixos da parceria

A SRIA (Strategic Research and Innovation Agenda) que o consórcio vencedor terá de submeter como anexo da candidatura tem de cobrir todas as quatro áreas, articuladas entre si.

Área de impactoConteúdo esperado
Modernização da proteção socialSistemas de proteção social e serviços essenciais (saúde, cuidados, habitação, energia, água). Adaptação a populações envelhecidas e a novas formas de trabalho.
Futuro do trabalhoSkills demands em mudança, escassez laboral, plataformização, condições de trabalho, direitos digitais, sindicalização em novos setores.
Educação e competênciasEducação ao longo da vida, divisões digitais e intergeracionais, formação profissional, lifelong learning, articulação com a European Education Area.
Transição justa para neutralidade climáticaDistribuição de impactos, custos de adaptação, comunidades vulneráveis, articulação com Green Deal, JTM e Climate Mission.
Objetivos operacionais

As seis frentes de atividade

  • Recolha de dados e evidência: métodos qualitativos e quantitativos das SSH para medir transformações sociais e informar políticas públicas baseadas em evidência.
  • Estudos comparativos: identificar e partilhar boas práticas e falhanços entre regiões, países e UE.
  • Conexão entre investigadores e decisores: formas inovadoras de articular investigação, decisores, stakeholders, cidadãos e inovadores sociais.
  • Experimentação social e individual: a vários níveis (subnacional, nacional, europeu) para avaliar o impacto das transformações e das políticas.
  • Ferramentas analíticas e metodológicas: novos instrumentos para compreender as dinâmicas sociais e a resiliência.
  • Capacitação para choques inesperados: reforço da capacidade da comunidade I&D e dos decisores para ajustar infraestruturas e serviços sociais.
Alinhamento com redes existentes

CHANSE, HERA, NORFACE, T-AP e JPI MYBL

A proposta vencedora tem de construir-se sobre o trabalho de várias ERA-NETs e redes anteriores, garantindo continuidade institucional e científica. Esta exigência elimina propostas que partam do zero. Os principais antecedentes a articular são CHANSE, HERA, NORFACE, a Trans-Atlantic Platform for Social Sciences and Humanities (T-AP) e a JPI More Years, Better Lives (MYBL).

Adicionalmente, a parceria deve articular-se com agências europeias relevantes (Eurofound, ELA, CEDEFOP), organizações internacionais (ILO, OECD) e infraestruturas de investigação (European Social Survey, SHARE, CLARIN, CESSDA, Eurostat). Esta densa rede de stakeholders explica porque o consórcio vencedor terá entre 25 e 35 agências e organismos europeus.

Quem deve concorrer

O perfil do consórcio

Este tópico não é dirigido a entidades individuais. O consórcio elegível é composto por agências nacionais de financiamento à investigação e ministérios da Educação, Trabalho, Assuntos Sociais, Clima e Ambiente. Em Portugal, isto significa que o partner nacional natural é a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), eventualmente em articulação com a ANI (Agência Nacional de Inovação) e ministérios do governo português.

Para investigadores, centros académicos, ONG, parceiros sociais, autarquias e PME inovadoras, a forma de aceder à parceria é através dos calls anuais transnacionais que esta lançará a partir de 2027 ou 2028 e candidatar-se aos grants FSTP (até 3 milhões por terceiro). Há ainda lugar para participação como observador, advisory board ou stakeholder, particularmente para sindicatos, associações empresariais, organizações de direitos humanos e centros de investigação SSH com track record europeu.

Atenção
A granting authority pode financiar apenas um único projeto. Representantes das instituições UE participam no comité de avaliação. A página máxima da parte B da COFUND é 70 páginas, mais anexos. Quem candidata é responsável por uma das maiores propostas administrativas do Horizonte Europa em 2026.
Calendário

Janela de candidatura

  • Abertura: 12 de maio de 2026
  • Submissão: 13 de outubro de 2026, 17h00 hora de Bruxelas
  • Avaliação: outubro 2026 a fevereiro 2027
  • Grant Agreement: data de início pode ser anterior à decisão de financiamento, com justificação. Custos elegíveis a partir do start date justificado.
  • Primeiro call FSTP: tipicamente 9 a 12 meses após início.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para Portugal, o ponto crítico é garantir que a FCT e a ANI são parceiras do consórcio vencedor. Sem participação nacional na parceria, os grants FSTP futuros podem ficar fora do alcance dos centros e investigadores portugueses. A janela é apertada: a decisão de aderir ao consórcio tem de estar tomada bem antes da submissão em outubro de 2026 e tipicamente os co-funded partners são identificados entre maio e julho do ano de submissão.

Para centros de investigação SSH portugueses (ICS, CES, ISEG, Iscte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova, entre outros), a recomendação é dupla. Primeiro, manifestar interesse junto da FCT como nó nacional da rede SSH, demonstrando track record em CHANSE, HERA, NORFACE ou em projetos H2020 e Horizonte Europa anteriores. Segundo, preparar pipeline de propostas para os calls FSTP que serão lançados a partir de 2027, alinhadas com as quatro áreas de impacto e identificar ministérios setoriais que possam apoiar como contribuição em atividades.

Para parceiros sociais e organizações da sociedade civil portuguesas, este é um dos poucos instrumentos europeus que dá real protagonismo a sindicatos, associações empresariais, ONG, autarquias e cooperativas. Vale a pena posicionar-se como stakeholder ou advisory para o consórcio vencedor, mesmo sem ser parceiro formal. A participação em advisory boards e workshops abre acesso direto a calls FSTP futuros e a informação privilegiada sobre temas que serão financiados.

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