Instrumento

O que é o tópico HERITAGE-04

O HORIZON-CL2-2027-01-HERITAGE-04, "Culture, heritage and creative industries for health and well-being", é uma ação de investigação do Cluster 2 do Horizonte Europa. Parte de uma constatação amplamente reconhecida, a de que as experiências culturais, sejam museus e instituições de património, sejam os setores e indústrias culturais e criativas, podem beneficiar a saúde e o bem-estar.

O problema é que a evidência existente, embora apoie esta conclusão, está dispersa e nem sempre é sistemática. A Organização Mundial de Saúde aponta quatro áreas em que a cultura contribui para a saúde, da prevenção da doença à promoção de comportamentos saudáveis, passando pela gestão e tratamento. O desafio do tópico é transformar essa intuição em práticas baseadas em evidência, validadas, escaláveis e replicáveis, que as instituições culturais e outros agentes possam adotar com confiança.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É um tópico na fronteira entre cultura e saúde pública, o que justifica as duas necessidades com que aparece na biblioteca.

  • I&D e ciência: o financiamento cobre investigação sistemática sobre as características e as circunstâncias das experiências culturais que melhor apoiam a saúde, incluindo investigação de implementação que estude os obstáculos à adoção e produza práticas validadas e replicáveis.
  • Impacto social e inclusão: o objetivo é que setores culturais e criativos competitivos contribuam de forma estruturada para melhorar a saúde e o bem-estar das populações, com atenção a situações de crise e a grupos isolados, desfavorecidos ou discriminados.
Âmbito e dotação

O que os projetos têm de fazer

O tópico deixa margem para vários caminhos e pede que cada proposta escolha um foco com bom potencial de impacto e o delimite o suficiente para um trabalho aprofundado. Um caminho possível é tratar as experiências culturais como um kit de apoio societal em situações de crise, consolidando boas práticas dos Estados-Membros num conjunto validado ao dispor dos decisores. Outro é mobilizar uma indústria criativa específica, como a dos videojogos, que ocupa cada vez mais tempo de cada vez mais pessoas e oferece a comunidades isoladas um sentido de pertença, ainda que num ambiente que também pode convidar ao assédio e à discriminação.

As atividades podem incidir sobre diferentes tipos de arte e cultura, intervenções ou experiências, em linha ou presenciais, ou sobre questões transversais a vários setores. Seja qual for o ângulo, a proposta tem de explicar de forma credível porque é que o foco escolhido tem boa probabilidade de gerar impacto forte. Uma terceira via é a investigação de implementação, centrada em compreender e remover os obstáculos à adoção das práticas pelas instituições.

16M€
Dotação do tópico
4
Projetos previstos
3 a 4M€
Por projeto
Tipo de ação e financiamento
Ação de investigação e inovação do Horizonte Europa, financiada por montante fixo (lump sum). A taxa de financiamento é, em regra, de 100% dos custos elegíveis para todas as entidades, o que viabiliza consórcios entre instituições culturais, centros de saúde, universidades e empresas criativas.
Para que tipo de organização

Quem deve olhar para este tópico

É dos tópicos mais transversais do convite. Interessa a museus e instituições de património, a empresas e estúdios das indústrias culturais e criativas, a centros de investigação em saúde pública e psicologia, a universidades e a organizações da sociedade civil ligadas à cultura e ao bem-estar. A combinação de competências culturais e de competências de avaliação clínica ou de saúde é, em si mesma, um trunfo.

Portugal tem um tecido cultural denso e uma indústria criativa em crescimento, do videojogo às artes performativas, o que dá às organizações nacionais material e parceiros para um foco bem delimitado. A natureza interdisciplinar do tópico premeia parcerias que liguem o mundo cultural ao mundo da saúde dentro de um consórcio europeu.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A maior tentação neste tópico é querer abraçar tudo. O avaliador procura precisamente o contrário, um foco nítido com uma justificação convincente de impacto e um método capaz de produzir evidência validada e replicável, não uma celebração genérica dos benefícios da cultura. Propostas que articulem um caso concreto, uma população-alvo definida e um desenho de avaliação sólido tendem a destacar-se.

Com quatro projetos previstos e dezasseis milhões de euros, este é dos tópicos mais bem dotados do convite, o que alarga ligeiramente o espaço competitivo sem baixar a fasquia. A abertura está prevista para 13 de maio de 2027 e o prazo é 23 de setembro de 2027. A Open Capital pode ajudar a definir o foco e a estruturar a parceria.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]