O que é este concurso
O tópico HORIZON-CL2-2027-01-HERITAGE-07 é uma ação de investigação e inovação (Research and Innovation Action) do Cluster 2 do Horizonte Europa, dedicado à cultura, criatividade e sociedade inclusiva. Insere-se na chamada de 2027, abre a 13 de maio e encerra a 23 de setembro do mesmo ano, em ronda única.
A premissa é que o património cultural é um recurso dinâmico, capaz de gerar resiliência social, diálogo intercultural e sentido de pertença em sociedades cada vez mais diversas. O concurso financia investigação que explore como o património molda o envolvimento cívico, a inovação social, a memória coletiva e a transmissão de valores democráticos e que desenvolva novas narrativas em torno dele, prospetivas e ligadas aos valores europeus.
Necessidades que este instrumento resolve
O instrumento posiciona o património cultural como ativo estratégico de coesão e não apenas como objeto de preservação. Liga investigação em ciências sociais e humanas à agenda europeia de inclusão e participação cultural.
- I&D e ciência: produzir conhecimento sobre o impacto societal do património cultural, documentar boas práticas e estudos de caso, gerando recomendações de política, guias e ferramentas para decisores, com base em métodos empíricos e participativos.
- Impacto social e inclusão: reforçar a coesão e o sentido de pertença, melhorar o acesso à cultura, em particular dos jovens e dos grupos desfavorecidos e promover representações mais inclusivas e diversas no campo cultural.
As três áreas de investigação
As propostas devem escolher claramente uma das três áreas temáticas em que o tópico se organiza. Cada uma responde a um ângulo distinto do impacto social do património:
- A. Participação e acesso à cultura: identificar boas práticas para fomentar o acesso ao património, com foco nos jovens e estudar as barreiras à participação cultural, da isolamento rural à disparidade económica e à sub-representação de minorias.
- B. Papéis e identidades de género: analisar como as produções e representações culturais moldam atitudes face ao género, identificar ausências nas narrativas culturais supranacionais e propor recomendações para uma representação mais inclusiva.
- C. Património, coesão e segurança: explorar o papel do património como elemento de identidades partilhadas, examinar as ligações entre cultura e segurança, incluindo a desinformação e a manipulação de informação e propor boas práticas para lidar com narrativas polarizadoras.
As propostas devem adotar uma abordagem multidisciplinar, mobilizando estudos do património e de museus, antropologia cultural, etnologia, estudos dos media, do teatro, literários e musicologia. Devem ainda ligar-se à educação formal e não formal, em especial à educação artística e construir sobre plataformas europeias como a Nuvem Colaborativa Europeia para o Património Cultural e o Espaço Comum Europeu de Dados para o Património Cultural.
Pontos-chave para enquadrar a candidatura
Por ser uma RIA, o financiamento da Comissão cobre 100% dos custos elegíveis, sob a forma de montante fixo. O número de subvenções e a dotação do tópico são definidos no programa de trabalho do Cluster 2. Os tópicos de património comparáveis desta chamada situam-se na ordem das três subvenções por tópico, com projetos de vários milhões de euros.
Perfil dos beneficiários
Candidatam-se consórcios transnacionais com entidades de Estados-Membros e Países Associados. O perfil natural combina universidades e centros de investigação em ciências sociais e humanas, museus e instituições de património, organizações culturais e da sociedade civil e autoridades públicas com responsabilidade na área da cultura. Portugal tem aqui uma base sólida, com forte tradição de investigação em património e museologia e instituições reconhecidas internacionalmente.
O que recomendamos
Este é um tópico de ciências sociais e humanas, liderado por universidades, centros de investigação e instituições culturais. A primeira decisão estratégica é a escolha da área temática, porque A, B e C atraem perfis de consórcio muito diferentes e o avaliador espera coerência total entre a área escolhida e a equipa proposta.
Para uma organização portuguesa do setor cultural ou criativo, há aqui uma oportunidade de internacionalização do trabalho de investigação aplicada. Museus, fundações e empresas de tecnologia para o património podem entrar como parceiros que trazem coleções, públicos, ferramentas digitais ou capacidade de mediação cultural, contribuindo para a dimensão empírica e participativa que o tópico exige.
A recomendação prática é construir cedo um consórcio multidisciplinar e ancorado em casos concretos. As candidaturas mais fortes não ficam pela análise teórica, propõem trabalho de terreno, materiais didáticos e recomendações de política testáveis. Quem chega com públicos reais, parcerias educativas e ligação às plataformas europeias de dados culturais reúne os ingredientes que distinguem uma proposta competitiva.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]