O que é este concurso
O tópico HORIZON-CL2-2027-01-HERITAGE-06 é uma ação de investigação e inovação (Research and Innovation Action) do Cluster 2 do Horizonte Europa, dedicada ao futuro do turismo cultural. Integra a chamada de 2027, abre a 13 de maio e encerra a 23 de setembro do mesmo ano, em ronda única.
O turismo cultural representa cerca de 40% do turismo global e continua a crescer à medida que os viajantes procuram experiências únicas e autênticas. Ao valor económico junta o enriquecimento das sociedades pelo intercâmbio cultural. Enfrenta, ao mesmo tempo, uma transformação profunda, empurrada pelo avanço tecnológico, pelas alterações climáticas, pelos imperativos de sustentabilidade e pelas ameaças à integridade cultural, da comodificação à degradação do património. O tópico procura preparar o setor para essa mudança, de forma regenerativa e inclusiva.
Necessidades que este instrumento resolve
O concurso liga a investigação aplicada ao turismo cultural às agendas de sustentabilidade, transição digital e inclusão social. Procura recomendações de política e soluções que façam do turismo cultural um motor de desenvolvimento regenerativo, com mais e melhores postos de trabalho.
- I&D e ciência: produzir quadros analíticos e ferramentas, testar modelos em contexto real e gerar recomendações baseadas em evidência para integrar o turismo cultural nas estratégias de sustentabilidade, transformação digital e igualdade, em todos os níveis de governação.
- Sustentabilidade, energia e clima: colocar a sustentabilidade regenerativa no centro do modelo turístico, protegendo o ambiente e o património da degradação e da sobrecarga de visitantes e antecipando riscos ligados ao clima e à pressão sobre os destinos.
Dois focos, escolher um
As propostas devem escolher claramente um de dois focos e declará-lo. Cada um responde a um ângulo distinto do mesmo desafio e atrai um perfil de consórcio diferente:
- Foco 1, inteligência artificial e prospetiva estratégica: explorar como as ferramentas de IA e outras tecnologias emergentes podem reforçar a resiliência, a inclusão e a sustentabilidade do turismo cultural. Inclui realidade virtual e aumentada para o envolvimento dos visitantes sem perda de integridade histórica, personalização ética e não discriminatória, interpretação multilingue, gestão de fluxos de visitantes e prospetiva assistida por IA para passar de uma gestão reativa a uma governação antecipatória.
- Foco 2, turismo cultural como catalisador de desenvolvimento local: desenvolver modelos de turismo cultural sustentável para destinos emergentes e menos desenvolvidos, em especial regiões de baixo rendimento que procuram usar a cultura para crescer, combatendo a desertificação e prevenindo o excesso de turismo. Privilegia a colaboração transfronteiriça, a partilha equitativa de benefícios e as parcerias entre comunidades locais, indústrias criativas e organizações de património.
Independentemente do foco, todas as propostas devem assegurar a cooperação com o conhecimento e as boas práticas de investigação europeia anterior, integrar o turismo cultural em objetivos mais amplos de sustentabilidade e inclusão e criar metodologias de cocriação de políticas que traduzam a investigação em estratégias aplicáveis. Podem apoiar-se em infraestruturas como o Espaço Europeu de Dados para o Turismo.
Pontos-chave para enquadrar a candidatura
Por ser uma RIA, o financiamento da Comissão cobre 100% dos custos elegíveis, sob a forma de montante fixo. O número de subvenções e a dotação do tópico são definidos no programa de trabalho do Cluster 2. As parcerias com países terceiros são encorajadas, sobretudo no Foco 2, onde a aprendizagem mútua e a capacitação entre parceiros da União e de fora dela fazem parte do objetivo.
Perfil dos beneficiários
Candidatam-se consórcios transnacionais com entidades de Estados-Membros e Países Associados. O perfil natural reúne universidades e centros de investigação em turismo e património, organizações de gestão de destinos, autarquias e autoridades regionais, pequenas empresas do setor cultural e turístico e organizações da sociedade civil. Para Portugal, onde o turismo cultural é um pilar económico e onde coexistem destinos saturados e territórios de baixa densidade, ambos os focos têm aderência direta.
O que recomendamos
A primeira decisão estratégica é a escolha do foco, que condiciona tudo o resto. Para uma organização portuguesa com competência tecnológica, o Foco 1 abre espaço a trabalho sobre gestão de fluxos, personalização ética e prospetiva, áreas onde a pressão turística em cidades como Lisboa ou o Porto oferece casos de estudo valiosos. Para quem trabalha em desenvolvimento territorial, o Foco 2 fala diretamente ao interior do país e à economia das aldeias e vilas históricas.
A oportunidade para empresas e municípios não está em liderar a investigação, mas em entrar como parceiros que trazem destinos reais, dados de visitação, comunidades e capacidade de testar soluções no terreno. É essa dimensão demonstrativa, com living labs e pilotos, que distingue as candidaturas mais fortes da mera análise teórica.
A recomendação prática é ancorar a proposta em casos concretos desde o início e garantir a participação ativa das comunidades locais na decisão, não apenas como objeto de estudo. Quem chega com destinos parceiros, métricas de visitação e um plano credível de cocriação de políticas reúne os ingredientes que o tópico valoriza.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]