O que é o tópico TRANSFO-03
O HORIZON-CL2-2027-01-TRANSFO-03, "Rethinking sustainable competitiveness beyond traditional perspectives: role and contribution of the Social Economy", é uma ação de investigação do Cluster 2 do Horizonte Europa. O foco é a economia social, o universo das cooperativas, mutualidades, associações, fundações e empresas sociais, mais a sua relação com a competitividade sustentável da União.
A tese do tópico afasta-se da leitura clássica de competitividade assente em custo do trabalho. Aqui, competitividade sustentável significa capacidade de gerar prosperidade partilhada através de competências, inovação, empreendedorismo e adaptação, em harmonia com o ambiente e a sociedade. A questão de partida é até que ponto a economia social, com a sua primazia das pessoas sobre o lucro e a sua governação democrática, é um motor dessa competitividade e como medir esse contributo com indicadores que hoje não existem.
Necessidades que este instrumento resolve
É um tópico que cruza investigação económica com a agenda de coesão e inclusão, o que explica as duas necessidades associadas na biblioteca.
- I&D e ciência: o financiamento cobre investigação interdisciplinar que reúne economia, sociologia, ciência ambiental e administração pública, com revisão de literatura, estudos de caso e, sobretudo, o desenvolvimento de um quadro para medir o contributo da economia social para a competitividade sustentável, incluindo novos indicadores e métricas.
- Impacto social e inclusão: o objetivo último é mostrar como a economia social europeia pode reforçar a prosperidade partilhada, a criação de emprego e a inclusão, traduzindo os resultados em boas práticas e recomendações de política e de reforma regulatória.
O que os projetos têm de fazer
As propostas devem explorar as relações virtuosas entre economia social, competitividade sustentável e prosperidade partilhada. A investigação deve aprofundar, por um lado, os fatores que tornam as entidades de economia social competitivas de forma sustentável e, por outro, o impacto dessas entidades na competitividade da própria UE. Um dos contributos mais valorizados é colmatar a ausência de um quadro abrangente de medição, identificando os fatores facilitadores e desenvolvendo indicadores que captem as dimensões social, económica e ambiental.
O âmbito não se limita a nenhum setor ou cadeia de valor em particular, mas as propostas podem concentrar-se num caso específico para ganhar profundidade. O contexto regulatório e o seu efeito sobre a capacidade da economia social de contribuir para a competitividade devem ser considerados, em linha com o Pacto Ecológico Europeu. É encorajada a colaboração com atores da economia social, do setor privado e do setor público, num desenho que combine investigação, envolvimento de partes interessadas e análise de política.
Quem deve olhar para este tópico
O tópico interessa a universidades e centros de investigação em economia e ciências sociais, a federações e redes de economia social, a observatórios da cooperação e a entidades públicas com responsabilidade nesta área. As competências decisivas são a economia institucional, a medição de impacto, a análise de política pública e o acesso a casos e dados reais de cooperativas, mutualidades e empresas sociais.
Portugal tem um setor de economia social com expressão histórica e enquadramento legal próprio, o que confere às equipas nacionais um terreno de estudo sólido e acesso facilitado a estudos de caso. A participação faz sentido integrada num consórcio europeu que combine massa crítica académica com a ligação direta às organizações do terreno.
O que recomendamos
Estamos perante um tópico conceptualmente ambicioso, em que o risco é a dispersão. O avaliador vai recompensar propostas que escolham um foco claro e que entreguem um quadro de medição utilizável, não um ensaio amplo sobre as virtudes da economia social. A combinação entre rigor analítico e ligação concreta às organizações do terreno costuma fazer a diferença na pontuação.
Com três projetos previstos e doze milhões de euros de dotação, a competição é exigente e favorece consórcios que tragam dados próprios e capacidade de produzir indicadores novos com credibilidade. A abertura está prevista para 13 de maio de 2027 e o prazo é 23 de setembro de 2027. A Open Capital pode ajudar a clarificar o enquadramento e a desenhar a participação.
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