Um Open Topic para destravar tecnologias disruptivas em segurança civil
O HORIZON-CL3-2026-01-SSRI-01 é um Open Topic do destination Strengthened Security Research and Innovation, dedicado a tecnologias disruptivas em segurança civil. "Disruptivas" tem aqui significado preciso: tecnologias que arrancam em TRL muito baixo (menor que 4) e prometem alterar o paradigma operacional, melhorando significativamente a performance ou reduzindo drasticamente os custos. O objetivo do call é apoiar o salto entre investigação fundamental ou aplicada de baixo TRL e a integração efetiva em operações reais de segurança.
É um Research and Innovation Action (HORIZON-RIA) em modelo Lump Sum, com dotação de 3 milhões de euros para 2 projetos selecionados, ou seja, 1,5 milhões cada. O TRL alvo no fim do projeto é 4-5, quando se demonstra que a tecnologia funciona em ambiente relevante e tem potencial de transição para fases operacionais. Por ser Open Topic, qualquer área de segurança civil é elegível, desde que se justifique o caráter disruptivo da tecnologia proposta.
Necessidades que este instrumento resolve
Este Open Topic SSRI alinha duas necessidades empresariais: a investigação aplicada para tecnologias com potencial disruptivo e o início de validação com utilizadores finais reais (security practitioners) que abre caminho a futura comercialização ou adoção operacional.
- I&D e ciência: investigação aplicada em tecnologias breakthrough que arrancam em TRL menor que 4 e visam paradigm shift. Validação rigorosa em segurança, performance e interoperabilidade. Desenvolvimento de pathway estruturado entre investigação e aplicação prática, com contributo direto a foresight de longo prazo da Comissão.
- Arranque e validação: validação com end-users reais (practitioners de segurança civil) que confirma adequação a necessidades operacionais. É o equivalente em segurança ao arranque tecnológico empresarial: confirmar que a inovação não é só científica mas tem mercado adopter (autoridades, agências, primeiros respondentes).
- Capacitação para choques inesperados: aumento das capacidades de preparação, resposta e mitigação de risco face a ameaças diversas. Foster de ecossistema colaborativo entre investigadores, autoridades públicas, indústria e end-users que reforça a resiliência da segurança civil europeia.
Pequenos consórcios, paradigm shift
A dimensão por projeto é relativamente modesta para os padrões Horizonte Europa, mas adequada à maturidade tecnológica esperada. O regime Lump Sum simplifica o reporte financeiro, em troca de exigência de rigor na alocação inicial dos work packages. Este formato é favorável a consórcios mais ligeiros, tipicamente de 4 a 8 entidades, em que cada parceiro tem papel claramente definido.
Critério crítico para elegibilidade
A categoria practitioner aplica-se tipicamente a autoridades nacionais e regionais com responsabilidades em segurança civil. Em Portugal, esta categoria inclui:
- Proteção Civil: Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Comandos Regionais de Emergência e Proteção Civil.
- Forças e serviços de segurança: Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republicana, Polícia Judiciária, Serviços de Informações de Segurança.
- Bombeiros e socorro: Liga dos Bombeiros Portugueses, federações distritais, INEM.
- Marítimo e fronteiras: Autoridade Marítima Nacional, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (e sua sucessora AIMA na vertente de fronteiras).
- Cibersegurança e infraestruturas críticas: Centro Nacional de Cibersegurança, Gabinete Nacional de Segurança, operadores de infraestruturas reconhecidas como críticas.
Para validar como practitioner, a entidade tem mandato operacional reconhecido em segurança civil, não apenas atividade de investigação ou regulamentação.
Proteção de comunicações e classificação de informação
Adicionalmente, se os projetos usarem dados ou serviços satellite-based (observação da Terra, posicionamento, navegação ou timing), os beneficiários têm de usar Copernicus e/ou Galileo/EGNOS, sendo permitido complementar com outros sistemas.
O que se entende por disruptivo
Por ser Open Topic, qualquer tecnologia com características disruptivas é elegível, desde que aplicada à segurança civil. Áreas naturalmente alinhadas incluem:
- Sensorização não convencional: sensores quânticos, deteção remota baseada em fotónica avançada, biossensores em tempo real para CBRN ou contaminantes ambientais.
- IA com novas arquiteturas: federated learning para deteção partilhada sem partilha de dados, neuromorphic computing para análise de imagem em tempo real, autonomous decision support em ambientes high-stakes.
- Materiais avançados: têxteis funcionais para proteção individual, materiais auto-reparáveis para infraestrutura crítica, blindagem leve.
- Sistemas autónomos: swarms de UAV, robótica de busca e salvamento em ambientes hostis, sistemas anfíbios para ambientes marítimo-fluviais.
- Computação quântica e pós-quântica: cibersegurança quantum-resistant, simulação de cenários de risco com computação quântica, gestão segura de identidades digitais.
Janela de candidatura
- Abertura: 6 de maio de 2026
- Submissão: 5 de novembro de 2026, 17h00 hora de Bruxelas
- Avaliação: novembro 2026 a março 2027
- Grant Agreement: tipicamente até 8 meses após submissão. Início efetivo provavelmente em segundo semestre de 2027.
O que recomendamos
Este Open Topic é uma das oportunidades mais acessíveis do CL3 de 2026 para startups deep tech, spin-offs universitários e PME inovadoras com tecnologia transferível para segurança civil. A dimensão (1,5 milhões por projeto) e a duração tipicamente curta (24 a 36 meses) permitem que pequenos consórcios concorram realisticamente. Não é necessário um OEM líder ou um campeão nacional, basta ter uma tecnologia genuinamente disruptiva e os parceiros practitioners certos.
A nossa recomendação prática para entidades portuguesas é dupla. Primeiro, o ponto crítico é o lock-in dos practitioners. Os calendários da ANEPC, PSP, GNR, Polícia Judiciária e INEM são exigentes e o engagement formal num consórcio de candidatura tem de ser garantido com várias semanas de antecedência. As propostas que chegam a maio com practitioners ainda em negociação raramente acabam submetidas em novembro. Segundo, a categoria RTO em Portugal tem candidatos naturais como o INESC TEC, INESC-ID, IT-Aveiro, INEGI, CEiiA e os centros sob a Fraunhofer Portugal. Articular RTO com practitioner e startup deep tech num único consórcio é o pacote vencedor.
Atenção ao tema da informação classificada. A elegibilidade de personnel, instalações e procedimentos para EUCI/SEN tem implicações práticas em proteção física, IT security e clearance individual que nem todas as PME estão preparadas para suportar. Se o tópico técnico envolve potencial classificação, prever desde a fase de proposta o trabalho com o Gabinete Nacional de Segurança. Um pormenor frequentemente ignorado que custa meses na fase de Grant Agreement.
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