O que é

Da tecnologia ao caso de uso real

O tópico HORIZON-CL4-2023-HUMAN-01-12 financiou pilotos para a Next Generation Internet, com o objetivo de acelerar a adoção destas tecnologias na Europa, integrando-as numa variedade de casos de uso industriais e societais. O ponto de partida é uma carteira rica de tecnologias e ferramentas desenvolvidas no programa Next Generation Internet ao longo do Horizonte 2020 e do Horizonte Europa, agora prontas para serem aplicadas a problemas concretos.

A ambição dos pilotos era validar soluções de internet centradas no ser humano ao longo de cadeias de valor, em condições tão próximas quanto possível das operacionais, envolvendo grandes grupos de utilizadores e provando o seu potencial socioeconómico. Os setores visados eram diversos, dos serviços públicos à saúde e bem-estar, da gestão da cadeia de abastecimento aos transportes, das finanças às indústrias criativas e culturais, do turismo à energia. Cada projeto tinha de abordar casos de uso de pelo menos dois setores diferentes e tratar as suas interdependências.

Concurso encerrado, ficha de referência
Este tópico teve prazo de submissão a 29 de março de 2023 e está encerrado. A ficha documenta a linha de pilotos da Next Generation Internet no Cluster 4, relevante para empresas que aplicam tecnologias de internet de confiança em setores verticais e para inovadores de código aberto.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Sendo uma ação de inovação orientada para a aplicação prática de tecnologias maduras, o tópico cruzava duas necessidades complementares.

  • I&D e ciência: os pilotos incluíam atividades de desenvolvimento, integração e teste de soluções de código aberto, levando tecnologias da Next Generation Internet de um estado de prova de conceito para a validação em ambiente operacional, com forte ênfase na replicabilidade e na portabilidade dos resultados.
  • Digitalização e IA: a essência do tópico era integrar soluções digitais avançadas em casos de uso concretos de setores como a saúde, os transportes, as finanças ou a energia, demonstrando como a internet centrada no ser humano pode transformar processos e serviços nas indústrias verticais.
Como funcionava

Pilotos com financiamento a terceiros

Tal como outros tópicos da família Next Generation Internet, este previa um mecanismo de financiamento em cascata. As propostas deviam incorporar contributos de terceiros, inovadores de código aberto, alocando um mínimo de 15 por cento da contribuição europeia solicitada a apoio a terceiros, selecionados através de concursos abertos.

14M€
Dotação indicativa total
5
Projetos previstos
60K€
Máximo por terceiro

Cada projeto de terceiros era financiado tipicamente num intervalo de 10 mil a 50 mil euros, com um máximo de 60 mil euros e uma duração indicativa de 6 a 9 meses. A Comissão considerava adequada uma duração típica de 24 a 36 meses para o projeto piloto, sem com isso excluir propostas com outras durações.

Os pilotos abrangiam todo o ciclo de desenvolvimento, integração, teste, implementação, adoção e operação. O foco recaía nas soluções de código aberto, software e hardware, bem como na sua integração e adoção em casos de uso verticais, para garantir a replicabilidade e a portabilidade. As propostas deviam considerar cuidadosamente as necessidades e expectativas dos utilizadores finais como motor do desenvolvimento, atender aos requisitos de eficiência energética e abordar questões de inclusão e sensibilidade de género nas soluções desenvolvidas.

Para quem

Que perfil de organização servia

A natureza multissetorial e aplicada do tópico definia um consórcio que juntava competência tecnológica e conhecimento de domínio:

  • Fornecedores de tecnologia digital e inovadores da Next Generation Internet, com soluções maduras de código aberto prontas a aplicar.
  • Organizações utilizadoras dos setores verticais visados, da saúde aos transportes, das finanças à energia, que traziam os casos de uso reais.
  • Peritos das ciências sociais e humanas, para garantir que as soluções respondiam às necessidades dos utilizadores finais.
  • PME e startups de código aberto, sobretudo como beneficiárias dos concursos a terceiros que cada piloto era obrigado a organizar.

A submissão era em fase única e seguia as regras gerais do Horizonte Europa, com elegibilidade aberta a entidades dos Estados-Membros e países associados.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é o tópico da família Next Generation Internet com maior proximidade ao mercado e, por isso, o mais interessante para empresas com produto. A chave de uma candidatura bem sucedida estava na qualidade do caso de uso. A avaliação valorizava a demonstração de que uma tecnologia de internet de confiança resolvia um problema real em pelo menos dois setores, com utilizadores reais a usá-la em condições próximas das operacionais. Uma empresa que dominasse um vertical (na saúde ou na logística) e soubesse articular um problema concreto era um parceiro valioso para qualquer consórcio piloto.

Para a maioria das PME portuguesas, porém, a via mais acessível continuava a ser o segundo nível. Cada piloto canalizava pelo menos 15 por cento do orçamento para concursos a terceiros, com tickets de 10 mil a 60 mil euros e prazos curtos. Para uma startup de código aberto, candidatar-se a um destes concursos é uma forma realista de entrar no ecossistema, validar uma solução em ambiente de piloto e ganhar referências europeias. A recomendação é clara: mapear os pilotos financiados nestes tópicos e acompanhar de perto as suas chamadas a terceiros.

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