O que é

Uma estratégia europeia para o metaverso

O tópico HORIZON-CL4-2023-HUMAN-01-23 financiou um projeto de coordenação dedicado a apoiar a emergência de um metaverso aberto e centrado no ser humano na Europa. A fusão acelerada entre o mundo real e os mundos aumentados e virtuais está a dar origem ao metaverso, uma rede de mundos imersivos onde as pessoas interagem em tempo real para diversos fins, com aplicações em inúmeros setores industriais e de serviços, da criatividade e das artes à saúde.

A ambição era garantir que esta nova camada da internet nasce alinhada com os valores e princípios europeus. Para estar em linha com a Declaração da UE sobre os Direitos e Princípios Digitais, o metaverso tem de ser aberto, centrado no ser humano, fiável, seguro e ético, oferecendo oportunidades a todos e respondendo a desafios societais importantes, como a saúde e a transformação verde. O projeto selecionado tinha de contribuir para as três dimensões da visão europeia: as pessoas, as tecnologias e a infraestrutura.

Concurso encerrado, ficha de referência
Este tópico teve prazo de submissão a 29 de março de 2023 e está encerrado. A ficha documenta a ação de coordenação do metaverso europeu no Cluster 4, relevante para empresas de realidade estendida, criação de conteúdos imersivos e organizações que acompanham a estratégia digital europeia.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Sendo uma ação de coordenação e apoio, este tópico não financiava o desenvolvimento de tecnologia, financiava a estruturação de uma comunidade e a construção de uma agenda comum.

  • I&D e ciência: o projeto estruturava e apoiava a comunidade europeia do metaverso através de atividades como o networking, a divulgação, a sensibilização pública, a vigilância tecnológica, a análise de mercado, os esforços de normalização e a colaboração entre indústria e academia, ligando a comunidade científica e empresarial à definição de uma estratégia e de um roteiro europeus para os mundos virtuais.
Âmbito

O que o projeto tinha de entregar

A proposta selecionada concentrava um conjunto alargado de tarefas de coordenação, todas orientadas para tornar a Europa um ator de referência na definição de um metaverso de confiança. Entre as atividades centrais estavam:

  • Organizar um vasto processo de envolvimento com as partes interessadas e uma consulta ampla a cidadãos e à sociedade civil sobre expectativas, oportunidades, desafios e o papel da Europa no metaverso.
  • Reforçar as ligações entre os vários elementos do metaverso, em particular a realidade estendida, a inteligência artificial, a blockchain e a conectividade, garantindo a transferência de conhecimento e a construção de comunidade.
  • Apoiar o desenvolvimento de uma estratégia e de um roteiro da UE para um metaverso aberto e centrado no ser humano, identificando áreas prioritárias com forte dimensão pública.
  • Ajudar a definir normas de indústria que garantam a interoperabilidade, a abertura e a integração entre aplicações, sistemas, dados e plataformas.
  • Identificar os aspetos éticos, legais, societais e económicos do metaverso, como a propriedade da identidade digital, explorando modelos de governação e de propriedade intelectual baseados em código aberto.

O projeto devia ainda colaborar de perto com outras iniciativas europeias relacionadas, como a coligação de realidade aumentada e virtual, os espaços comuns europeus de dados, as parcerias relevantes e a iniciativa Next Generation Internet, além de apoiar a cooperação internacional, sobretudo na interoperabilidade e na normalização.

Para quem

Que perfil de organização servia

Por se tratar de uma ação de coordenação com um único projeto financiado, o perfil ideal era o de uma organização capaz de mobilizar e representar todo um ecossistema, não o de uma equipa de desenvolvimento tecnológico:

  • Associações industriais, redes europeias e plataformas de realidade estendida e tecnologias imersivas, com capacidade de agregar empresas e investigadores de vários países.
  • Organizações com competência em normalização, governação digital e análise de políticas públicas, capazes de produzir roteiros estratégicos credíveis.
  • Entidades com experiência em consulta pública e envolvimento de cidadãos, requisito central deste tópico.

A submissão era em fase única e seguia as regras gerais do Horizonte Europa, com elegibilidade aberta a entidades dos Estados-Membros e países associados.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

As ações de coordenação como esta raramente são o destino de uma PME tecnológica que desenvolve produto. O seu valor está noutro plano. Quem ganha um projeto destes torna-se, na prática, o ponto de encontro de toda a comunidade europeia de um tema. Para uma empresa portuguesa de realidade estendida ou de criação de conteúdos imersivos, o interesse não era liderar a coordenação, era estar dentro da rede que ela construiu, participar nas consultas, influenciar o roteiro e ganhar visibilidade junto dos decisores europeus.

A nossa recomendação para empresas do setor é tratar estas ações de coordenação como infraestrutura de relacionamento. Estar mapeado nas suas consultas e eventos posiciona a empresa para os tópicos de investigação e inovação que se seguem, esses sim com financiamento direto ao desenvolvimento. O metaverso europeu ainda está a definir as suas regras e as suas normas. Quem participar nessa definição parte em vantagem quando o financiamento ao produto chegar.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]