A transportadora da economia em órbita
O tópico HORIZON-CL4-2025-02-SPACE-23 financiou o desenho detalhado da componente de logística da missão piloto europeia de operações e serviços no espaço, conhecida pela sigla ISOS. O objetivo estratégico desta missão é desenvolver a capacidade europeia de agir no espaço, demonstrando até 2030 uma infraestrutura de serviço que sirva de semente a uma nova economia em órbita e que reforce a autonomia tecnológica da União Europeia.
A componente de logística é a transportadora da missão. Tem de levar carga, nomeadamente módulos satAPPs e propelente, recolhida de um estágio superior, até à componente central da plataforma, conhecida como HOST. Sem esta peça, as outras componentes da missão não recebem o que precisam para operar. À semelhança das restantes, assenta em princípios de economia circular, com funcionalidade plug-and-play e reutilização de módulos, para construir uma infraestrutura espacial automatizada, flexível e economicamente viável.
Necessidades que este instrumento resolve
Sendo uma ação de investigação e inovação dirigida a uma capacidade espacial estratégica, a necessidade que mobiliza é uma só, com forte orientação para a aplicação futura.
- I&D e ciência: o tópico financiava investigação para concluir o desenho da componente de logística, amadurecer as tecnologias críticas e resolver desafios como o acoplamento e a gestão e transferência de propelente com a plataforma HOST. As atividades deviam atingir o TRL 6 no final do projeto, segundo a definição aplicável ao setor espacial.
Acoplamento, transferência de propelente e interfaces
A missão ISOS está organizada em componentes que têm de funcionar em conjunto. Este tópico tratava especificamente da componente de logística. As ações de investigação e inovação a desenvolver incluíam:
- Concluir o desenho detalhado da missão e do sistema para a componente de logística, demonstrando que todas as tecnologias relevantes atingem o TRL necessário.
- Investigar tecnologias de base para transportar carga, ou seja módulos satAPPs e propelente, de um estágio superior até à componente HOST.
- Investigar soluções de acoplamento e de gestão e transferência de propelente com a plataforma HOST, incentivando o aproveitamento de desenhos europeus existentes.
- Contribuir para o desenho global da missão piloto, em cooperação estreita com as restantes componentes, com a ação de coordenação e com o grupo consultivo da missão.
As propostas deviam promover a cooperação entre indústria, PME e instituições de investigação e considerar oportunidades de transformar rapidamente a inovação tecnológica em uso comercial no espaço. Eram esperadas complementaridades com investigação anterior do Horizonte Europa, do Horizonte 2020 e de programas da Agência Espacial Europeia e nacionais, bem como o recurso a tecnologias e blocos de construção europeus, contribuindo para a não dependência e a competitividade da União.
Que perfil de organização servia
A natureza deep tech do tópico, ligada a uma missão espacial estratégica europeia, definia um consórcio industrial e científico de elevada especialização:
- Empresas e integradores do setor espacial com competência em veículos de transferência orbital, acoplamento e gestão de propelente.
- PME de tecnologia espacial e deep tech capazes de levar inovação ao TRL 6 e de a preparar para uso comercial e governamental.
- Centros de investigação e universidades com competência em sistemas espaciais, propulsão e operações em órbita.
O projeto selecionado tinha de colaborar com os das componentes vizinhas da missão, em particular os tópicos SPACE-21, 22 e 24 e com a respetiva ação de coordenação, formalizando essa cooperação num acordo de colaboração. Os custos elegíveis assumiam a forma de montante fixo.
O que recomendamos
A componente de logística é a peça que torna a missão ISOS operacional. De pouco vale ter uma plataforma central e módulos reconfiguráveis se não houver forma de lhes levar carga e propelente em órbita. O acoplamento e a transferência de propelente no espaço estão entre os desafios técnicos mais difíceis desta missão, o que explica a dotação por projeto de 10 a 12 milhões de euros para um único projeto previsto.
O ponto a reter é que estes tópicos não vivem isolados. Fazem parte de uma missão coordenada, com componentes que se obrigam a colaborar e com uma elegibilidade geográfica apertada. Para empresas e centros portugueses com competência em propulsão, sistemas de transferência orbital e operações em órbita, a recomendação é seguir de perto os próximos tópicos do destino Espaço do Cluster 4 e da Agência Espacial Europeia e construir cedo as parcerias que dão acesso a estes consórcios, porque é aí que se define quem participa nas missões da próxima década.
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