Contexto

Simulacoes climáticas ao servico da politica global

O topico HORIZON-CL5-2025-06-D1-01 financia a produção de simulacoes climáticas de ultima geracao destinadas a informar as avaliações do Painel Intergovernamental sobre Mudancas Climáticas (IPCC), incluindo o Setimo Relatorio de Avaliação (AR7) e a apoiar o processo da UNFCCC e os esforcos de politica climática a nível europeu e global.

O ponto de partida do regulamento e uma critica técnica ao estado atual da modelacao climática: as simulacoes e projecoes disponiveis nao estao suficientemente coordenadas entre si, respondem de forma desigual as necessidades dos decisores politicos e o calendario em que sao produzidas nem sempre coincide com o ritmo dos ciclos de avaliação do IPCC. Este topico financia exatamente a infraestrutura de produção e coordenacao que corrige estes deficits.

Ambito técnico

O que as propostas devem cobrir

O regulamento e exigente quanto ao ambito técnico. As propostas devem abordar um conjunto alargado de aspetos complementares:

  • Projecoes climáticas globais: produção de simulacoes com Modelos do Sistema Terrestre (ESM) de ultima geracao, integrando as mais recentes melhorias em modelacao e compreensao de processos, com representacao completa dos feedbacks clima-ciclo de carbono.
  • Cenarios de overshoot de temperatura: simulacoes de diferentes níveis e duracoes de ultrapassagem dos limites de temperatura acordados, avaliando os riscos e a viabilidade de metodos de remocao de CO2.
  • Coordenacao entre programas internacionais: harmonizacao entre iniciativas como CMIP, CORDEX, ISIMIP e IAMC, melhorando a consistencia e a resposta as necessidades de politica.
  • Infraestrutura de modelacao: melhoria de software, ferramentas e dados de suporte, adaptação dos modelos a computacao de alto desempenho (HPC). Ate 30% do orcamento pode ser alocado a infraestrutura.
  • Co-criação com decisores: o design de cenarios e o quadro de operacionalizacao devem ser desenvolvidos em co-criação com responsaveis politicos, atraves de conselhos consultivos ou outros mecanismos participativos.
Principio FAIR e ciencia aberta
O regulamento impoe obrigacoes reforcadas de ciencia aberta: os novos modulos, modelos ou ferramentas desenvolvidos com financiamento europeu devem ser de acesso aberto, incluindo codigo-fonte e dados de input. Esta obrigacao vai alem das regras padrao do Horizonte Europa e deve estar refletida no plano de gestão de dados da proposta.
Cooperação internacional

O Sul Global como parceiro obrigatorio

O topico promove ativamente a cooperação com o Sul Global. Os consórcios podem incluir investigadores de paises de baixo e medio rendimento como beneficiarios de sub-concessoes de apoio financeiro a terceiros, com um montante máximo de EUR 60 000 por investigador individual. Esta disposicao cobre, por exemplo, programas de formacao para investigadores de carreira inicial provenientes de paises em desenvolvimento.

O valor total máximo alocado a estas atividades de cooperação com o Sul Global nao pode exceder EUR 1 000 000 no total do projeto. As propostas devem quantificar estes recursos na orcamentacao.

Para que tipo de entidade

Perfil dos consórcios elegíveis

Este topico e altamente especializado. Os consórcios liderados para este tipo de trabalho sao tipicamente constituidos por centros nacionais de meteorologia e climatologia (como o IPMA em Portugal), institutos de investigação do sistema terrestre, supercentros de computacao e universidades com grupos de climatologia de referencia.

Em Portugal, o Instituto Portugues do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Centro de Ciencias do Mar e do Ambiente (MARE) sao exemplos de entidades com perfil técnico para participar em consórcios deste genero. O acesso a infraestruturas de computacao de alto desempenho - seja atraves do LNEC, do INCD ou de parceiros europeus no EuroHPC - e um fator critico para a elegibilidade prática das propostas.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este e um topico de ciencia pesada: o perfil de entidades aptas a liderar estas propostas e muito estreito. A relevancia para a maioria das organizações privadas e limitada, salvo empresas de tecnologia climática ou consultoras especializadas que possam integrar consórcios em papeis de suporte tecnologico ou de interfaz com politicas.

Para entidades públicas e academicas com capacidade real nesta area, o valor estratégico e alto: participar no pipeline de produção de dados que alimenta o IPCC confere visibilidade internacional e credibilidade institucional. Portugal tem histórico de participacao nos programas CMIP e CORDEX e e elegivel para liderar ou co-liderar consórcios neste topico.

A obrigacao de ciencia aberta para modelos e ferramentas e um differentiator nas propostas: equipas com práticas estabelecidas de desenvolvimento de software aberto, gestão de dados FAIR e publicacao de codigo-fonte estao melhor posicionadas para pontuar no criterio de excelencia da avaliação.

Comentarios, correcoes ou contrapontos sao bem-vindos: [email protected]