O que é

Investigação para predizer e atribuir eventos climáticos extremos

O HORIZON-CL5-2027-01-D1-07 é um tópico do Cluster 5 do Horizonte Europa, integrado na call CLIMATE 2027. Aborda um problema cujo custo macroeconómico já ultrapassa as projeções: o aumento da frequência e severidade de eventos meteorológicos extremos (ondas de calor, cheias, secas, ciclones, eventos compostos) num clima em alteração rápida. A Comissão alocou 18 milhões de euros, com expectativa de financiar 3 projetos de cerca de 6 M EUR cada.

A formato é HORIZON-RIA com lump sum, single-stage. Quem ganha tem mandato para combinar Earth system models de alta resolução, digital twins, técnicas de inteligência artificial e atribuição estatística para gerar previsões e projeções operacionalmente úteis ao policy-making climático e à proteção civil.

O tópico é uma peça central da arquitetura europeia de adaptação. Contribui diretamente para a próxima European Climate Risk Assessment (EUCRA) e está formalmente acoplado ao FutureEO da ESA dentro de um Extreme-Events Flagship Cluster, o que cria uma exigência adicional de coordenação inter-projeto desde o desenho da proposta.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico financia investigação climática avançada com componente forte de modelação e digital twins. Não é um instrumento de adaptação no terreno nem de investimento em infraestrutura resiliente, é o estudo científico que alimenta esses processos a jusante.

  • I&D e ciência: o tópico financia investigação fundamental e aplicada em ciência climática, combinando modelos do sistema terra de alta resolução, digital twins, machine learning e atribuição estatística para perceber processos físicos e antropogénicos que conduzem a eventos extremos.
  • Sustentabilidade, energia e clima: os outputs alimentam diretamente o EU Adaptation Strategy, o European Climate Adaptation Plan e o EUCRA, com aplicação imediata em early warning systems, planeamento de emergência e modelação de risco climático.
Resultados esperados

Outcomes obrigatórios

  • Compreensão melhorada de eventos extremos passados e presentes na Europa e globalmente, incluindo interação entre vários hazards, efeitos cumulativos e em cascata.
  • Capacidade de predição e projeção integrada ("seamless"), do curto prazo meteorológico ao multi-decadal climático, incluindo atribuição de eventos.
  • Contributos atualizados para a ciência climática, avaliações de risco, estratégias de adaptação e early warning systems multi-hazard.
Scope técnico

O que a Comissão considera no âmbito

O texto da chamada é deliberadamente amplo no tipo de eventos a abordar: eventos isolados, compostos ou em cascata, da escala continental ao local, afetando vidas, ecossistemas, setores socioeconómicos e infraestruturas. Mas é específico no método.

  • Hierarquia de modelos: proposals devem combinar Earth system models de alta resolução, digital twins (alinhados com Destination Earth) e dados observacionais para reconstruir e atribuir eventos.
  • Métodos AI-based: abordagens emuladoras e de machine learning para prever, antecipar e revelar eventos extremos sem precedente são explicitamente "particularly welcome".
  • Intercomparações quantitativas: retrospetivas, lições aprendidas e estudos de caso de eventos emblemáticos recentes (ondas calor 2022/2023, cheias na Europa Central, secas mediterrânicas) com demonstração de progresso face ao estado da arte.
  • Storylines e contributos para EUCRA: o trabalho deve servir a próxima European Climate Risk Assessment, por exemplo via storylines sobre extremos.
  • Coordenação ESA / Copernicus: participação obrigatória no Extreme-Events Flagship Cluster, com cluster meetings, gestão conjunta de dados e integração com FutureEO.
Coordenação obrigatória ESA-Comissão
Este tópico está formalmente integrado num Extreme-Events Flagship Cluster co-coordenado entre Comissão Europeia e ESA. Os consórcios vencedores serão obrigados a articular-se com projetos selecionados sob o programa FutureEO da ESA. As propostas devem reservar budget e tempo de equipa para esta coordenação, sob pena de notas baixas no critério de implementation.
Calendário e formato

Datas, valores e regras

18M EUR
Dotação tópico
3
Grants esperados
6M EUR
Min/máx por proposta
100%
Taxa de financiamento
MarcoData
Abertura prevista17 de novembro de 2026
Deadline submissão4 de março de 2027 (single-stage)
Tipo de açãoHORIZON-RIA (Research and Innovation Action)
Modelo de custosLump sum
Coordenação obrigatóriaExtreme-Events Flagship Cluster (Comissão + ESA FutureEO)
JRC participationPossível, como beneficiário com zero financiamento ou parceiro associado
Quem se qualifica

Perfil de consórcio competitivo

A natureza do tópico exige consórcios fortemente científicos, com capacidade de modelação climática de ponta e de integração com infraestruturas europeias de observação da Terra.

  • Centros de modelação climática nacionais (DKRZ na Alemanha, CMCC em Itália, BSC em Espanha, IPMA em Portugal) com capacidade de Earth system modelling de alta resolução.
  • Universidades com expertise em ciência atmosférica, hidrologia, oceanografia e física do clima.
  • Institutos meteorológicos e hidrológicos nacionais com responsabilidade operacional sobre early warning systems.
  • Centros de inteligência artificial aplicada a Earth system science (entre eles ECMWF, Climate AI initiatives).
  • Entidades com track record em atribuição de eventos (World Weather Attribution-type expertise).
  • Partners industriais ou tecnológicos para componentes de digital twins e operacionalização de previsão.

Consórcios típicos têm 10 a 14 entidades de pelo menos 5 Estados-membros e Países Associados. A diversidade geográfica (representação Norte, Sul, Leste e regiões insulares ou costeiras) pesa positivamente, dado o foco em vulnerabilidades regionalmente diferenciadas.

Elegibilidade geográfica

Quem pode participar

Aplicam-se as regras gerais de elegibilidade do Horizonte Europa: entidades estabelecidas em Estados-Membros UE e Países Associados podem participar com financiamento integral. O JRC pode integrar consórcios como membro com zero funding ou como parceiro associado, com contributo previsto em advisory científico e suporte técnico no contexto do Copernicus Emergency Management Service.

Não há restrições setoriais por CAE. Aplica-se a regra obrigatória de uso de Copernicus e Galileo/EGNOS sempre que o projeto utilize dados de observação satelital ou navegação. Cooperação com países de baixo e médio rendimento é encorajada, sobretudo para capacity building em adaptação climática.

Encaixe estratégico

Posição no portfolio europeu de ciência do clima

Este tópico é um dos mais competitivos do Cluster 5. A combinação de dotação relativamente alta (6 M EUR por grant), número reduzido de vencedores (3) e relevância política direta (alimenta EUCRA, EU Mission on Adaptation) atrai os centros europeus de referência em ciência climática. A coordenação obrigatória com a ESA via Flagship Cluster eleva ainda mais a barreira de entrada: proposals que não demonstrem capacidade real de articulação com missões satélite (Sentinels, FutureEO) terão dificuldade em pontuar.

Para entidades portuguesas, o IPMA, o IDL (Universidade de Lisboa), o CIIMAR (Universidade do Porto) e o Instituto Dom Luiz têm o perfil técnico para integrar consórcios competitivos. A liderança a partir de Portugal é improvável neste tópico, salvo aliança forte com um centro de modelação europeu de primeira linha. A entrada como parceiro num work package específico (validação regional, casos de estudo na Península Ibérica, expertise oceanográfica atlântica) é mais realista e estrategicamente útil.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um tópico de alta exigência técnica e alta visibilidade política. Para o ecossistema português de ciência climática, faz sentido posicionar-se como parceiro especializado em três frentes possíveis: validação regional ibérica e atlântica, expertise oceanográfica e marinha e contributos para eventos compostos em zonas costeiras e insulares. A combinação Açores-Madeira-Algarve-costa atlântica continental é cientificamente relevante para storylines de extremos costeiros.

Três alertas. Primeiro: a coordenação com ESA não é decorativa. Tem que estar refletida no work plan, no budget de viagens e reuniões e no perfil dos partners. Proposals que tratem este ponto como linha de texto perdem pontos. Segundo: o uso de digital twins e AI tem que ser substantivo e diferenciador. Mencionar "machine learning" sem demonstrar capacidade técnica real é tóxico para a avaliação. Terceiro: o lump sum exige work packages com milestones quantitativos e mensuráveis. Não há espaço para vagueza e qualquer derrapagem técnica afeta o pagamento.

Quem queira liderar deve começar a montar consórcio agora, com pelo menos um centro de modelação europeu top-tier confirmado e um partner com pé dentro de Destination Earth ou Copernicus. Quem entre como parceiro deve contactar coordenadores potenciais até final do verão de 2026.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]