O que é

Linhas-piloto flexíveis para baterias Li-ion e Na-ion

O HORIZON-CL5-2027-02-D2-06 é uma ação Horizon Europe que financia o desenvolvimento de processos e máquinas de nova geração para a produção industrial de células de bateria de iões de lítio e iões de sódio. O foco é simultâneo em duas frentes: redução substancial de custo (CAPEX e OPEX) e redução substancial de consumo energético e pegada ambiental, mantendo ou melhorando a qualidade e fiabilidade das células. O tópico implementa a Parceria Europeia co-programada Batt4EU e os projetos terão de reportar resultados em apoio do monitorização dos seus KPIs.

A particularidade desta call é a exigência de flexibilidade. As linhas de produção têm de ser modulares e reconfiguráveis para alternar entre diferentes químicas de Li-ion (NMC, LFP, novos cátodos) e químicas de Na-ion sem grande recontaminação cruzada nem perda de produtividade. Esta abordagem reconhece o que a indústria europeia precisa: capacidade de absorver mudanças tecnológicas rápidas em vez de fábricas dedicadas a uma única química e tecnologia que ficam obsoletas em cinco anos. As ações abrangem dois instrumentos: IA (Innovation Actions) para o desenvolvimento e demonstração, e CSA (Coordination and Support) para coordenação e disseminação.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Esta ação cruza três necessidades empresariais que raramente aparecem juntas no mesmo instrumento: investigação aplicada em processos de fabrico avançado, capital para investimento produtivo em linhas-piloto industriais, e contributo direto para a descarbonização da cadeia europeia de produção de baterias.

  • I&D e ciência: financia desenvolvimento de novos sistemas de mistura e técnicas de fabrico de elétrodos com controlo de qualidade in-line, processos de formação e envelhecimento rápidos e energeticamente eficientes, e digitalização da linha com identificação automática de defeitos. Inclui techno-economic assessments (TEA) e análises de ciclo de vida (LCA) integradas.
  • Investimento produtivo: apoia a construção de pilot lines reais (não apenas protótipos laboratoriais) com capacidade de transitar entre químicas, equipamento modular para sala seca de montagem de células, e investimento em sensores e digitalização do processo. TRL 6-7 ao final do projeto significa que a tecnologia está pronta para passar para fábrica de scale-up.
  • Sustentabilidade, energia e clima: reduções mensuráveis de CAPEX, OPEX, consumo energético e pegada ambiental face ao estado da arte são critério obrigatório, não desejável. A integração de Safe and Sustainable by Design (SSbD) da Comissão é referência explícita para a avaliação de químicas e materiais. O foco em Na-ion aborda diretamente a dependência europeia de matérias-primas críticas associadas ao Li-ion convencional.
Estrutura financeira

€227,6 M de envelope, TRL 6-7, deadline final de 2027

€227,6M
Envelope da call 2027
6-7TRL
Maturidade alvo
2tipos
IA + CSA combinados
12/27
Deadline 09/12/2027

O envelope total da call HORIZON-CL5-2027-02 é de €227,6 milhões, distribuídos por vários tópicos. Este tópico específico partilha o envelope com outros relacionados a Cluster 5 (energia, mobilidade, baterias). A indicação de orçamento na descrição da call mostra dez sub-tópicos individuais que variam entre €5 milhões e €43 milhões, refletindo a heterogeneidade da call: alguns tópicos financiam projetos únicos de demonstração de larga escala, outros financiam vários projetos paralelos de menor dimensão.

Os projetos têm de atingir TRL 6-7 ao final, ou seja, demonstração de tecnologia em ambiente relevante (TRL 6) ou em ambiente operacional (TRL 7), próximo já da prontidão para industrialização. As atividades podem começar em qualquer TRL inferior, o que permite consórcios que partam de TRL 4-5 (validação em laboratório) e cubram todo o trajeto até à demonstração industrial.

Inovações técnicas no escopo

Cinco frentes simultâneas em cada projeto

As propostas têm de abordar conjuntamente várias dimensões do processo de fabrico. A Comissão Europeia define explicitamente que não basta otimizar uma etapa; o projeto tem de mostrar ganhos integrados ao longo da linha de produção.

  • Equipamento modular flexível: máquinas e células de produção reconfiguráveis que acomodem transições entre várias químicas Li-ion (NMC, LFP, NCA, novos cátodos) e químicas Na-ion sem contaminação cruzada.
  • Sistemas de mistura e fabrico de elétrodos: novos sistemas de mistura (slurry mixing, dry coating) e técnicas avançadas de fabrico de elétrodos com controlo de qualidade in-line e identificação automática de defeitos.
  • Sala seca otimizada: processos de montagem em sala seca com equipamento que aumente o throughput, reduza o consumo energético associado à manutenção das condições de baixa humidade e melhore o controlo ambiental.
  • Formação e envelhecimento rápidos: processos de formação eletroquímica e de envelhecimento mais rápidos e energeticamente eficientes, reduzindo o tempo total versus o estado da arte e melhorando a garantia de qualidade.
  • Digitalização e LCA: digitalização da linha de produção com testes de qualidade e deteção de defeitos in-line; techno-economic assessments e life-cycle analyses integrados que demonstrem vantagens claras face ao estado da arte.
Perfil do consórcio

Cadeia europeia de baterias do laboratório à pilot line

O perfil do consórcio vencedor combina três tipos de parceiros. Primeiro, fabricantes europeus de equipamento de produção de baterias e fornecedores de tecnologia (Manz, Bühler, Dürr na Alemanha, Comau em Itália, Solith e fabricantes nórdicos), peças centrais para validar máquinas modulares reais. Segundo, células industriais e gigafábricas em scale-up que possam hospedar a linha-piloto (Northvolt, ACC, Verkor, PowerCo, mas também novos entrantes como InoBat e Morrow). Terceiro, RTOs e universidades europeias com massa crítica em materiais de baterias, processos de fabrico e digitalização (Fraunhofer IPA, CEA Liten em França, CIDETEC em Espanha, INL em Braga, IST e LNEG em Portugal).

A participação do JRC, Joint Research Centre da Comissão, é explicitamente convidada como beneficiário sem financiamento, com possível contribuição em investigação experimental ou análises de desempenho e segurança. Esta opção pode reforçar a credibilidade técnica do consórcio mas não substitui parceiros industriais.

A exploração dos resultados é obrigatória e tem de incluir plano de scalability, comercialização e deployment, indicando fontes de financiamento subsequente, em particular o Innovation Fund que cofinancia projetos de demonstração industrial em maior escala.

Elegibilidade e condições

Calendário, requisitos e ligação à Batt4EU

A elegibilidade segue o Annex B do Work Programme General Annexes do Horizonte Europa. Países UE e associados são elegíveis, em consórcio mínimo de três entidades de pelo menos três países diferentes (regra padrão IA). A deadline é a 9 de dezembro de 2027, o que dá uma janela de preparação de cerca de 18 a 20 meses a partir do final de 2025.

Os projetos são obrigados a reportar à Parceria Europeia BATT4EU em apoio à monitorização dos seus KPIs. Esta ligação significa que o projeto não é uma ação isolada; integra a estratégia europeia coordenada de baterias e os resultados serão usados na avaliação do progresso global do setor. Para a indústria, isto traz visibilidade institucional acrescida, mas também maior escrutínio e exigência de alinhamento com a roadmap BATT4EU.

Standard Horizon Europe conditions aplicam-se: Annex A admissibilidade, Annex C capacidade financeira, Annex D critérios de excelência, impacto, qualidade e eficiência da implementação, e Annex G setup legal e financeiro. A autoridade de financiamento pode objetar a transferência de ownership de IP até 4 anos após o final da ação.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para empresas portuguesas e equipas de investigação, este tópico tem entrada útil sobretudo via parceria. Portugal tem ativos relevantes em materiais de baterias e ciência fundamental (INL em Braga, IST, U. Aveiro com investigação em eletroquímica e novos materiais), mas não tem ainda gigafábrica ou produtor de equipamento de processo à escala europeia. A entrada estratégica passa por integrar consórcios liderados por fabricantes europeus de equipamento ou por gigafábricas em scale-up, contribuindo com competência específica em caracterização de materiais, modelação ou digitalização.

Para empresas industriais portuguesas em automação, sensorização e digitalização (Inapal, Bosch, Volkswagen Autoeuropa via fornecedores Tier 1 e 2 da indústria automóvel), a oportunidade é entrar na cadeia europeia de equipamento de produção de baterias como fornecedor de subsistemas. A reconversão para componentes de pilot lines de baterias é uma diversificação industrial relevante face ao impacto da eletrificação no setor automóvel português.

Para startups de materiais ou processos, a ação aceita atividades a TRL inicial, o que permite participação em workpackages de I&D upstream. Mas a deadline de TRL 6-7 ao final exige integração com parceiro industrial capaz de demonstração próxima do produtivo. O foco em Na-ion é particularmente interessante: é uma química onde a Europa pode construir liderança sem depender de importações de cobalto, níquel e lítio em escala comparável à do Li-ion convencional.

Recomendamos avaliação durante o primeiro semestre de 2026 com mapeamento de consórcios europeus em formação. A Open Capital pode apoiar nessa identificação de parceiros, na ligação a Batt4EU e em outros tópicos da Cluster 5 que poderão ser complementares para reforçar a tese global da candidatura.

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