O que é o tópico D3-25
O tópico HORIZON-CL5-2027-07-D3-25 pertence ao Cluster 5 do Horizonte Europa, concurso ENERGY. Financia soluções inovadoras para a forma como as salas de comando dos operadores de transporte de eletricidade são concebidas e operadas. O objetivo é aumentar a observabilidade da rede, dar mais automação e apoio à decisão ao operador humano, encurtar tempos de resposta e reduzir a margem de erro.
A dotação indicativa é de 28,5 milhões de euros, distribuídos por cerca de três projetos com contribuição europeia estimada em 9,5 milhões cada. É uma Innovation Action em fase única, com abertura prevista a 4 de agosto de 2027 e prazo a 1 de dezembro de 2027, às 17h00 de Bruxelas. As atividades têm de atingir TRL 6 a 8 no fim do projeto, o que significa validação em ambiente operacional e não apenas em laboratório.
O problema de fundo é conhecido de quem opera rede. A sala de comando de um operador de transporte foi concebida para um sistema com produção centralizada, previsível e em número reduzido de pontos. O sistema atual tem produção dispersa por milhares de pontos, variável à escala de minutos e parcialmente fora do controlo do operador. As ferramentas não acompanharam essa transformação na mesma velocidade.
Necessidades que este instrumento resolve
Este tópico junta digitalização e transição energética de uma forma que nenhum dos dois temas resolve sozinho. A capacidade de integrar mais renováveis sem cortar produção depende diretamente da capacidade de observar, prever e decidir em tempo real sobre o estado da rede.
- Digitalização e IA: o financiamento cobre soluções que combinam hardware e software, sistemas de monitorização de área alargada, gémeos digitais, inteligência artificial, análise em tempo real e visualização avançada, com segurança por conceção e mecanismos de proteção contra ameaças ciber. O uso e desenvolvimento de software de código aberto é expressamente incentivado.
- Sustentabilidade, energia e clima: as novas soluções devem ajudar os operadores a gerir melhor o congestionamento e a integrar mais renováveis reduzindo o corte de produção. Está também no âmbito a preparação, recuperação e reposição do serviço após incidentes, incluindo eventos meteorológicos extremos.
Os oito pontos que a proposta tem de cobrir
Ao contrário de outros tópicos do mesmo concurso, aqui o programa de trabalho não oferece escolha. Os projetos devem abordar todos os itens seguintes. É uma exigência de amplitude que condiciona desde logo a dimensão e a composição do consórcio.
- Conceção e operação da sala de comando: desenhar e testar soluções, tecnologias e processos inovadores que aumentem a observabilidade, deem mais automação e apoio à decisão, encurtem o tempo de resposta e reduzam a margem de erro, com componentes de hardware e de software.
- Monitorização de área alargada: analisar e incorporar, tanto quanto possível, soluções de Wide Area Monitoring Systems que estendam a monitorização e o controlo em tempo real a áreas extensas, lidando com a descentralização e a complexidade crescente do sistema.
- Gestão de congestionamento: facilitar a operação orientada por dados, com análise em tempo real a partir de ativos inteligentes, incluindo preparação, recuperação e reposição após incidentes.
- Atualização das ferramentas operacionais: apoiar os operadores na renovação das suas ferramentas face à transformação profunda das redes, com a opção de descentralizar o controlo para aumentar a resiliência da decisão.
- Previsão avançada: desenvolver previsão de oferta, procura e flexibilidade disponíveis ao operador de sistema, incluindo necessidade de serviços de sistema e capacidade de alojação da rede, com análise e visualização avançadas.
- Interoperabilidade: assegurar interoperabilidade entre salas de comando de operadores diferentes, mesmo com soluções de fornecedores diferentes, garantindo troca de dados e coordenação sem atrito. Estende-se às restantes entidades ligadas à rede de transporte, incluindo os operadores de distribuição adjacentes.
- Tecnologia moderna e cibersegurança: recorrer a gémeos digitais e a inteligência artificial, com segurança por conceção e proteção avançada contra ameaças ciber, privilegiando soluções e módulos de código aberto.
- Transferência de conhecimento: produzir um manual e propor boas práticas utilizáveis por outros operadores, incluindo instruções de operação. Identificar ainda lacunas remanescentes e necessidades futuras de investigação.
Requisitos de parceria e de demonstração
Este tópico define exigências de consórcio que vão muito além do mínimo legal do Horizonte Europa. São requisitos que se aplicam ao projeto no seu conjunto, não a cada piloto individualmente.
| Requisito | Exigência | Natureza |
|---|---|---|
| Operadores de transporte | Pelo menos 2 TSO de eletricidade | Obrigatório |
| Investigação | Pelo menos 2 universidades ou organizações de investigação | Obrigatório |
| Pilotos | Pelo menos 2, em Estados-Membros ou países associados diferentes | Obrigatório |
| Fornecedor de tecnologia | Pelo menos 1 fornecedor de soluções para salas de comando | Encorajado |
| Operadores de distribuição | Pelo menos 2 DSO com redes ligadas às dos TSO parceiros | Encorajado |
| Projeto irmão | Pelo menos 1 projeto financiado pelo tópico ADMS (D3-26) | Encorajado |
A ligação ao tópico irmão merece atenção particular. O programa de trabalho pede colaboração com pelo menos um projeto financiado ao abrigo do concurso relativo aos sistemas avançados de gestão da distribuição, com vista a reforçar a coordenação entre operadores de transporte e de distribuição e a apoiar soluções interoperáveis. As propostas devem descrever um mecanismo credível para o fazer, o que obriga a pensar essa articulação na fase de escrita, quando ainda não se sabe que projetos serão financiados do outro lado.
Uma restrição de controlo acionário a verificar cedo
Além das condições gerais do Anexo B, este tópico aplica a restrição de controlo em Innovation Actions em áreas tecnológicas críticas. Entidades estabelecidas num país elegível mas direta ou indiretamente controladas pela China, ou por uma entidade jurídica estabelecida na China, não são elegíveis para participar na ação. A restrição incide sobre o controlo acionário e não sobre a localização, o que significa que uma filial europeia de um grupo chinês fica excluída mesmo estando estabelecida na União.
Aplicam-se ainda as restrições de proteção das redes europeias de comunicações e a obrigação de recorrer ao Copernicus, ao Galileo ou ao EGNOS caso o projeto use observação da Terra por satélite, posicionamento ou navegação.
O regime financeiro é o de custos reais. Numa Innovation Action, a taxa de reembolso é de 70% dos custos elegíveis para entidades com fins lucrativos e de 100% para entidades sem fins lucrativos, com custos indiretos reembolsados por taxa fixa de 25% dos custos diretos elegíveis, excluída a subcontratação. Para uma empresa de software, um pacote de trabalho de um milhão de euros implica 300 mil euros de esforço próprio ao longo de três a quatro anos, tipicamente sob a forma de tempo de engenharia.
O que Portugal traz a um consórcio destes
O sistema elétrico português opera regularmente com proporções de renovável variável que a maior parte dos sistemas europeus só encontra em cenário de futuro. Essa condição transforma o operador nacional de transporte num parceiro com valor demonstrativo objetivo: os problemas de observabilidade, previsão e gestão de congestionamento que o tópico quer resolver manifestam-se aqui com intensidade real.
Acresce a interligação ibérica e a condição de sistema relativamente isolado no contexto europeu, o que torna o caso português particularmente rico para trabalho sobre resiliência, reposição de serviço e coordenação entre operadores vizinhos. Um piloto em Portugal responde a perguntas que um piloto no centro da Europa não consegue responder.
Para empresas nacionais de software industrial, cibersegurança de sistemas de controlo, análise de dados ou visualização, o encaixe natural é um pacote de trabalho específico num consórcio liderado por operadores. A preferência expressa por código aberto reduz a barreira reputacional, porque o que conta é o módulo que se entrega e não a dimensão de quem o assina.
O que recomendamos
A primeira recomendação é sobre a verificação da cadeia de controlo. A restrição relativa a entidades controladas pela China exige rastreio documental até ao beneficiário efetivo em todas as entidades do consórcio, incluindo participadas e afiliadas. Fazer esta verificação depois da submissão custa o parceiro e, com ele, o pacote de trabalho respetivo, tipicamente numa fase em que já não há tempo para substituição.
A segunda diz respeito à ancoragem do consórcio. Com dois operadores de transporte obrigatórios e dois pilotos em países diferentes, este tópico não se lidera a partir de uma PME. A estratégia realista para uma empresa portuguesa de tecnologia é posicionar-se cedo junto de um operador nacional ou de um fornecedor europeu de sistemas de comando, entrando com um pacote de trabalho técnico bem delimitado.
A terceira é sobre a articulação com o tópico D3-26. A exigência de descrever um mecanismo credível de colaboração com um projeto do lado da distribuição é frequentemente despachada com uma frase genérica. Recomendamos o contrário: definir um pacote de trabalho de interoperabilidade com atividades, marcos e orçamento próprios, desenhado para funcionar independentemente de qual venha a ser o projeto parceiro. É a forma de transformar uma exigência incómoda em ponto de diferenciação.
Por fim, a exigência de cobrir todos os oito itens do âmbito significa que propostas focadas numa única tecnologia não passam. A leitura correta é a de um projeto de integração, onde o valor está em juntar monitorização de área alargada, previsão, gémeo digital, cibersegurança e interoperabilidade num ambiente operacional coerente. Quem preparar a proposta como soma de contributos isolados perde no critério de Excelência.
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