O que é o tópico D3-17
O tópico HORIZON-CL5-2027-07-D3-17 pertence ao Cluster 5 do Horizonte Europa, concurso ENERGY. Implementa a parceria europeia co-programada para a inovação em fotovoltaico, conhecida por EUPI-PV. Financia dois âmbitos distintos. Uma proposta pode cobrir apenas um deles: sistemas fotovoltaicos de alta tensão em corrente contínua orientados para a eletrificação industrial, ou a participação do solar nos mercados de eletricidade.
A dotação indicativa é de 18 milhões de euros, distribuídos por cerca de três projetos com contribuição europeia estimada em 6 milhões cada. É uma Innovation Action em fase única, com abertura prevista a 4 de agosto de 2027 e prazo a 1 de dezembro de 2027, às 17h00 de Bruxelas. As atividades têm de atingir TRL 6 a 8 no fim do projeto.
O diagnóstico que sustenta o tópico é económico antes de ser técnico. Os grandes sistemas fotovoltaicos evoluem para arquiteturas de tensão mais elevada, iguais ou superiores a 3 kV, para reduzir perdas e melhorar a eficiência a custo menor. Ao mesmo tempo, a ocorrência crescente de preços nulos ou negativos no mercado grossista está a corroer a rentabilidade dos ativos solares em operação. São dois problemas diferentes com a mesma consequência: sem resposta, o investimento em nova capacidade solar abranda.
Necessidades que este instrumento resolve
O tópico responde a duas necessidades que se reforçam mutuamente. A eletrificação industrial precisa de eletricidade barata e estável para substituir combustíveis fósseis em processos térmicos. O solar só consegue oferecê-la se resolver simultaneamente a eficiência do sistema e a viabilidade económica da sua operação.
- Sustentabilidade, energia e clima: os resultados esperados são sistemas fotovoltaicos altamente eficientes com utilização ótima da eletricidade gerada, custo nivelado de eletricidade mais baixo e eletricidade acessível para utilizadores industriais. A redução do desperdício por corte de produção está entre os objetivos expressos.
- Investigação e ciência: o trabalho financiado inclui a conceção de arquiteturas de tensão superior com avaliação do ganho de eficiência, o desenvolvimento do modelo de referência para soluções híbridas de corrente alternada e contínua, mais a investigação do impacto da tensão mais elevada sobre os próprios módulos fotovoltaicos.
Sistemas fotovoltaicos de alta tensão em corrente contínua
O primeiro âmbito trata da arquitetura elétrica dos grandes sistemas. A lógica é a de construir um modelo de referência para a implementação de sistemas fotovoltaicos de alta tensão e para o desenvolvimento de redes de corrente contínua em torno de utilizadores finais estratégicos com elevada procura, como instalações industriais, centros de dados e estações de carregamento de veículos elétricos.
- Conceber e avaliar: desenhar arquiteturas de sistema com tensão superior e quantificar o benefício de eficiência que daí resulta.
- Modelo híbrido AC e DC: desenvolver o modelo de referência de uma solução híbrida para gestão de cargas de utilizador final com níveis elevados de eficiência.
- Demonstrar em ambiente industrial: demonstrar um sistema híbrido com tensão superior a 3 kV a operar em redes de corrente contínua para instalações industriais.
- Impacto nos módulos: investigar o efeito da tensão mais elevada sobre os módulos fotovoltaicos, o que toca degradação, isolamento e vida útil do ativo.
A intenção declarada é integrar também armazenamento nestes sistemas híbridos, o que lhes acrescenta flexibilidade. Compreender os fatores que influenciam o desempenho e a economia destas arquiteturas ajudará os planeadores de sistema a avaliar o benefício potencial destes recursos híbridos num contexto de eletrificação industrial crescente.
Participação do solar nos mercados de eletricidade
O segundo âmbito ataca o problema da rentabilidade. A participação do fotovoltaico em serviços de sistema é apontada como o caminho a seguir, com um triplo efeito: reduzir significativamente os custos de operação do sistema, reduzir o corte de produção solar e melhorar em simultâneo a fiabilidade do sistema e a rentabilidade do ativo. O acoplamento ou agregação com outros ativos de produção, armazenamento ou consumo faz parte do âmbito.
- Gestão integrada com preço dinâmico: demonstrar a gestão integrada de geradores fotovoltaicos para preço dinâmico ou nodal.
- Agregação para balanço: agregar produção solar com outros ativos de consumo ou produção para participação em mecanismos de balanço, avaliando a viabilidade destes sistemas e demonstrando modelos de negócio e esquemas de financiamento.
- Fiabilidade pela digitalização: demonstrar fiabilidade, mitigação de risco orientada pelo aprovisionamento e melhor disponibilidade do sistema através de digitalização.
Condições de acesso e regime de custos
Aplicam-se as condições gerais do Anexo B: consórcio com pelo menos três entidades jurídicas independentes de três Estados-Membros ou países associados diferentes, com pelo menos uma num Estado-Membro. A exceção específica é a obrigação de usar Copernicus, Galileo ou EGNOS caso o projeto recorra a observação da Terra por satélite, posicionamento ou navegação.
O tópico usa o regime de montante fixo. Os custos elegíveis assumem a forma de lump sum, o que significa que o pagamento se liga à conclusão verificada dos pacotes de trabalho e não à despesa declarada. Aplica-se ainda a cláusula que permite à autoridade de financiamento opor-se, até quatro anos após o fim da ação, a uma transferência de propriedade ou a um licenciamento exclusivo dos resultados.
Para uma empresa de eletrónica de potência ou de software de agregação, esta cláusula tem leitura prática imediata: se a estratégia de saída passa por licenciar em exclusivo a um fabricante asiático ou americano, o tema deve ser discutido com o assessor jurídico antes da submissão e refletido no acordo de consórcio.
Os projetos financiados ao abrigo deste tópico ficam obrigados a reportar resultados à parceria EUPI-PV, em apoio à monitorização dos seus indicadores. Todas as propostas devem ainda apoiar a execução da agenda conjunta de investigação e inovação em energia solar. É obrigação com custo real em tempo de equipa e deve ser orçamentada.
Portugal como caso de demonstração
O problema que o segundo âmbito descreve, o dos preços nulos ou negativos no mercado grossista, deixou de ser hipotético no mercado ibérico. Horas de preço zero em períodos de forte produção solar são hoje ocorrência regular, com efeito direto na receita dos ativos em operação. Isto dá a Portugal e a Espanha uma qualidade que poucos mercados europeus têm: são o sítio onde o problema já se manifesta com intensidade suficiente para uma demonstração ser convincente.
O país tem ainda capacidade instalada de geração solar em crescimento acelerado, promotores com carteira de projetos e um ecossistema de investigação em energia com trabalho consolidado em integração de renováveis. Para o primeiro âmbito, a existência de consumidores industriais eletrointensivos e de centros de dados em instalação cria os locais de demonstração que o tópico exige.
Para empresas nacionais de software de gestão de ativos, agregação e previsão de produção, o segundo âmbito é o de encaixe mais direto. Exige competência de engenharia e acesso a dados de mercado, não capacidade industrial. É o tipo de pacote de trabalho onde uma PME técnica compete em pé de igualdade com atores muito maiores.
O que recomendamos
A primeira recomendação é sobre a escolha de âmbito. As propostas devem cobrir pelo menos um dos dois âmbitos, o que permite focar. Uma proposta que tente cobrir os dois com seis milhões de euros arrisca dispersão e perde no critério de Excelência. Recomendamos escolher o âmbito onde o consórcio tem ativo demonstrável e desenvolvê-lo em profundidade.
A segunda é sobre o local de demonstração. Em qualquer dos âmbitos, a proposta precisa de um sítio real: uma instalação industrial que aceite receber uma rede de corrente contínua de alta tensão, ou uma carteira de ativos solares cujo operador aceite testar participação em serviços de sistema com risco de receita. Este compromisso deve estar assegurado por carta antes da submissão, não prometido como intenção.
A terceira diz respeito à parceria EUPI-PV. Tópicos que implementam parcerias europeias tendem a favorecer consórcios com ligação à comunidade da parceria, porque o alinhamento com a agenda conjunta é avaliado. Integrar um parceiro com presença ativa na EUPI-PV melhora a leitura do critério de Impacto e reduz o risco de a proposta ser lida como periférica.
Por fim, o regime de montante fixo exige disciplina na definição dos entregáveis. Num lump sum, um pacote de trabalho com fronteira ambígua é risco financeiro puro para quem o assume. Recomendamos que a equipa financeira participe na estruturação dos pacotes desde o início, não apenas na verificação do orçamento final.
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