O que é este concurso
O tópico HORIZON-CL6-2027-01-BIODIV-08 é uma ação de investigação e inovação (Research and Innovation Action) do Cluster 6 do Horizonte Europa, dentro da chamada anual única de 2027. Abre a 20 de abril de 2027 e encerra a 22 de setembro do mesmo ano.
O ponto de partida é uma constatação ecológica e económica. As aves e mamíferos do meio agrícola prestam serviços valiosos aos sistemas alimentares, como o controlo de pragas, a polinização e a dispersão de sementes, todos essenciais a uma agricultura resiliente. Manter e melhorar as suas populações é simultaneamente um objetivo de conservação e uma questão de sustentabilidade da produção de alimentos. O concurso financia investigação que equipe agricultores, gestores de terras, organizações de conservação e decisores com conhecimento e ferramentas para adotar práticas favoráveis a estas espécies.
Necessidades que este instrumento resolve
O instrumento cruza ciência agrária com conservação da natureza. Procura o ponto de equilíbrio entre a utilidade destas espécies e os danos que podem causar às culturas, desenhando sistemas agrícolas que beneficiam a biodiversidade sem sacrificar a produtividade.
- I&D e ciência: sintetizar o impacto de diferentes práticas agrícolas nas populações de aves e mamíferos e na produtividade, avaliar o papel de espécies específicas no controlo de pragas e na saúde do solo, e desenvolver programas de investigação participativa à escala da paisagem.
- Sustentabilidade, energia e clima: promover a adoção em larga escala de práticas amigas da biodiversidade, incluindo a criação e preservação de habitats seminaturais, em linha com a Estratégia de Biodiversidade para 2030, as Diretivas Aves e Habitats e o Regulamento de Restauro da Natureza.
O que os projetos devem desenvolver
As propostas devem articular um conjunto de atividades centradas na adoção prática de soluções no terreno:
- Sintetizar o efeito das práticas agrícolas nas populações de aves e mamíferos e na produtividade, avaliando o contributo de espécies específicas para o controlo de pragas e a saúde do solo.
- Desenvolver programas de investigação participativa que promovam a colaboração entre agricultores, gestores de terras e conservacionistas, testando soluções adaptadas a cada território.
- Melhorar os incentivos existentes, inclusive no âmbito da Política Agrícola Comum, ou criar novos incentivos dirigidos à adoção de práticas amigas das aves e mamíferos.
- Conceber um programa de formação para agricultores focado nestas práticas e nos seus benefícios económicos, com serviços de aconselhamento, dias de campo e explorações de demonstração.
- Avaliar a eficácia de escalar práticas comprovadas a diferentes regiões, mantendo pelo menos a produtividade.
O tópico exige a abordagem multiator, envolvendo de forma ativa agricultores e gestores de terras para garantir que o conhecimento e as necessidades dos vários setores se integram e que os resultados têm impacto real.
Pontos-chave para enquadrar a candidatura
Por ser uma RIA, o financiamento da Comissão cobre 100% dos custos elegíveis. A abordagem multiator é condição de elegibilidade, não uma escolha estilística: agricultores e gestores de terras têm de estar no consórcio desde o desenho da proposta, e não apenas como destinatários finais dos resultados.
Perfil dos beneficiários
Candidatam-se consórcios transnacionais com entidades de Estados-Membros e Países Associados. O perfil natural combina institutos de investigação agrária e de ecologia, universidades, organizações de conservação, associações de agricultores e empresas do agroalimentar com ligação ao terreno. Explorações agrícolas, cooperativas e entidades de aconselhamento agrícola são parceiros valiosos, sobretudo pelo papel de demonstração e validação que o tópico valoriza.
O que recomendamos
Este é dos tópicos da chamada com maior abertura ao mundo agrícola real. A exigência da abordagem multiator significa que consórcios sem agricultores e gestores de terras dificilmente são competitivos, o que cria espaço para empresas e cooperativas do agroalimentar entrarem como parceiros de campo, com explorações de demonstração e conhecimento prático. É um lugar financiado a 100% e com peso na avaliação.
Para uma empresa portuguesa, a leitura estratégica é direta. Se já trabalha em gestão de habitats, agricultura de conservação ou produção biológica, este concurso valida e financia esse caminho enquanto reforça a sua posição em redes europeias. O retorno não é apenas o financiamento: é a visibilidade junto de parceiros de investigação e de instâncias que desenham os incentivos da próxima PAC.
A recomendação prática é começar pela identificação do consórcio. A abertura ocorre em abril de 2027 e a chamada é de ronda única, pelo que importa estar presente nas conversas iniciais de formação de parcerias. Quem traz casos concretos de campo e capacidade de envolver agricultores chega à mesa com um ativo que os grupos de investigação procuram ativamente.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]