O que é este concurso
O tópico HORIZON-CL6-2027-01-BIODIV-07 é uma ação de investigação e inovação (Research and Innovation Action) do Cluster 6 do Horizonte Europa, integrada na chamada anual única de 2027. Abre a 20 de abril de 2027 e encerra a 22 de setembro do mesmo ano.
A premissa é a abordagem One Health, que reconhece a ligação intrínseca entre a saúde dos ecossistemas, da vida selvagem, das pessoas, dos animais domésticos e das plantas. O concurso financia investigação transdisciplinar capaz de prever a saúde dos ecossistemas e das espécies selvagens face aos fatores que provocam a perda de biodiversidade, das alterações climáticas à poluição, e de traduzir esse conhecimento em indicadores e recomendações úteis para quem decide políticas públicas.
Necessidades que este instrumento resolve
É um instrumento de ciência aplicada à decisão pública. O seu valor não está num produto comercial, está na capacidade de antecipar riscos de saúde que nascem da degradação ambiental e de informar a resposta da UE a esses riscos.
- I&D e ciência: o projeto produz conhecimento sobre o estado de saúde de ecossistemas e espécies selvagens, protocolos de referência para comparar resultados entre comunidades científicas e indicadores que descrevem riscos e benefícios das interligações entre saúde ambiental e humana.
- Sustentabilidade, energia e clima: os resultados sustentam o Pacto Ecológico Europeu e a Estratégia de Biodiversidade para 2030, avaliando o impacto da degradação ambiental na saúde humana e o valor da restauração e conservação da natureza, incluindo análises de custo-benefício e o custo da inação.
O que os projetos devem desenvolver
As propostas devem cobrir um percurso completo, do diagnóstico à recomendação de política:
- Descrever o estado de saúde atual dos ecossistemas e espécies selvagens com maior interação com a saúde humana, em meios terrestres, de água doce e marinhos, sem restrição geográfica.
- Prever a evolução futura desse estado de saúde no curto, médio e longo prazo, à luz dos cenários científicos mais recentes, nomeadamente as avaliações do IPBES.
- Propor protocolos de referência e indicadores comuns que descrevam riscos, como a perda de serviços de ecossistema e a exposição a poluentes e agentes patogénicos, e benefícios, como o efeito de diluição e a exposição a microrganismos benéficos.
- Avaliar o impacto da degradação da saúde dos ecossistemas na saúde humana, com atenção aos grupos em situação de maior vulnerabilidade.
- Fornecer recomendações de política acionáveis para a construção de um quadro de governação One Health.
O tópico exige a contribuição efetiva das ciências sociais e humanas para reforçar o impacto societal da investigação, além de cooperação próxima com o Centro de Conhecimento para a Biodiversidade da Comissão e com as parcerias Biodiversa+ e de Saúde e Bem-Estar Animal.
Pontos-chave para enquadrar a candidatura
Por ser uma RIA, o financiamento da Comissão cobre 100% dos custos elegíveis. A natureza transdisciplinar é estruturante: um consórcio credível combina ecologia, saúde, ciências do ambiente e ciências sociais. Propostas que tratem a dimensão One Health como acessório dificilmente passam o crivo do impacto.
Perfil dos beneficiários
Candidatam-se consórcios transnacionais com entidades de Estados-Membros e Países Associados. O perfil dominante é o de universidades, institutos de investigação em ecologia, saúde pública e ciências veterinárias, agências e autoridades públicas, mais organizações da sociedade civil ligadas à conservação. Empresas com competências em modelação, monitorização ambiental ou dados de saúde podem integrar o consórcio como parceiros técnicos.
O que recomendamos
Este é um concurso de vocação académica e institucional, mais do que empresarial. Para uma empresa portuguesa, a oportunidade está em fornecer competências técnicas que o consórcio precisa mas não tem internamente: plataformas de modelação, capacidade de tratamento de dados ambientais e de saúde, sensorização ou validação no terreno. É um papel de parceiro especializado, financiado a 100%, sem o peso de liderar a coordenação científica.
A escala e a ambição do tópico tornam a composição do consórcio determinante. Vale a pena identificar cedo os grupos de investigação portugueses e europeus que vão concorrer e iniciar conversas enquanto o âmbito ainda está aberto. Quem chega quando a proposta já está fechada raramente encontra lugar.
A nossa recomendação é tratar este concurso como um investimento de posicionamento de médio prazo. A abertura só ocorre em abril de 2027 e a chamada é de ronda única, pelo que a candidatura beneficia de preparação faseada. Para empresas sem ligação prévia a redes de investigação ambiental ou de saúde, o esforço de entrada é alto e deve ser pesado contra o retorno esperado.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]